11/08/2005
Frei
Pasqual Abílio Capelari Bressan, * 09.04.1939 + 10.08.2005
Faleceu
às 19h40, do dia 10 de agosto de 2005, no Centro de Terapia
Intensiva do Hospital da Venerável Ordem Terceira da
Penitência.
DADOS
PESSOAIS E FORMAÇÃO
Nascimento: Nascimento:
09.04.1939 (66 anos)
Natural de Jaguari, RS.
1972 - Ingresso no Seminário Frei Galvão
(SEVOA), em Guaratinguetá-SP.
20.01.1973 - Admissão no Noviciado Franciscano,
em Rodeio-SC.
(32 anos de vida franciscana)
21.1.1974 - Primeira profissão dos votos temporário,
em Rodeio-SC
1974-1979 - Estudos de Filosofia e Teologia, em Petrópolis-RJ
02.08.1977 - Profissão solene dos votos perpétuos,
em Petrópolis.
20.11.1978 - Ordenação diaconal, em Petrópolis
16.12.1979 - Ordenação presbiteral, em
Nilópolis-RJ
(26 anos de ministério sacerdotal).
ATIVIDADES
NA EVANGELIZAÇÃO
1980 - Vigário paroquial - Paróquia Santa
Rita, Sorocaba-SP
1981-1982 - Vigário paroquial, Cabo Frio-RJ.
1983-1994 - Vigário paroquial, São João
de Meriti-RJ.
1995 - Vigário paroquial, em Campos Elíseos
- Duque de Caxias-RJ.
1996-2005 - Atendente conventual - Rio de Janeiro-RJ.
O FRADE
MENOR
Nunca foi de saúde forte. Há anos se tratava de
hepatite B e hepatite C, somadas a uma preocupante diabete.
Cuidava-se bem, ia a vários médicos, buscava remédios
especiais de controle de hepatite no Instituto Osvaldo Cruz.
Já passara por algumas crises em anos anteriores, inclusive
superara com bastante dificuldade temporadas de pânico,
com ajuda de psiquiatra. Vivia desde 2003 uma fase boa, alegre,
atendendo confissões (ministério para o qual era
muito procurado), celebrava e pregava com desenvoltura.
Aos sábados, domingos e segundas celebrava duas missas
cada dia na Irmandade do Senhor Bom Jesus, na Tijuca. Sempre
pronto para uma segunda ou terceira Missa, quando necessário.
Tinha dois passatempos, ambos de alto sentido terapêutico:
o radioamadorismo e o cultivo de orquídeas. Era admirável
seu conhecimento de orquídeas e orquidários. Por
isso lhe pusemos à cabeceira, durante o velório,
uma bela orquídea de sua coleção. Plantava
tomates, ervas medicinais, nabos e mamoeiros. Tinha ingênua
e bonita alegria, quando um confrade visitava sua 'roça'
e lhe dava oportunidade de explicar seu trabalho e o combate
aos caramujos vorazes.
De suas plantações colhia material que somava
a produtos encontrados na cozinha e fazia suas sopas à
noite. Sabia que legumes lhe faziam bem e quais não.
Tinha muito carinho para com suas coisas, mas vivia desapegado
de tudo. E, muitas vezes, andava mal vestido. Dobrando todas
as suas roupas, cabiam e sobrava lugar numa sacola de supermercado.
Carregava um certo complexo de inferioridade intelectual e o
expressava de vez em quando por palavras. Mas não era
essa a impressão que as pessoas levavam dele.
Deve ter feito ao menos duas dezenas de cursos. O último,
de telegrafia, não terminou, porque seu professor ficara
doente. Gostava de ler livros e artigos que falassem de seus
problemas. Ultimamente, e até com facilidade, dizia aos
confrades que estava vivendo uma fase de paz interior que se
irradiava a ponto de achar que todas as pessoas eram boas criaturas.
Mas acrescentava sempre: "Não foi assim no passado".
A partir de 20 de maio deste ano começou a não
se sentir bem. Resistiu muito em procurar médico para
um exame mais pormenorizado. Não conseguiu cumprir seus
horários de confissões durante a trezena de Santo
Antônio. No dia 15 de junho completou uma série
de exames médicos em que apareceu com todas as letras
a palavra 'cirrose'. Esse fato o abateu muito, porque perdera
uma de suas duas irmãs, levada por esse mal.
