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21/05/2009
MARIA, A ARTE DE DEUS

Toda obra de arte faz o nosso pensamento “transcender”. Um belo quadro, uma escultura, uma sinfonia, sempre nos dizem algo daquele que a criou, das “mãos que a modelaram”, da mente que deu à luz tal beleza que enche nossos olhos e ouvidos de maravilha. Com o coração alegre, a gente agradece pela existência de um ser que presenteou o mundo com seu trabalho, expresso nas obras de arte. A beleza da criatura fala algo sempre da grandeza daquele que a criou.

Certa vez, numa cidade chamada Nazaré, na Galiléia, o Anjo Gabriel foi enviado a uma virgem que estava prometida em casamento. Quando o anjo se aproximou dela, fez uma saudação toda singular: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (cf. Lc 1,26-28). O porta-voz de Deus declara que Maria era especial diante de Deus. Deus tinha para ela um plano. O anjo, enviado por Deus, consulta a Maria sobre a disponibilidade de abrir-se aos desígnios de Deus. Mesmo não entendendo talvez como se daria tudo isto, dado o mistério de Deus, mas na generosidade de uma mulher que contribui com o plano de salvação de Deus, Maria exclama: “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Maria sente confiança na Palavra do Senhor. Sabe que o que o anjo lhe falara é algo grande, quase incompreensível, assim, de imediato, mas sabe que “para Deus tudo é possível” (Lc 1, 37).

Sabemos que o centro da nossa fé não é Maria. Contudo, podemos perceber através dela, o quanto Deus pode amar um ser humano ao ponto de fazer nele Sua casa. Uma jovem declarada pelo anjo do Senhor como “cheia de graça” e nós o rezamos na Ave Maria, será para sempre cheia de graça. Deus não escolhe ninguém para depois renegá-lo, muito menos descartá-lo. Sabemos que ela continua sendo sempre cheia de graça aos olhos de Deus, porque ouvinte e cumpridora da Palavra de Deus. Quem mais do que ela, ouviu a Palavra de Deus e a colocou em prática? Lembremos do que diz Jesus: “Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (cf. Lc 1128).  

Pelos relatos bíblicos, percebemos que Maria ao longo de sua vida, esteve tanto presente na vida de Jesus como também depois continuou a caminhada de fé com a Igreja nascente. O primeiro milagre de Jesus, seu Filho, foi realizado por mediação de sua mãe: “Eles não tem mais vinho!” (Jo 2,3). Nos Atos dos Apóstolos encontramos: “Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus” (At 1,14). Ela ficou rezando junto com os apóstolos até o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu e fundou a Igreja (cf. At 2,1-4; 4,31).
Maria não acolheu a Palavra de Deus uma vez na vida, somente. Nem poderia fazê-lo. Toda sua vida foi escuta atenta, sendo ao mesmo tempo, mãe e discípula de seu Filho. Ela é o modelo de verdadeiro seguidor de Jesus. Por esta sua atitude de fidelidade ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, podemos louvá-la sem medo de errar em nossa fé.

Quando admiramos Maria, admiramos esta obra toda que Deus fez em sua vida. Ela foi uma obra de arte na mão do grande Deus. Com ela, Deus agiu com criatividade, não segundo a lógica humana, conforme muitos podem querer enquadrá-la, ou nos esquecemos que para Deus nada é impossível? Se ela mereceu ser chamada pelo anjo de “cheia de graça”, convém que nós a admiremos, pois o próprio Deus a admirou. Se Deus a pode admirar, porque nós não podemos sempre crer que ela está muito próxima a Deus?

Fr. Valdecir Schwambach, ofm


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