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. O DESPERTAR DA
VOCAÇÃO RELIGIOSA SACERDOTAL
Por Frei Marcos Pavan, OFM
A vocação religiosa e sacerdotal
é um continuo despertar. Vai desde o
dia que nasci até o dia de minha morte.
Como preparação, ela segue a algumas
etapas que são: o acompanhamento vocacional
na paróquia, o Aspirantado, o Postulantado,
o Noviciado, a Filosofia e a Teologia. Em cada
etapa, uma experiência ímpar em
nossas vidas.
Minha vocação começou
quando nasci, é claro, mas ela teve um
fato que marcou muito para a decisão
final. Ao encenar o Evangelho do filho pródigo
descobri que o Pai estava à minha espera
e ele queria algo mais de mim. A partir deste
momento comecei a me questionar e resolvi conhecer
um pouco mais sobre a vida de São Francisco
de Assis.
Procurei os frades da minha paróquia
e comecei a participar do chamado acompanhamento
vocacional, que consiste em um encontro mensal
durante um ano, onde você é introduzido
dentro do carisma franciscano. É o primeiro
passo para o despertar definitivo. Cumprida
esta etapa, fui para a seguinte, no caso o Aspirantado.
Lá comecei a experiência da vida
em fraternidade e a ter um conhecimento mais
amplo sobre a vida franciscana.
No meu caso foi no Seminário de Santo
Antônio, em Agudos, interior de São
Paulo. Ali vivi por três anos de minha
vida. Foram anos difíceis, mas que valeram
a pena. No primeiro ano, o que marcou foi a
dificuldade de se deixar a casa paterna e estar
num local que praticamente você não
conhece ninguém. Começa-se a vida
praticamente do zero. Com o passar do tempo
descobri que estava construindo uma nova família,
não que substituísse a minha família
genitora, mas que a completasse. É uma
experiência ímpar na vida de cada
um.
Na etapa do Postulantado, encontrei uma realidade
totalmente diferente do que vinha vivendo até
agora. Me deparei, então, com um peso
maior, que é a busca da decisão
firme de ir ao Noviciado. A própria palavra
em latim quer dizer "postulare", isto
é, buscar, viver, descobrir, encontrar
o verdadeiro amor pela sua vocação.
Fiz um belo trabalho de pastoral com a comunidade,
que aliás é o celeiro que guarda
nossa vocação, fazendo com que
ela se mantenha sempre intacta. Sempre sem perder
de vista a vida de Francisco, a sua experiência
na nossa experiência. Não querendo
ser Francisco mas viver do jeito e ao modo dele.
Neste ponto surgiu a etapa que para mim foi
a mais importante de todas as que já
vivi até agora. No inicio da caminhada,
a experiência era a de romper o cordão
umbilical. Mas nada é comparável
aos doze meses de Noviciado, onde pude fazer
a experiência do encontro comigo mesmo.
É tempo de parar e de voltar-se para
o interior e descobrir quem somos, de verdade,
dentro de nós mesmos. Fazer a experiência
de busca de Deus em mim mesmo. Enfim, é
tempo de rever toda a sua vida e descobrir qual
a melhor forma de vivê-la, agora totalmente
voltada para Deus e ao próximo.
No nosso caso, como franciscanos, há
a responsabilidade de assumir a consagração
religiosa. Fazer votos de consagração
total a Deus. Dizer sim à vida de pobreza,
de obediência e de amor voltado a Deus.
Dizer não aos bens em nome próprio,
para ter todos os bens oferecidos pelo Pai.
Abdicar de uma vida conjugal para ter uma grande
família. Abrir mão de ser pai
de um ou dois filhos para ser o pai de toda
a humanidade.
A etapa da Filosofia é mais voltada
para o conhecimento, buscado através
dos estudos. Conhecer não para ser o
maior, mas para melhor estabelecer contato com
os acontecimentos da vida. Estudar não
para ser um intelectual, mas alguém apto
ao saber. Também possui suas próprias
experiências de um jeito diferente, dentro
do próprio meio acadêmico. São
quatro anos mergulhando em livros e mais livros
de teorias filosóficas. E, é claro,
sem esquecer o espírito franciscano.
Enfim, o último período de formação,
a tão esperada Teologia. Período
propriamente dito da formação
do futuro sacerdote, sem excluir as outras etapas,
mas penso que nesta fase é que você
vai entrar mais em contato com aquilo que é
a ferramenta de seu trabalho. O mais importante
é beber da espiritualidade do santo Evangelho
e da Sagrada Escritura, para melhor viver e
melhor compartilhar as experiências com
o povo. Note bem! Compartilhar e não
ensinar, pois ninguém ensina ninguém.
São mais quatro anos de muito estudo
e dedicação.
Para concluir, se formos fazer uma soma geral
teríamos um total de onze anos de muito
empenho e dedicação. Tudo é
feito em nome do reino de Deus. Para ele, não
é possível medir esforços
e sim doar-se de corpo e alma. Tanto tempo porque
o povo de Deus tem o direito de ter pessoas
preparadas para exercer da melhor forma possível
sua função.
Paz e Bem a todos!
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