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04/01/2009
Olhos aguçados para ver Deus se manifestar

Por Fr. Valdecir Schwambach
Num mundo tantas vezes coberto pela fumaça da poluição, destruição constante da natureza em todos os sentidos: poluição das águas, desmatamento de nossas florestas, constatação de quantidades exorbitantes de lixo jogados ao fim do dia em nossas calçadas de uma forma que beira o irracional, a paz constantemente ameaçada a vida de tantas pessoas sendo tirada todos os dias como resultado da banalização da vida, e assim poderia ser elaborada uma lista bem mais ampla, rica de constatações que poderiam nos levar a um pessimismo em relação ao ser humano.

Neste domingo, 04 de janeiro, celebramos na Igreja e claro, em nossas vidas, a “Epifania” do Senhor. Esta palavra, não comum no nosso dia a dia, quer dizer “Manifestação”, para nós, manifestação de Deus ao mundo. Tal manifestação, nós a experimentamos em Jesus Cristo: o Deus que se fez humano. Ele veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14). Na encarnação, Deus veio mostrar a vocação mais original do ser humano, isto é, transcender-se, sair de si mesmo, ir ao encontro do outro através da fraternidade, da solidariedade e da misericórdia. No entanto, a finalidade última da vida, é experimentar o grande Outro, que nós chamamos de Deus, pai de Jesus e de todos nós.

Contudo, a realidade que vemos escancarada a nossos olhos, é tantas vezes, cruel, fria, desesperançosa. Como celebrar a Epifania do Senhor em realidades tantas vezes que negam a presença de Deus? Ao se encarnar, Deus assumiu toda a realidade humana, não parcialmente. Jesus vem ao mundo, aparece aos magos que vem adorá-lo, numa manjedoura, humilde, frágil, criança. Aquecido pela presença de sua família, Maria, José e agora pela presença da visita de alguns magos que se ajoelham diante da criança e a adoram. (cf. Mt 2,1-12).

Deus fazendo-se criança, assume toda a realidade humana, a começar pelas realidades mais frágeis, ameaçadas. Deus assume a criação desde sua base (se assim se pode dizer). Infelizmente, mesmo com o passar dos séculos, o ser humano tem coração empedernido, ganancioso, pouco aberto ao diálogo e à fraternidade. Ainda não compreendeu que Deus veio até ele para que ele vá até Deus, transformando seu modo de pensar e agir.

Enquanto o homem não entender a mensagem que a Epifania do Senhor expressa, haverá tanta contradição, sofrimento, injustiças. Infelizmente, muitos humanos tornam “feia” a peregrinação do ser humano, que a o invés de procurar o menino na manjedoura, o verdadeiro rei, deixam-se guiar pela estrela da ganância, da inveja, do ódio, da competição que massacra e vitima muitas vidas.

Aos que são impedidos de vislumbrar a manifestação do Senhor, o próprio Senhor, junto com eles, assume novamente a Cruz e ora ao Pai, como no monte das Oliveiras. O Deus que se faz presença no meio da humanidade através de Jesus Cristo, é o Deus que acredita na transformação por inteiro do ser humano. Uma utopia, com certeza, mas Jesus nos mostrou que isto é possível, assumindo a dimensão humana. É preciso ter olhos e mentes aguçados para perceber Deus se encarnando, caminhando conosco mesmo onde a maldade humana tenta contradizer a bondade de Deus.


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