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Em 1263, o Papa Urbano IV determinou que as "Damas Pobres
de São Damião", quer dizer, todas as Irmãs
que - de forma mais ou menos pronunciada - estavam ligadas
a Clara, deveriam ser chamadas de "Clarissas".
Esse nome homogêneo esconde, porém, a história
muito complexa desta Ordem. Francisco tinha legado uma Regra
a Clara, quando ela resolveu segui-lo. Na época, porém,
não foi possível por vários motivos que
Clara assumisse um estilo de vida realmente parecido com o
de Francisco. Por exemplo, era fora de questão para
ela viver uma vida de pregador nômade. De outro lado,
ela deu muita importância à questão da
pobreza.
Pelo menos, Clara conseguiu em 1216 o assumi chamado "privilégio
de pobreza", que ela sempre fez re-aprovar pelos papas
seguintes. A vida das Clarissas assemelhava-se mais ou menos
à vida levada pelos eremitas (cf. RegEr). Inequivocadamente,
o acento estava sobre a dedicação a Deus pela
oração, pelo culto e pela contemplação.
O Cardeal Hugolino, porém, achava a base jurídica
e espiritual desta comunidade de mulheres de São Damião
absolutamente insuficiente. Além disso, constatou que
outras comunidades parecidas estavam surgindo em muitas cidades
italianas.
Então, ele fundou a "Ordem das Damas Pobres de
São Damião", reunindo sob esse título
também outras comunidades femininas que haviam surgido
espontaneamente, sem se referir explicitamente a Francisco
e Clara. O Papa colocou a Ordem sobre um fundamento monástico
no sentido beneditino e escreveu uma nova Regra para ela (1218-1220).
O pensamento central desta Regra é a clausura absoluta.
Mais do que a metade da Regra se ocupa com a questão
da clausura que é fixada nos seus mínimos detalhes.
É para se admirar que Clara - apesar desta Regra tão
pouco franciscana - conseguisse levar uma vida mística
muito profunda. Fica a impressão de que ela seguiu
essa Regra, que lhe foi imposta, somente "pro forma".
Ademais, em 1234, Clara entrou em contato com Santa Inês
de Praga, que estava batalhando para conseguir um fundamento
franciscano para a Segunda Ordem. O Papa Gregório IX,
antigamente Cardeal Hugolino, não quis atendê-la;
chamava a Regra das Irmãs, escrita por Francisco, "um
alimento para crianças de peito", absolutamente
insuficiente para mulheres adultas.
Somente o seguinte Papa Inocêncio IV cedeu um pouco,
ao escrever mais uma nova Regra para Clara. Mas também
este Papa se enganou: como tentasse impor aos conventos a
obrigação de aceitar dotes e propriedades, suscitou
uma resistência resoluta da parte de Clara. Ela começou
a escrever sua própria Regra, assemelhando-a à
Regra dos Frades Menores de 1223, reforçando assim
a unidade espiritual entre a Primeira e a Segunda Ordem. Guardava,
porém, a forma de vida contemplativa, seguindo - neste
ponto - em parte, as prescrições da Regra de
Hugolino e adaptando-as ao espírito franciscano que
é mais livre neste aspecto.
Na parte central de sua Regra, Clara descreve sua própria
experiência espiritual que a conduziu a aliar-se a Francisco
num espírito de fraternidade e pobreza absoluta. Isto
foi absolutamente fora do comum. Constatou-se que Clara frisou
mais do que o próprio Francisco - que é considerado
"o irmão por excelência" - o caráter
democrático da convivência conventual.
Pouco antes de sua morte, a Regra recebeu a aprovação
da Igreja. São poucos, porém, os mosteiros que
receberam autorização de seguir essa Regra.
Foi o Papa Urbano IV quem determinou que todos os membros
da Ordem das "Damas Pobres de São Damião"
usassem - indistintamente - o nome de "Clarissas",
pois na época da morte de Clara já havia aproximadamente
150 comunidades que se declararam seguidoras da Santa.
Por sua vez, o mesmo Papa Urbano IV também fez questão
de escrever mais uma Regra nova para as Clarissas. Essa Regra
urbaniana ignora completamente a espiritualidade de Clara.
Foi bem tarde que chegou a hora certa para a aplicação
da Regra escrita por Clara: hoje em dia, a maioria dos mosteiros
segue a sua Regra.
Falta ainda mencionar que os empenhos de reforma da Primeira
Ordem também tinham conseqüências para as
Clarissas. Em primeiro lugar, é preciso lembrar Santa
Coletta de Corbie (+ 1447). Nos seus esforços para
renovar a Ordem franciscana, teve sucesso até nos conventos
masculinos. O seu movimento continua até hoje entre
as Clarissas.
As duas formas de vida das Ciarissas:
As Damianitas
Elas se baseiam na Regra de Santa Clara (1253). Atualmente,
a maioria dos mosteiros segue essa Regra.
As Urbanitas
Cerca de 80 mosteiros de Clarissas adotaram a Regra de Papa
Urbano IV (1263). Atrás destas denominações
se esconde a realidade de uma unificação apenas
relativa. No fundo, cada mosteiro continua autônomo.
Mosteiros que têm aspectos em comum se juntam em federações
bastante desarticuladas. A importância dos movimentos
de reforma e das "obediências" continua ininterrupta.
Estão até surgindo novas formas de vida, p.ex.,
Clarissas que - além da Regra de Clara - obedecem também
à "Regra para os Eremitérios".
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