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       São Paulo, 01/12/2008, 21:05          
 
   

. O DESPERTAR DA VOCAÇÃO RELIGIOSA SACERDOTAL

Por Frei Marcos Pavan, OFM

A vocação religiosa e sacerdotal é um continuo despertar. Vai desde o dia que nasci até o dia de minha morte. Como preparação, ela segue a algumas etapas que são: o acompanhamento vocacional na paróquia, o Aspirantado, o Postulantado, o Noviciado, a Filosofia e a Teologia. Em cada etapa, uma experiência ímpar em nossas vidas.

Minha vocação começou quando nasci, é claro, mas ela teve um fato que marcou muito para a decisão final. Ao encenar o Evangelho do filho pródigo descobri que o Pai estava à minha espera e ele queria algo mais de mim. A partir deste momento comecei a me questionar e resolvi conhecer um pouco mais sobre a vida de São Francisco de Assis.

Procurei os frades da minha paróquia e comecei a participar do chamado acompanhamento vocacional, que consiste em um encontro mensal durante um ano, onde você é introduzido dentro do carisma franciscano. É o primeiro passo para o despertar definitivo. Cumprida esta etapa, fui para a seguinte, no caso o Aspirantado. Lá comecei a experiência da vida em fraternidade e a ter um conhecimento mais amplo sobre a vida franciscana.

No meu caso foi no Seminário de Santo Antônio, em Agudos, interior de São Paulo. Ali vivi por três anos de minha vida. Foram anos difíceis, mas que valeram a pena. No primeiro ano, o que marcou foi a dificuldade de se deixar a casa paterna e estar num local que praticamente você não conhece ninguém. Começa-se a vida praticamente do zero. Com o passar do tempo descobri que estava construindo uma nova família, não que substituísse a minha família genitora, mas que a completasse. É uma experiência ímpar na vida de cada um.

Na etapa do Postulantado, encontrei uma realidade totalmente diferente do que vinha vivendo até agora. Me deparei, então, com um peso maior, que é a busca da decisão firme de ir ao Noviciado. A própria palavra em latim quer dizer "postulare", isto é, buscar, viver, descobrir, encontrar o verdadeiro amor pela sua vocação. Fiz um belo trabalho de pastoral com a comunidade, que aliás é o celeiro que guarda nossa vocação, fazendo com que ela se mantenha sempre intacta. Sempre sem perder de vista a vida de Francisco, a sua experiência na nossa experiência. Não querendo ser Francisco mas viver do jeito e ao modo dele.

Neste ponto surgiu a etapa que para mim foi a mais importante de todas as que já vivi até agora. No inicio da caminhada, a experiência era a de romper o cordão umbilical. Mas nada é comparável aos doze meses de Noviciado, onde pude fazer a experiência do encontro comigo mesmo. É tempo de parar e de voltar-se para o interior e descobrir quem somos, de verdade, dentro de nós mesmos. Fazer a experiência de busca de Deus em mim mesmo. Enfim, é tempo de rever toda a sua vida e descobrir qual a melhor forma de vivê-la, agora totalmente voltada para Deus e ao próximo.

No nosso caso, como franciscanos, há a responsabilidade de assumir a consagração religiosa. Fazer votos de consagração total a Deus. Dizer sim à vida de pobreza, de obediência e de amor voltado a Deus. Dizer não aos bens em nome próprio, para ter todos os bens oferecidos pelo Pai. Abdicar de uma vida conjugal para ter uma grande família. Abrir mão de ser pai de um ou dois filhos para ser o pai de toda a humanidade.

A etapa da Filosofia é mais voltada para o conhecimento, buscado através dos estudos. Conhecer não para ser o maior, mas para melhor estabelecer contato com os acontecimentos da vida. Estudar não para ser um intelectual, mas alguém apto ao saber. Também possui suas próprias experiências de um jeito diferente, dentro do próprio meio acadêmico. São quatro anos mergulhando em livros e mais livros de teorias filosóficas. E, é claro, sem esquecer o espírito franciscano.

Enfim, o último período de formação, a tão esperada Teologia. Período propriamente dito da formação do futuro sacerdote, sem excluir as outras etapas, mas penso que nesta fase é que você vai entrar mais em contato com aquilo que é a ferramenta de seu trabalho. O mais importante é beber da espiritualidade do santo Evangelho e da Sagrada Escritura, para melhor viver e melhor compartilhar as experiências com o povo. Note bem! Compartilhar e não ensinar, pois ninguém ensina ninguém. São mais quatro anos de muito estudo e dedicação.

Para concluir, se formos fazer uma soma geral teríamos um total de onze anos de muito empenho e dedicação. Tudo é feito em nome do reino de Deus. Para ele, não é possível medir esforços e sim doar-se de corpo e alma. Tanto tempo porque o povo de Deus tem o direito de ter pessoas preparadas para exercer da melhor forma possível sua função.

Paz e Bem a todos!