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17/09/2004
Dom
Frei Pascásio Rettler, OFM
Aos
89 anos de idade, Dom Frei Pascásio Rettler faleceu
em Sorocaba, no dia 16 de setembro, onde residia na Fraternidade
Bom Jesus dos Aflitos. Ele trabalhava em Pirapitingui, em
Itu, com hansenianos. No último dia 12, completou 36
anos de episcopado, sendo que durante 22 anos esteve à
frente da Diocese de Bacabal, no Maranhão. Trazia sempre
com ele a imagem de Nossa Senhora, que foi poupada pelos vândalos
que queimaram sua residência em Bacabal. Antes de colocarem
fogo na casa, retiraram a imagem de Nossa Senhora e a deixaram
debaixo de uma mangueira.
DADOS
PESSOAIS
Nascimento:
26.01.1915 (89 anos de idade)
Natural
de Merklinde (Castrop-Rauxel), Alemanha.
25.04.1933
- Ingressou no Seminário Franciscano de Garnstock,
Bélgica.
03.05.1935
- Desembarcou no Brasil para continuar os estudos no Seminário
São Luís de Tolosa, em Rio Negro-PR, onde permaneceu
até 1936.
19.12.1936
- Admissão ao noviciado franciscano, em Rodeio-SC (67
anos de vida franciscana).
20.12.1937
- Primeira profissão dos votos religiosos.
1938 -
Início dos estudos de Filosofia, em Rodeio-SC.
1939-1940
- Continuação dos estudos filosóficos,
em Curitiba-PR.
20.12.1940
- Profissão solene dos votos perpétuos na Ordem
Franciscana.
1941-1944
- Estudos de Teologia, em Petrópolis-RJ.
30.11.1941
- Ordenação diaconal.
29.11.1942
- Ordenação presbiteral (61 anos de ministério
sacerdotal).
ATIVIDADE
MINISTERIAL
1943-1947
- Vigário paroquial, em Forquilhinha-SC.
1948 - Reitor
do Seminário S. Luís de Tolosa, em Rio Negro-PR.
1949 - Vigário
paroquial, em Duque de Caxias-RJ.
1949-1956
- Residindo em Florianópolis-SC, integrava a Equipe de
Missões Populares da Província Franciscana.
1957-1959
- Professor de Teologia Moral, em Petrópolis-RJ.
1960-1965
- Professor de Teologia Pastoral, no Convento Santo Antônio,
Rio de Janeiro-RJ.
· Julho/1966-julho/1968 - Vigário Provincial,
em São Paulo-SP.
25.07.1968
- Eleito Bispo de Bacabal-MA.
12.09.1968
- Ordenação episcopal em sua cidade natal (36
anos de ministério).
01.11.1968
- Início do ministério na Diocese de Bacabal-MA.
26.01.1990
- Quando completou 75 anos de idade, o Papa João Paulo
II aceitou seu pedido de renúncia no governo da Diocese
de Bacabal (22 anos na diocese).
18.02.1990
- Celebrou sua primeira missa como Capelão do Hospital
"Dr. Francisco Ribeiro Arantes", em Pirapitingüi,
distrito de Itu-SP, Diocese de Jundiaí, onde serviu até
abril de 2003 (quase 13 anos).
26.04.2003
- Devido a idade avançada (88 anos), e já com
algumas dificuldades de saúde, veio residir na Fraternidade
Bom Jesus dos Aflitos, em Sorocaba-SP. A partir desta data,
a Capelania de Pirapitingüi foi assumida pelo seu confrade
e amigo, Frei Antonio Andrietta, até o final de 2003.
A partir
de janeiro de 2004 seu estado de saúde foi gradativamente
se agravando, com sucessivas crises, alternando períodos
de internação hospitalar e de retorno ao convento.
No dia 11.09.2004
foi internado na UTI do Hospital da UNIMED, em Sorocaba, com
pneumonia e infecção grave nos pulmões.
No dia seguinte, 12.09, completou 36 anos como bispo.
·
Faleceu por volta das 14h45 do dia 16. Foi velado na Igreja
do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, em Sorocaba, até às
10hs do dia 17, Festa das Chagas de São Francisco, quando
foi celebrada a primeira missa exequial, presidida pelo arcebispo
D. José Lambert, e concelebrada por D. Amaury Castanho,
bispo emérito de Jundiaí, por Frei Jurandir Cristofolini,
pelos confrades e padres diocesanos de Sorocaba.
Missa Exequial e Sepultamento
No mesmo dia 17, Festa das Chagas de São Francisco,
o corpo de D. Pascácio foi transladado para São
Paulo, e na nossa Igreja e Santuário no Largo São
Francisco, às 15hs foi celebrada a segunda missa exequial,
presidida por D. Paulo Evaristo Arns, assistido por mais quatro
bispos: D. Qurino A. Schimitz (bispo emérito de Teófilo
Otoni, MG), D. José Belizário da Silva (bispo
de Bacabal-MA), D. Caetano Ferrari (bispo coadjutor de Franca,
SP) e D, Manuel Carrado Parral (bispo auxiliar de SP- Vigário
episcopal da Região Sé), e concelebrada por
Frei Augusto Koenig (ministro provincial), Frei Antônio
Schauerte (nosso visitador geral em 2003), e grande número
de confrades das casas vizinhas.
