18/03/2005
Frei
Gregório Johnscher, ofm * 08.08.1920 + 18.03.2005
Frei
Gregório faleceu hoje, 18.03, por volta das 10h30, no
Hospital de Agudos, depois de algumas semanas em crescente debilidade
física geral. Em 2004, depois de sofrer uma queda, só
andava com o apoio de um andador. Posteriormente, permanecia
no seu quarto, ainda sentando-se à mesa, onde lia, rezava
e escrevia. Nas últimas semanas, passou a ficar permanentemente
na cama, assistido pelo enfermeiro, confrades e seminaristas.
Permaneceu lúcido, praticamente até o final.
Dados
Pessoais e Formação
· Nascimento:
08.08.1920 (84 anos), em Curitiba-PR.
· Nome
de batismo: Norberto Guilherme
· 1934-1940
- Ingresso
e estudos iniciais no Seminário de Rio Negro-PR.
· 21.12.1940
- Vestição e Admissão
ao Noviciado Franciscano, em Rodeio-SC.
· 64 anos de vida religiosa franciscana.
· 22.12.1941
- Primeira profissão temporária
dos votos religiosos.
· 1942
- Estudos de Filosofia, em Rodeio-SC.
· 1943-1944
- continuação
dos Estudos de Filosofia, em Curitiba-PR,
· 1945-1948
- Estudos de Teologia, em Petrópolis-RJ.
· 22.12.1944
- Profissão
solene dos votos perpétuos na Ordem dos Frades Menores.
· 30.11.1945
- Ordenação
diaconal, em Petrópolis-RJ.
· 03.12.1946
- Ordenação
presbiteral (58 anos de ministério sacerdotal).
Atividades
na Evangelização
· 1949-1952
- Professor, Mestre dos Irmãos no
Seminário de Rio Negro-PR.
· 1953-1989
- Exerceu, por 36 anos, magistério
como professor no Seminário Santo Antônio (Ensino
Básico e Ensino Médio), em Agudos-SP.
· 1953-2005
- Professor, Mestre dos irmãos, Vigário
da Casa, Vigário paroquial, capelão do Hospital,
Confessor, Idealizador e Coordenador do Museu Escolar, em
Agudos-SP.
O
Frade Menor
A vida e a trajetória franciscana e sacerdotal de Frei
Gregório falam por si mesmas. Entre seus confrades
é considerado um monumento, um ícone dos valores
mais essenciais da vida franciscana, porque nele ficava patente
aquilo que todos nós desejamos ser como frades menores.
· Sem contar o tempo de formação, recebeu
apenas duas únicas transferências ao longo dos
seus 64 anos de vida franciscana, para Rio Negro e Agudos:
56 anos como educador; 52 anos no Seminário de Agudos,
dos quais 36 como professor.
· Gerações de frades dele receberam os
estudos das ciências, do desenho, do latim. Ficaram
célebres suas aulas no laboratório de química
na manipulação das substâncias e dos aparelhos
de experiências. Com Frei Onésimo Dreyer, despertou
nos jovens formandos o amor e o interesse pela astronomia.
· O Museu Escolar, que hoje leva seu nome, consumiu
grande parte do seu tempo, de sua dedicação
e de sua vida. E tornou-se uma referência em toda a
região, com as visitas de escolares e do público
em geral.
· Ao lado desta sua dimensão de homem da ciência,
havia o zeloso pastor, sempre disposto no atendimento dos
enfermos no hospital local, nas celebrações
e confissões na Paróquia de Santo Antônio,
que ele ajudou a construir.
· Nos serviços internos da fraternidade, era
uma presença constante, fiel e incansável. Aprendemos
a associar sua figura e presença à vida de oração
e à Eucaristia. Constituiu-se num sinal, num convite
permanente e silencioso àquela dimensão tão
cara a São Francisco, a de buscar incessantemente a
"santa operação do Espírito de Deus".
· O zelo, a dedicação extremada aos confrades
idosos e doentes era outra sua marca. Não raro, levantava
durante a noite e a madrugada, para verificar se os enfermos
não precisavam de algo e, para os quais, celebrava
a missa diária.
· Presença alegre, amiga, bem humorada, nos
recreios e encontros da fraternidade, sempre encontrando uma
forma de puxar uma boa conversa, com uma "introdução
prévia", delicadeza própria de quem se
oferece e não se impõe.
· Mesmo nos seus últimos anos, com as limitações
da idade e saúde, procurava descobrir onde e como servir,
seja como cronista da casa, na marcação das
missas, e na redação das memórias e biografias
dos confrades mais idosos da fraternidade.
· Por tudo isto, e muito mais, o Seminário de
Agudos não será mais o mesmo sem a presença
física deste frade menor. Não veremos mais o
seu vulto, andando e rezando o rosário durante a noite,
na penumbra dos corredores e do claustro. Porém, o
tempo não vai conseguir apagar do coração
e da memória dos seus confrades e seminaristas, o seu
testemunho de fé e de fidelidade e a sua límpida
encarnação do evangelho.
De certa forma, com a morte de Frei Gregório, se encerra
uma parte da história do Seminário de Agudos,
da qual ele foi pioneiro, e protagonista.
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