V. Textos e temas vocacionais
VOCAÇÕES E
MATURIDADE HUMANA
No trabalho de discernimento vocacional há a convergência de muitos elementos: a vida da pessoa, seu contacto com Cristo pessoalmente e na Igreja, sua maturidade humana e crista. Os jovens que se apresentam para o discernimento vocacional precisarão exprimentar uma certa maturidade humana e cristã para começarem a formação inicial em nossa Ordem. Queremos agora, apoiados em Documentos da Ordem, elencar alguns critérios de maturidade humana:
● Antes de mais nada, os candidatos deverão ter uma razoável saúde psico-física. Os que ingressam na vida religiosa, em geral, têm um programa alentado a ser realizado que seria seriamente dificultado com a carência de uma razoável saúde.
● “A maturidade afetiva deve ser analisada como capacidade equilibrada e progressiva de relacionamento com os outros, com Deus, no sentido de 1) Reconciliação com a própria história; 2) Aceitação do outro na sua diversidade; 3) Reconhecimento de Deus na sua Transcendência.
● Reconciliação com a própria história: ter a capacidade de assimilar o negativo da vida ocorrido (famílias desestruturadas, falta de conhecimento das coisas de Deus desde a infância, atos cometidos que deixaram marcas doloridas, etc... