24/07/2002 Frei
Simão Voigt, uma fonte inesgotável
Frei
Simão Voigt, OFM, faleceu em Petrópolis (RJ), na madrugada do
dia 24 de julho de 2002, aos 76 anos de idade, em consequência
de falência múltipla de órgãos, provocada por um tumor no cérebro.
DADOS
PESSOAIS Nascimento:24/01/1926, em Canoinhas, SC. Nome
de batismo: Guido Francisco Voigt. 1939
- 1945: Estudos da formação inicial (ginásio
e colégio) no Seminário Franciscano de Rio Negro, PR. 07/01/1946:
Vestição e admissão ao noviciado franciscano, em Rodeio, SC,
(56 anos de vida religiosa franciscana). 08/01/1947:
Primeira profissão dos votos religiosos, em Rodeio. 1947
- 1948: Estudos de Filosofia, em Curitiba,
PR. 1949
- 1952: Estudos de Teologia, em Petrópolis,
RJ. 08/01/1950:
Profissão dos votos solenes. 25/07/1952:
Ordenação presbiteral - 50 anos de ministério sacerdotal. Até
julho de 1953:Período
de estágio pastoral, em Petrópolis, RJ.
ATIVIDADES
NA EVANGELIZAÇÃO De
agosto de 1953 a 1956:orientador (prefeito) e professor no Seminário Santo
Antônio, em Agudos, SP. 1957:Estudos de oficialização para a graduação em Teologia
na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, na PUC de
São Paulo, SP; e curso de hebraico na Faculdade de Letras da
Universidade de São Paulo-USP. 1958
- 1959: Curso de Teologia - especialização
em Sagrada Escritura, no Pontifício Ateneu Antoniano, Roma. 1960
- 1961: Curso de especialização em teologia
bíblica no Studium Biblicum, em Jerusalém. Novembro/1961
e 1962: Curso de licenciatura no Pontifício Instituto
Bíblico, em Roma - mestrado em Ciências Bíblicas. 13/12/1962:
Defesa da tese doutoral sobre a Epístola aos Romanos, com o
título "Ex fide in fidem: Rm 1,16", no Studium Biblicum de Jerusalém.
02/02/1963:
Retornou ao Brasil. 1963-2002 - Professor de exegese bíblica
no ITF - Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis, RJ.
março
de 1976 a março de 1977: fez um 'ano sabático'
para estudos de atualização bíblica e arqueológica, em Munique
e Jerusalém. Professor
de exegese bíblica, por 39 anos, no Instituto Teológico
Franciscano, em Petrópolis. Durante estes anos exerceu intensa
atividade de pesquisa e assessoria na área bíblica junto à CNBB,
CRB e Editora Vozes. Autor
e tradutor de inúmeras obras de formação exegético-bíblicas.
1977-1980:
colaborou para a elaboração e publicação do grande roteiro bíblico-litúrgico,
"A Mesa da Palavra". 1980-1983:
foi guardião da Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus, em
Petrópolis, casa onde viveu por quase 40 anos. Escreveu
mais de uma centena de recensões de livros de exegese bíblica
e, numerosos artigos científicos na área da exegese neotestamentária
para a Revista Eclesiástica Brasileira-REB e e revistas especializadas
de língua francesa e italiana.
O FRADE
MENOR
Durante os seus quase 40 anos de atividade no ITF, em Petrópolis,
muitas gerações de jovens, franciscanos ou não, foram preparados
para o ministério pastoral, o estudo e a pregação, graças ao
amor à Palavra de Deus que Frei Simão lhes transmitiu.
Entre seus confrades, professores e alunos, a imagem que dele
permaneceu em todos é a do sábio e do mestre, profundo, competente
e apaixonado pelo seu ministério. Movia-se na atividade científica
e intelectual, como um artesão e perito incansável na busca
da verdade mais objetiva e séria.
Em suas pesquisas buscava, com ardor e honestidade, a certeza
absoluta. O que para outros parecia um excesso, para ele era
exigência própria do trabalho. Esta intensidade com a qual se
entregava ao estudo e à pesquisa, não raro, fez com que perdesse
a noção do tempo, 'trocando o dia pela noite'.
Uma simples dúvida bíblica de um aluno ou confrade, numa consulta
simples e despretenciosa no corredor ou refeitório, ganhava
dele uma atenção e tempo extraordinários, o que fazia crescer
em todos a admiração, o respeito e mesmo o desejo de 'beber
mais daquela fonte inesgotável'!
Frei Simão não era mestre e professor limitado à conteúdos e
programas de estudo. 'Perdia-se' no tempo e nos horários, mas
lograva ganhar na abertura dos horizontes de nosso estudo, alargando
as perspectivas, despertando em seus ouvintes aquele seu mesmo
'ocular' fino, sensível e profundo, sem o qual não é possível
desvendar o espírito e a vida ocultos na letra (2Cor 3,6).
Outro aspecto marcante de sua personalidade era o respeito e
a consideração que manifestava pelas posições alheias. Nos estudos
e pesquisas dos alunos e confrades, tentava respeitosamente
entender os argumentos que lhe eram apresentados em provas e
trabalhos, esquadrinhando todos os ângulos possíveis para, de
algum modo, avaliar positivamente.
Frade simples, modesto e despojado, Frei Simão não sucumbiu
ante a pretensão arrogante da inteligência, mas como São Francisco
o desejava, tornou-se 'ministro de espírito e vida' (Test 3,13).
Certamente a vida e a atividade de Frei Simão estão emolduradas
por aquele supremo valor indicado por São Francisco nas suas
Admoestações, quando diz:
"São vivificados pelo espírito das Sagradas Escrituras aqueles
que tratam de penetrar mais a fundo em cada letra que conhecem,
nem atribuem o seu saber ao próprio eu, mas pela palavra e pelo
exemplo o restituem a Deus, seu supremo Senhor, ao qual todo
bem pertence" (Adm 7,4-5).