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14/04/2009
Devotos de Nossa Senhora da Penha superam limites físicos em nome da fé

Dona Orlandina Chegou cedo para ficar mais próxima do altar

Vila Velha (ES) - O oitavário, os oito dias de celebração que antecedem o dia de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo, teve início neste domingo (12), no campinho do Convento da Penha, com a demonstração de fé e superação dos fiéis e devotos da santa. Cerca de 2 mil pessoas acompanharam a primeira missa das comemorações da Penha, e algumas delas tiveram que vencer as limitações impostas pelo próprio corpo para conseguir acompanhar a celebração.

Dona Orlandina dos Santos Lima, de 77 anos, chegou cedo ao Convento para participar das primeiras atividades da Festa da Penha e escolheu um lugar estratégico para acompanhar a celebração: no pé do altar, no ponto mais próximo da imagem de Nossa Senhora da Penha. Mesmo com problemas de artrite, artrose e osteoporose, Dona Orlandina não deixou se abater. Chegou ao santuário às 7h50 deste domingo (12) e ficou em pé até o término da celebração, por volta das 17 horas. 'Mas para Nossa Senhora da Penha, todo esforço vale a pena', disse a aposentada.

'É uma emoção que não tem tamanho. Ahco que não tem nada no mundo que pague a gente poder estar aqui nesse momento, mesmo em pé Aqui é o lugar mais próximo que consigo ficar, pois cheguei muito cedo, assisti a missa das 9h, depois a das 11h, rezei o terço e como não teve lugar para sentar, fiquei aqui para estar bem pertinho. Mas se eu pudesse, queria estar abraçada com ela', disse Dona Orlandina, com lágrima nos olhos.

Sentada em uma cadeira de rodas, a dona de casa Amariles Batista, 39 anos, assistiu à missa de inauguração da Festa da Penha no campinho do Convento da Penha. Ela sofreu paralisia infantil aos 3 anos de idade e ficou paraplégica. Subir a ladeira que dá acesso ao campinho sendo empurrada pelo marido, Jordão Corrêia de Souza, foi um sufoco, disse ela, mas o sonho maior ela ainda não realizou: chegar à capela de Nossa Senhora da Penha, no alto do morro, onde não há acesso para deficientes.

"É uma festa de muita fé à Nossa Senhora. Lá em cima (no santuário) eu nunca fui, mas é meu sonho. Não consigo pois não tenho como subir tanta escada. Poderia ter um acesso para deficiente, pois a gente fica na vontade", lamentou a dona de casa.

Os jovens também estiveram em grande número no campinho neste domingo. Com a timidez natural de quem nunca deu uma entrevista na vida, o menino Kleiton dos Santos Alvarenga, 15 anos, resumiu com simplicidade o porquê de sempre participar das festividades da Festa da Penha.

"Ela é a nossa protetora, sempre acompanhou minha vida e por isso sempre participei. Dia de semana eu tenho aula à tarde, daí não dá para acompanhar todos os dias, senão eu viria. Mas eu sempre gosto de vir, é como um ritual", disse o garoto.

Neste domingo, os fiéis que lotaram o campinho ainda reproduziram pela primeira vez o grito que ecoará por todas as celebrações da Festa da Penha: "Viva Nossa Senhora da Penha! Viva!".

Fonte: Guido Nunes - Gazeta Online


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