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18/12/2008
O PRESÉPIO QUE FEZ NO DIA DO NATAL DO SENHOR

Tomás de Celano. In: Fontes Franciscanas e Clarianas. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 254-257.

Pelo grande amor à encarnação de Jesus, recordemos o que fez Francisco no terceiro ano antes de sua morte, numa aldeia que se chamava Greccio. Havia naquela aldeia um homem de boa fama que se chamava João. E o bem-aventurado Francisco mandou que ele fosse chamado e lhe disse: “Se desejas que celebremos em Greccio a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele menino que nasceu em Belém e ver de algum modo com os olhos corporais os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno”. O homem correu e preparou tudo conforme Francisco lhe pedira.

Homens e mulheres de diversos lugares prepararam velas e tochas para iluminar a noite que com os astro cintilante iluminou todos os dias e os anos. Veio Francisco. São conduzidos para o local o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade. De Greccio se fez como uma nova Belém. A noite se faz clara e deliciosa para os homens e animais. O bosque faz ressoar as vozes. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores aos Senhor.

O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria. Celebra-se a solenidade da missa sobre o presépio. O santo de Deus canta o Evangelho. E a voz dele, de fato, era uma voz forte, voz doce, voz clara, voz sonora. Prega em seguida aos presentes. Muitas vezes, quando queria nomear o Cristo Jesus, abrasado com excessivo amor, chamava-o de “Menino de Belém” ou “Jesus”.

Via, pois, deitado no presépio um menino exânime, via que o santo de Deus se aproximava dele e despertava o mesmo menino como que de um sono profundo. E esta visão era muito apropriada, pois que o menino Jesus tinha sido relegado aos esquecimento nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória deles. Terminada a vigília, cada um voltou alegre para sua casa.

O lugar do presépio foi consagrado como templo do Senhor, e em honra do beatíssimo pai Francisco construiu-se sobre o presépio um alar, e dedicou-se uma igreja, para que, onde uma igreja, para que, onde uma vez os animais comeram forragem de feno, aí doravante os homens comam, para a salvação da alma e do corpo, a carne do cordeiro imaculado e não contaminado, Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. 1Pd 1,19; 1Cor 1,10).


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