Dias 18 e 19 de junho acompanhou a Fraternidade a Guaratinguetá
e Aparecida. No dia 24 de junho, apresentou-se na fila dos anciãos
e doentes para receber a Unção dos Enfermos. Não
escondia o medo de morrer, mas acrescentava logo: "Me entreguei
na mão de Deus". Disse ao guardião que passara
algumas horas da noite em oração e estava pronto
para o que Deus quisesse.
Teve uma crise muito forte no dia 26 de junho. Insisti em internamento
no hospital. Ele resistia. Mas escreveu numa folha os telefones
das pessoas a serem avisadas em caso de morte e me deu por escrito
o nome das pessoas a quem ele queria deixar algum objeto. Continuou
fazendo exames médicos. Melhorou bem na primeira semana
de julho. Achava ele que superaria a crise. No entanto, não
pôde celebrar na sua capelania nos dias 9, 10 e 11 de
julho. Também não conseguiu celebrar a Missa no
Convento no dia 11. Começava a sentir peso nas pernas
e não conseguia alimentar-se. Aliás, não
mais celebrou. Os confrades lhe levavam a Comunhão no
quarto. Negava-se a se internar.
No dia 13 de julho celebramos os 50 anos de padre de Frei Floriano.
Frei Pasqual não conseguiu concelebrar. Os confrades
que o visitaram se mostraram preocupados. Fazia dois dias que
não se alimentava nem sentia vontade de comer e sofria
de soluços, que não o deixavam dormir. À
tarde aceitou internação, com a condição
que não avisássemos os parentes e os amigos. Ficou
uma semana exata no Hospital da Penitência, onde fez outra
coleção de exames muito pormenorizados. Seu quadro
foi considerado grave.
Os confrades da VOT e os do Santo Antônio o acompanharam
com carinho. Fez duas endoscopias. O soluço renitente
o abateu muito e a dificuldade só foi contornada no dia
26. No dia 27 o médico comunica ao guardião: "Vou
dar alta ao Frei Pasqual amanhã. Ele está superando
a crise, mas a cura só seria possível mediante
um transplante do fígado, mas ele não resistiria
nas condições em que está".
No dia 27 de julho, pelo meio-dia, Frei Pasqual retornou ao
Convento. Alegre, mas pálido e com a barriga volumosa.
Passou a usar cadeira de rodas, porque as pernas lhe pesavam
muito. Dependia em quase tudo do enfermeiro. No dia 4 de agosto,
enquanto Frei Olavo celebrava seus 86 anos, Frei Pasqual piorava
a olhos vistos. A família foi avisada.
Ao meio-dia ele foi re-internado no Hospital da Penitência.
Já entrou em estado de choque e foi levado diretamente
à UTI. Estava inconsciente e não mais recuperou
a consciência. Em coma induzido, entubado, permaneceu
até a morte. No dia 4 à tarde passaram pelo Rio,
vindos do Definitório em Petrópolis, para visitar
Frei Pasqual, o ministro provincial e quatro definidores. Mas
ele já estava na UTI.
Ainda no dia 4, os rins deixaram de funcionar. Aplicaram-lhe
a hemodiálise e retiraram água da barriga. No
dia 5 de agosto, à tardezinha, chegaram uma sobrinha
(Daniela) e um sobrinho (Saulo), filhos da única irmã
viva de Frei Pasqual. Telefonou o irmão dele (Walter).
A mãe de Frei Pasqual (acamada), aos poucos, foi posta
a par da gravidade.
Os dois sobrinhos retornaram ao interior do Rio Grande do Sul
na segunda-feira cedo. Na tarde de segunda, Frei Pasqual sofreu
uma hemorragia no esôfago. As esperanças foram
diminuindo. Frei Pasqual partiu na noite da festa de São
Lourenço.
Na mesma noite seu corpo foi levado ao Convento Santo Antônio
e velado na Igreja. Todas as Missas de horário da quinta-feira
foram celebradas diante do caixão aberto.
A Missa funeral deverá ser celebrada às 15
horas e celebraremos a Missa da festa de Santa Clara. Apesar
de todo o sofrimento, o rosto de Frei Pasqual estava sereno
no meio dos crisântemos brancos que enfeitaram o caixão.
Por Frei Clarêncio Neotti
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