O
nosso querido e estimado “sênior” da Província faleceu no dia
10 de novembro, por volta das 07:30 h, em Rodeio. Segundo relato
dos confrades, há umas três semanas ele esteve internado no
Hospital S. Isabel, em Blumenau, para a troca do marca-passo
cardíaco. Permaneceu no hospital durante uma semana, para acompanhamento
e adaptação. Há aproximadamente 15 dias retornou ao Noviciado,
e já não era mais o mesmo. Perdeu bastante do que restava da
memória e também da coordenação motora. Passava quase toda a
noite em claro. Só se alimentava com a ajuda de alguém, recebendo
a comida na boca. Curiosamente, na véspera, pela primeira vez,
falou sobre a sua morte eminente.
DADOS
PESSOAIS Nascimento:
14/03/1901 (99 anos) Natural:Münster - Alemanha Nome de batismo:
Anton Maria Josef Greshake março de 1925:Ingressou em Garnstock 09/02/1927: Chegou
ao Brasil (73 anos de Brasil) 1927:
Seminário de Rio Negro - PR 26/01/1928:
Admissão ao noviciado - Rodeio, (72 anos de V. Franc.) 28/01/1929:1ª Profissão 28/01/1932:
Profissão Solene 21/12/1933:
Ordem Sacerdotal - (67 anos de sac.)
ATIVIDADES
NA EVANGELIZAÇÃO 1934 - 1939:Vice-mestre dos Noviços, Rodeio - SC. 1940:
Vice-mestre dos Irmãos em Rio Negro - PR. 1941 - 1945:
Vice-mestre dos Noviços, Rodeio - SC. 1946 - 1958:
Vigário paroquial, vigário da casa, mestre dos irmãos, Pari
- São Paulo. 1959 - 1964:
Superior em Nilópolis; procurador da União Missionária Franciscana
e Procurador das Vocações. 1965 - julho/1982:Missionário no Chile. Agosto/1982 -
janeiro/1994: Vigário Paroquial em Blumenau
- SC. Fevereiro/1994
- 2000: Atendente no Convento em Rodeio -
SC.
LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!!! E vinha se achegando
Frei Feliciano, de cadeira de rodas, auxiliado sempre por um
confrade, nos encontros da Fraternidade. A voz firme e cadenciada
pronunciava com perfeição cada palavra desta invocação como
que refletindo o Mistério do Crucificado na sua vida. Ai daquele
que não respondesse um “PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!!” à altura
do locutor: “Está fraco, vamos, repitam: LOUVADO... Gostava
também de ouvir músicas em alemão, que os noviços faziam questão
de recordar. Frei Feliciano regia com o dedo polegar. Greshake
era seu sobrenome, contudo, surgiam outras pronúncias, que aliás,
o tiravam do sério. O zelo pelos detalhes e a pontualidade o
autenticaram como um tradicional germânico, embora afirmasse
ser mais brasileiro que alemão.
Assim, Frei Feliciano caminhava para celebrar o seu centésimo
ano de vida; um século, ocasião que o tornaria um “padre secular”,
o que deixava-o irritado. Fazia questão de salientar que era
religioso franciscano, e explicava com paciência e doçura a
diferença.
No dia-a-dia ficava em sua cela atendendo as pessoas que a ele
acorriam para bênçãos e confissões e, ainda, animando os noviços
com seu espírito jovial.
Aos poucos Frei Feliciano foi se sentindo mais cansado que de
costume e levantando suspeitas dos confrades. Era o marca-passo
que já não conseguia acompanhar a insistência do nosso velhinho.
Os intervalos entre as crises foram diminuindo até que foi encaminhado
ao Hospital Santa Isabel, em Blumenau, para substituição do
marca-passo. Retornou para o convento mas já não era o mesmo.
Os cuidados foram redobrados. Na véspera de sua morte disse,
pela primeira vez, a um confrade que desejaria morrer.
Na manhã do dia 10 de novembro, sexta-feira, foi encontrado
serenamente morto. O mestre Frei Valdir e metade da turma dos
noviços estavam ausentes naquela semana, vivendo a experiência
do Eremitério. O guardião Frei Olivo e os demais que estavam
em casa tomaram as primeiras providências. Frei Edgar foi incumbido
de avisar os parentes na Alemanha. O velório, na Igreja, transcorreu
durante aquele dia e a noite toda. Dia 11, às 9:00 h, foi concelebrada
a missa de corpo presente, presidida pelo bispo diocesano Dom
José Balestieri, confrades, padres da região, contando com a
significativa presença do povo rodeense, religiosas e noviços.
A homilia foi proferida pelo Frei Pascoal Fusinato, companheiro
de Frei Feliciano há alguns anos, testemunhando alguns fatos
acontecidos, além, é claro, de uns bons “Fioretti”. Fizeram
uso da palavra Dom José, Frei Olivo e Padre Bona, salesiano
de Ascurra.
Dom José contou-nos que, na véspera do falecimento de Frei Feliciano,
havia avisado o coordenador de pastoral da Diocese que reservasse
na edição do jornal diocesano de março-2001, a primeira reportagem
sobre os 100 anos de Frei Feliciano, acontecimento único na
história da Igreja de Rio do Sul. No outro dia veio o telefonema
com a notícia da morte. Dom José, muito inspirado, disse ler
neste acontecimento as palavras de Deus: “Vocês tiveram 99 anos
para celebrar com Frei Feliciano, o centésimo é meu”.
Após a Missa aconteceram as despedidas e o sepultamento. Frei
Olivo conduziu as últimas orações junto à sepultura. Antes de
proceder o sepultamento, tornou sua a aclamação preferida de
Frei Feliciano:
LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR, JESUS CRISTO!!! PARA SEMPRE SEJA
LOUVADO!