13/02/2002 Frei
José Reinaldo Arezo *02/04/1960 +13/02/2002
No dia 12, terça-feira de carnaval, às 20 horas, Frei Reinaldo
celebrou a missa de encerramento de um retiro de carnaval, numa
das capelas da Paróquia de São Lourenço. Como de costume, após
a missa permaneceu num encontro e bate-papo com as pessoas da
comunidade no páteo externo da igreja.
Por volta das 21h15, recebeu uma ligação pelo telefone celular,
despediu-se dizendo ter recebido um chamado urgente, e saiu
para atender alguém. Não se sabe se para um doente ou algum
outro caso de atendimento imprevisto. Não retornou aquela noite
ao convento, e os confrades só se deram conta de sua ausência
na manhã da quarta-feira e ficaram preocupados.
Logo cedo, receberam um telefonema do delegado de Conceição
do Rio Verde, município vizinho, distante aproximadamente uns
40 km de S. Lourenço, pedindo a presença de um frade para fazer
o reconhecimento do corpo de Frei José Reinaldo.
Frei João Alves saiu imediatamente para o local. O corpo fora
encontrado numa estrada de terra, próximo do asfalto, estando
fora do carro, com as mãos amarradas às costas e estrangulado
com um cinto ou correia de bolsa; com muitos ferimentos, hematomas,
perfurações no rosto e cabeça, deslocamento do maxilar, indicando
que sofrera espancamento e tortura demorada, provavelmente executada
por duas ou três pessoas. Segundo o referido delegado, moradores
da zona rural, próximos do local, perceberam faróis de carro
e presença de pessoas, por volta das três horas da madrugada,
mas só foram ao local quando o dia já havia amanhecido. Tendo
encontrado o corpo, comunicaram à delegacia local.
Após o reconhecimento, o corpo foi levado para o IML da cidade
de Varginha, onde seria feita a perícia técnica, e liberado
na noite da quarta-feira de cinzas, quando foi conduzido para
São Lourenço. Por volta das 24 horas, iniciou-se o velório na
igreja matriz com grande afluência da comunidade durante toda
a noite.
Às 11 horas do dia 14, teve início a celebração da missa exequial,
presidida por D. Diamantino Prata de Carvalho, bispo diocesano
de Campanha, concelebrada pelos padres da diocese, por grande
número de confrades, seus colegas de turma, com a presença dos
pais e irmãos do Reinaldo, amigos e paroquianos dos locais onde
viveu e trabalhou (S.J. Meriti, Nilópolis, Guará, Pari). Por
volta das 12h30, Frei Caetano procedeu à encomendação do corpo,
seguindo-se o sepultamento.
DADOS
PESSOAIS Natural:Guaratinguetá - SP Admissão
ao noviciado: 20/01/1981 1ª
profissão: 20/01/1982 - 20 anos de vida franciscana.
Profissão
solene: 02/08/1985. Ordenação
presbiteral: 30/01/1988 - 14 anos de sacerdócio.
ATIVIDADES
NA EVANGELIZAÇÃO 1988
- 1989: Nilópolis-Aparecida - RJ - vigário
paroquial. 1990
- 1991: Rio de Janeiro - Sono - Viso - administração.
1992
- 1994: Guaratinguetá - Graças - atendimento,
vigário da casa. 1995
- 1997:São
João de Meriti - RJ - guardião e pároco. 1998
- 2000:São
Paulo - Par- SP - pároco. 2001
- 2002: São Lourenço - MG - guardião e pároco.
O FRADE
MENOR
A morte de Frei Reinaldo, e sobretudo a circunstância em que
ocorreu, trouxe impacto, consternação, dor e indignação para
o coração do povo, dos seus confrades, familiares e amigos.
Ela colheu um frade jovem e dinâmico, liderança promissora na
Igreja e na Província: mistério da vida, mistério da morte!
Em todas as comunidades que serviu e trabalhou deixou a marca
de sua alegria, de sua disponibilidade, de sua competência.
Quase sempre, onde viveu e trabalhou, era eleito pelos confrades
para a serviço de coordenação dos Regionais: Baixada Fluminense,
Vale do Paraíba e São Paulo.
Durante algum tempo, lecionou em Petrópolis, dando cursos intensivos
de administração paroquial, para as turmas do último ano de
teologia. Participou da comissão preparatória do último Capítulo
Provincial, e nela foi presença atuante, consciente e eficaz,
com grande capacidade de conciliação e visão das coisas. Tinha
dotes musicais: gostava de cantar e animar as celebrações com
entusiasmo e alegria.
Frei Reinaldo partiu no início desta quaresma, quando a Igreja
aponta para o sonho de "uma terra sem males", onde todos tenham
direito à vida e possam conviver como irmãos. Que o Deus da
misericórdia lhe conceda a paz e o repouso eterno, como cidadão
dos "novos céus", e nos ensine a construir aqui uma "nova terra"!