Frei Regis Daher, comentarista da missa, leu no início
os dados pessoais e biográficos de D. Pascásio.
Nos ritos iniciais, D. Paulo Evaristo recordou o fato de estar
celebrando as exéquias no dia da Festa das Chagas,
dia em que ele próprio fora batizado. E observou à
assembléia que os textos escolhidos para a missa seriam
também os desta festa. A 1ª leitura (Gálatas
6,14-18 ) foi proclamada pelo confrade missionário
em Angola, Frei Alexandre Magno Cordeiro da Silva, e o evangelho
(Lucas 9, 23-26), por Frei Augusto Koenig.
Na homilia, D. Paulo ressaltou três aspectos da rica
vida do falecido. O primeiro deles: a alegria. Lembrou
que quando celebrou sua primeira missa em Forquilhinha, Frei
Pascásio era o vigário paroquial e dedicava
grande atenção ao coral das crianças
da paróquia, como seu regente. Recordou também
o que seu pai dizia de Frei Pascásio: "Ele traz
tanta alegria quando visita os paroquianos que, quando parte
de nossa casa todos sentem a sua falta"! E que, justamente
por causa desta sua alegria é que foi enviado como
reitor do Seminário de Rio Negro, como estímulo
e modelo para os futuros frades.
O segundo aspecto: o missionário franciscano.
Recordou D. Paulo que, Frei Pascásio ficou pouco tempo
em Rio Negro porque no seu coração ardia a chama
do ardor missionário e, logo foi integrar a Equipe
de Missões Populares, na qual trabalhou durante sete
anos. Ressaltou também o seu amor aos pequenos e desvalidos
deste mundo, sempre procurando preferencialmente anunciar
à eles o Reino de Deus. E foi como missionário
que assumiu o episcopado em Bacabal, dando tudo de si aos
mais pobres daquela região do Brasil.
Por fim, D. Paulo lembrou a última atividade do pastor:
o irmão dos hansenianos. Em 1990, ao encerrar
sua atividade na Diocese de Bacabal, quando completou 75 anos,
D. Pascásio pediu ao então Ministro provincial,
Frei Estevão Ottenbreit, "poder encerrar sua vida
junto daqueles com os quais São Francisco iniciara
a sua vida de conversão". Relembrou a presença
amiga de D. Pascásio junto das famílias e dos
doentes no Sanatório de Pirapitingüi, para os
quais dedicou suas últimas forças e seus últimos
dias. Concluiu D. Paulo, com as palavras do Testamento de
São Francisco:"E o próprio Senhor me conduziu
entre eles, e fiz misericórdia com eles" (2-3).
Pela totalidade desta sua fecunda trajetória, a exemplo
de São Francisco das Chagas, D. Pascásio configurou-se
ao Cristo na sua vida e na sua morte, assumindo as "chagas"
do mais pobres e sofredores deste mundo.
As preces dos fiéis foram feitas por D. Caetano, D.
Manuel, D. José Belizário e Frei Augusto, nas
quais pediram a intercessão de D. Pascásio para
o pastoreio deles na sua mesma fidelidade evangélica
em benefício do povo de Deus. No momento de ação
de graças, após a comunhão, D. José
Belizário leu a mensagem enviada por D. Jacinto Furtado
de Brito Sobrinho, bispo de Crateús-CE, na qual relembra
sua filiação pastoral com o falecido.
Após a oração final da missa, com os
cinco bispos diante do esquife, ladeado por todos os confrades,
D. Paulo procedeu as orações de encomendação.
Seguiu-se, então, o translado do corpo para o Cemitério
da Irmandade do Ssmo. Sacramento.
D. José Belizário, em nome da Diocese de Bacabal,
agradeceu à Província Franciscana da Imaculada
Conceição, pela vida e pelo ministério
pastoral de D. Pascásio, sobretudo nos seus últimos
anos em que conviveu e foi assistido pelos confrades de São
Paulo e Sorocaba. Agradeceu, em nome do clero e do povo da
de sua diocese, tudo o que significou o ministério
de D. Pascásio, sobretudo junto dos mais pobres e sofredores.
Manifestou, por fim, o desejo da Diocese de, futuramente,
transladar os restos mortais de D. Pascásio para a
Catedral de Bacabal, que deverá ainda ter construída
sua nova sede. Frei Augusto Koenig agradeceu a presença
dos muitos amigos e irmãos que, na vida e na morte,
estiveram ao lado de D. Pascásio, e ao falecido, tudo
o que ele foi e significou para a história de nossa
província. D. Caetano Ferrari procedeu então
as últimas orações e a benção
da sepultura. D. Pascásio é o primeiro confrade
falecido neste ano de 2004 e, também o primeiro a ser
sepultado no novo jazigo franciscano de São Paulo.
Frei Regis Daher, Ofm
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