III. O Santo do Mês
Bem-aventurado Sebastião de Aparício
Memória litúrgica: 25 de fevereiro
Foram tantas as experiências do bem-aventurado Sebastião que sua vida mais se parece a um romance. Sua trajetória foi caracterizada de modo especial pelas virtudes da castidade e da oração.
Nasceu a 20 de maio de 1502 em La Gudiña, na diocese de Orense (Galícia), de João e Teresa del Prado, pobres, porém piedosos agricultores, em cuja escola cresceu em inocência, embora em ambiente rude e dedicado ao cuidado dos rebanhos. Em tenra idade foi curado miraculosamente de uma enfermidade. Aos 15 anos resolveu partir pela Espanha afora em busca de trabalho, mantendo sempre uma conduta honesta e piedosa. Em Salamanca encontrou trabalho junto a uma piedosa viúva a quem logo abandonou devido a seus assédios, rumando para a região da Estremadura ao serviço de um grande cavaleiro do qual cuidava de cavalos. Esteve depois na Andaluzia como agricultor e viticultor. Nesta região, em Sanlúcar de Barrameda permaneceu muitos anos, melhorando consideravelmente sua condição econômica, sem deixar de ajudar os pobres e doentes nos quais via o rosto de Cristo sofredor. Em 1533, com 31 anos, Sebastião tomou a decisão de deixar seu país e ir para o México, conquistado pela Espanha em 1519-1521 por Fernando Cortês. Fixou-se em Puebla de los Angeles que mal e mal tinha sido fundada. Primeiramente foi carroceiro e domador de bois que, naquele tempo, eram selvagens. Com a introdução do uso da carroça, Frei Sebastião prestou inestimáveis serviços à agricultura e ao comércio.
Em 1552, já passando dos cinqüenta, e cansado dos longas e constantes viagens, Sebastião dirigiu duas prósperas fazendas perto da cidade do México. Embora se tivesse tornado uma pessoa abastada, sempre levou vida casta e mortificada, encontrando suas delícias na oração e na freqüência aos sacramentos, enquanto a fama de sua santidade se espalhava por toda a região a tal ponto que os indígenas o chamavam de “pai comum”. Tendo atingido a idade de 60 anos e depois de ter sido curado de uma doença mortal, quis desposar uma moça pobre, disposta a viver com ele em perfeita virgindade. Logo depois ficou viúvo. O mesmo aconteceu com o casamento com outra jovem que tinha sido educada às suas expensas.
A partir de então, Sebastião compreendeu que deveria se dedicar à busca de maior perfeição e se pôs a serviço de um Mosteiro de Pobres Irmãs de Santa Clara ao qual, em 1573, doou todos os seus bens, desejando se consagrar totalmente a Deus. Embora o demônio tivesse colocado de mil maneiras obstáculos em seu caminho na realização de seu projeto de santidade, pediu e conseguiu, de maneira excepcional, ser admitido ao noviciado do Convento de São Francisco na Cidade do México, fazendo rápidos progressos nos caminhos na virtude e na observância da Regra. Por sua vida exemplarmente ilibada, com 72 anos foi admitido à profissão solene a 13 de junho de 1574, festa de Santo Antônio de Pádua.
Durante um ano foi superior do convento de São Tiago de Tecali onde foi hortelão, cozinheiro, enfermeiro, porteiro e sacristão. Em 1576, passou para o convento de Puebla de Los Angeles onde, permanecendo aí até à morte, foi encarregado de esmolar o que naquele tempo se fazia com uma carroça puxada por bois da qual era considerado o inventor. Percorreu estradas de poeira e de lama, sempre disposto, sem reclamar. Levantando pesos além de suas possibilidades contraiu uma hérnia que muito lhe incomodava. Outras vezes caiu quebrando ora um braço, ora uma costela. Durante o inverno caminhava descalço, vestia um cilício, não comia carne, tinha o hábito da “disciplina”, de modo particular quando caía em alguma imperfeição. Quando exercia o mister de esmoler não aceitava a hospitalidade das pessoas, mas preferia dormir sob uma árvore ou sob a carroça, enrolado em panos pobres.
Os habitantes do campo, edificados com sua vida tão mortificada, tanto mais ainda que Deus lhe havia concedido o dom da profecia e do milagre, consultavam-no em suas dúvidas e se recomendavam à suas orações. Aos que lhe manifestavam estima e veneração, dizia: “Levantem-se porque sou apenas um pouco de lixo da terra. É Deus que me faz querer o bem. Se ele não me sustentasse com a sua graça seria pior do que sou”. Com os confrades e as pessoas do mundo, só sabia falar das coisas de Deus, fazendo-o com tanta unção que as pessoas que o escutavam se comoviam até às lágrimas.
Querendo ir em socorro dos pobres despojou-se das próprias vestes e usou túnica e mantos esfarrapados e remendados, a ponto de ser chamado por alguns de “o vitupério da Ordem”. Devido à sua “rudeza”, muitas vezes foi repreendido com dureza pelo próprio guardião. Sebastião aceitava sem dificuldades todas as humilhações, sabendo que o reino de Deus somente se consegue com muitas tribulações. Mesmo depois dos noventa anos, ainda esmolava e levava uma vida austeríssima.
Quando ficou sabendo que estaria prestes a morrer, Frei Sebastião quis rever amigos e benfeitores recomendando-se às suas orações. Com seu estado de saúde se agravando, não podendo nem mesmo receber o Viático, antes de morrer, quis deitar-se sobre e adorar o Santíssimo Sacramento. Morreu aos 98 anos de idade, a 25 de fevereiro de 1600, com os olhos fixos no Crucifixo.
Muitos acorreram aos seus funerais exclamando: “Vamos, vamos ver o Santo!” A pessoas tiravam pedaços da roupa de Frei Sebastião que queriam como relíquias. O corpo do bem-aventurado conserva-se ainda hoje numa urna de vidro na igreja franciscana de Puebla.
Clemente XIII reconheceu a heroicidade de suas virtudes a 2 de maio de 1768 e Pio VI o beatificou a 27 de março de 1789.
(Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 265-267)
(Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 265-267)