Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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V. Textos e temas vocacionais
BUSCANDO UM SENTIDO PARA VIVER

A existência tem um sentido? Para que viver? O que vamos fazer desse espaço  que vai da tomada de consciência de nossa existência até o termo da viagem?  Ao longo do tempo, a pessoa é basicamente a mesma: criança, adolescente, jovem, adulto, aquele que ingressa no tempo do outono e do inverno da vida.  O mesmo garotinho que se encantava com a festa do Natal, com as manhãs de sol na cidade serrana, com a alegria das vitórias profissionais é aquele que empurra as portas de um tempo que não é tempo e se chama  eternidade. Que sentido foi ele dando aos seus dias? O importante será que, ao longo de todo o tempo do existir, haja um sentido, uma direção e, conseqüentemente, se viva uma vida com sentido.  Ninguém vive por viver. Não se pode simplesmente empurrar a vida. De onde viemos? Para que esse corpo, esses sonhos, esses dias que se sucedem? Qual o destino último depois de todas as coisas?  Há os que se sentem chamados a seguir Cristo. Mas este tema vem depois.

Quando buscamos um sentido de vida  estamos querendo colorir todas as etapas da existência com determinada cor, com uma dinamismo, com um orientação.  Pressentimos que o sentido da vida deverá ser algo que imprima uma direção radical a todo ser de maneira que todas as aspirações da pessoa, todos os seus mais veementes desejos ganhem unidade e possam tornar-se realidade. Deverá ser algo que dê unidade ao fenômeno da consciência. Tudo será iluminado. O sentido incidirá nessas coisas todas: “Eu estudo, eu jogo, eu trabalho, eu sou médico, gosto de informática, tenho saúde, beleza ou feiúra, tenho corpo e mente...”.  É bem provável que o sentido da vida é sair de si, fazer um êxodo do pequeno mundo e ser para... para os outros e para o Outro. Mas para compreender isto, leva tempo!

Falamos em sentido de vida.  Vida: vida  humana. Corpo e mente, vontade de buscar as estrelas e ao mesmo tempo sabendo que somos um ser rasgado, fissurado, quebrado. Quero o bem, como diz São Paulo, não faço o bem. Não quero o mal e é o mal que faço. E dentro de minhas veias um desejo de plenitude. Há a minha vida, a vida dos que convivem mais de perto comigo, a vida do mundo, a vida do planeta, a vida dos rios, das florestas, dos animais. O que existe de mais importante do que a vida? E a vida precisa ser cultivada e preservada.  Quando busco um sentido tenho que pensar nessa vida.  Vida como um processo  que começa antes da concepção e vai até à morte e para além dela.  Nascemos já amados ou rejeitados e depois de viver somos levados às portas do mistério de um amanhã sem fim onde esperamos ser acolhidos na Vida.  Vida que supõe um relacionamento comigo mesmo, com os outros, com o feminino e o masculino, com o trabalho, com o mundo.  Viver é conviver.

Vemos tantas vidas. Não julgamos, mas analisamos. Pessoas há que vegetam, pessoas tatuadas, drogadas, jogadas no mundo. Há muitos em prisões, em hospitais, em asilos. Há outros assaltando, matando, estuprando.  Há vidas materialistas e consumistas, individualistas e hedonistas. As conversas de alguns giram em torno do luxo, do poder, do prazer, do domínio.  Vida que acaba de repente: um desbarrancamento, um avião francês que cai no Oceano Atlântico, um terremoto terrível na paupérrima Haiti.

A vida não é estática, mas dinâmica.  Vivo o momento presente, trago as experiências do passado, mas carrego sonhos nas dobras do coração. Há mudanças físicas, psíquicas. Viver é renovar-se, constantemente procurar  descobrir o que nos é pedido pela vida e por Deus que está atrás da vida.  Vivemos da memória e apontamos para o futuro.

O ser humano é uma fonte de desejos. Trata-se de um ser de anseios. Que grandes desejos cada um tem? Os que querem ser franciscanos nas diferentes Ordens o que têm  aninhado em seu coração?  Os que querem seguir a Cristo serão pessoas carregadas de desejos iluminados pela fé, hierarquizados, controlados.  Sim, os que pedem para serem acompanhados vocacionalmente  precisam ser pessoas de desejo.

Coisas, pessoas, instituições integram o emaranhado da totalidade do mundo. Mas tudo tende para o ser humano, as instituições ser orientam para a pessoa. O sentido da vida é  tornar-se pessoa: crescer em autoconsciência, crescer na iniciativa-trabalho, crescer em liberdade, crescer no amor, crescer na dimensão da sexualidade, crescer no discernimento, crescer em capacidade de gratuidade, crescer em abertura à transcendência, enfim, estar num franco processo de amadurecimento.

O ser humano existe para conviver. Existe para fazer a experiência da saída de si e procurar entabolar com outros, relacionamentos cada vez mais humanizantes. Eu mesmo e os outros não somos coisas. Somos carne e espírito. Temos uma inteligência a ser cultivada, uma vontade a ser trabalhada e um afeto a ser administrado.  O sentido da vida é a pessoa.

Pode-se dizer que o sentido da vida é precisamente o amor. Um rapaz  e uma moça, um  homem e uma mulher  vão vivendo e vão compreendendo que seus braços, seu espírito, seu tempo existem para os outros, para que o mundo seja mais fraterno, mais feito de pessoas que encontram pessoas, pessoas que buscam dar-se  e criar laços  Há os laços dos amigos de verdade. Há os liames entre homem e mulher, entre pais e filhos. Há os que estão jogados á beira da estrada. Há os leprosos cujas chagas precisam ser lavadas e tratadas, há as ovelhas sem pastor, há Aquele que se aproxima e quer a inteireza de nosso coração.

A pessoa só é profundamente feliz quando vive em função de sua vocação (humana e cristã).

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