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07/10/2009

Consagrado para a salvação do mundo!

Frei Valdecir Schwambach, ofm

Entre os dias 27 de setembro a 03 de outubro, por ocasião do Ano Sacerdotal, convocado por Bento XVI no 150° aniversário de morte de São João Maria Vianney, aconteceu em Ars, um Retiro Sacerdotal Internacional. Abaixo, partilho de modo bem breve e sucinto, um pouco do que pude ver e ouvir nestes dias de muito aprendizado, oração e convivência com povos de muitas nações do mundo inteiro.

A simpática cidadezinha de Ars, na França, recebeu, entre os dias 27 de setembro a 03 de outubro deste ano, mais de 1.200 sacerdotes provindos de 75 nacionalidades! Pelas ruas da pequena Ars, caminhando a qualquer hora do dia, era muito comum encontrarmos inúmeros sacerdotes que estavam participando do Retiro. Nestes dias de Retiro, Ars foi praticamente povoada por presbíteros de muitas nacionalidades.

Quando estávamos reunidos, era impressionante perceber a variedade de línguas faladas num único espaço... daria aqui uma lista enorme se fossemos citar. As palestras, praticamente todas, foram em Francês. Havia tradução simultânea para diversas línguas.
A cidade escolhida para o Retiro foi Ars, lugar onde João Maria Vianney, o Cura d’Ars viveu por quarenta e um anos cuidando do povo de Deus daquele lugar. No Retiro, portanto, foi enfatizado por excelência a espiritualidade do Cura, que é o padroeiro de todos os párocos, mas que em breve, por ocasião do 150° aniversário de sua morte, deverá ser declarado por Bento XVI o padroeiro dos sacerdotes do mundo inteiro.

Deixou um legado espiritual muito grande a todos os sacerdotes, principalmente por intuir que o sacerdote, como homem de Deus, deve ter as atitudes de Jesus para com o pecador e um grande amor à Eucaristia. Passava horas e horas no confessionário, acolhendo os pecadores. Já naquele tempo, conta-se que o sacramento da confissão estava esquecido pelas pessoas; estas não viam mais valor em se confessar. Pela misericórdia e paciência, o Cura mostra o quanto é importante as pessoas sentirem-se reconciliadas com Deus e inseridas novamente no seio da igreja.

Celebrava com amor a Missa. “Que infeliz o padre que celebra a missa como algo comum”, dizia o Cura. E ainda: “Todas as obras que alguém faz não se comparam a Missa, porque são obras humanas. A missa é obra divina”.

O sacerdote deve ser como um “vaso”, que dá ao povo a possibilidade de beber da misericórdia de Jesus. Somente sentindo a misericórdia de Deus, o pecador poderá se converter. “Quando o homem é acusado, se defende, mas quando é amado, ele se arrepende”. Não há limite à misericórdia divina. Só existe um limite: o de crer que ela tem limites.

O presbítero deve ser, então, um dispensador da misericórdia e de tudo o que for necessário para o crescimento espiritual das pessoas que buscam a Deus e também daquelas que não buscam... Grande desafio para a Igreja que mais e mais defronta-se com uma sociedade secularizada, na qual o religioso, o espiritual não contam. Como semear no meio de um campo que nem sempre parece estar disponível para receber as sementes que temos para lhe lançar? Ou será que nós ainda não aprendemos a lançar a semente no tempo e do modo certo?

Interessante a figura utilizada pelo Cura para dizer que Deus não desiste de acreditar no ser humano: é como uma mãe que carrega seu filho na passagem de um precipício. A criança só a arranha e a incomoda; a mãe, porém, jamais a larga!

O sacerdote, segundo o Cura, é o “amor do coração de Jesus”, esta é sua vocação primordial. Para isto, deve estar sempre atento à Palavra de Deus, ter amor à missa  e acolher com misericórdia a todos os que vem buscar a reconciliação com Deus e com as pessoas.

O CURA D’ARS
João Maria Vianney chegou em Ars no dia 13 de fevereiro de 1818. naquela época, Ars era um pequeno povoado desconhecido de Dombes, e o futuro pároco um jovem sacerdote de 32 anos. Nascido em 1786 em Dardilly, próximo a Lião, numa família de camponeses, muito cedo sente-se chamado a ser sacerdote para “conquistar almas para o Bom Deus”; teve muitas dificuldades a ser formado naquele período atormentado, posterior à Revolução Francesa.

Durante quarenta e uma nos João Maria Vianney vai tocar os corações dos paroquianos de Ars, revelando-lhes a misericórdia de Deus e a alegria de serem filhos de Deus. Ele desperta a fé do povo por meio de suas pregações, mas sobretudo através de suas orações e de sua maneira de viver. Sente-se pobre ante a missão a realizar, mas ele se deixa conduzir pela misericórdia de Deus.

Logo sua fama de confessor atrai numerosos peregrinos, vindo buscar junto dela o perdão de Deus e a paz do coração; mais de noventa mil foram ter com ele no último ano de sua vida. Diante de inúmeras provações, conservou o seu coração arraigado no amor de Deus e de seus irmãos. Suas catequeses e homilias acentuam sobretudo, a bondade e a misericórdia de Deus. Morre no dia 4 de agosto de 1859, tendo-se entregado até o fim, por amor. Ele sabia que morreria um dia como “prisioneiro do confessional”.

Foi beatificado no dia 8 de janeiro de 1905 e declarado no mesmo ano “padroeiro dos sacerdotes da França”. Canonizado em 1925 por Pio XI, sendo em seguida, proclamado “padroeiro de todos os párocos do mundo”, em 1929. Por ocasião de sua visita em Ars, o Papa João Paulo II, afirma: “O Cura d’Ars permanece para todos os países um modelo ímpar, ao mesmo tempo de realização do ministério e de santidade de ministro”.

(Do texto do próprio Retiro).


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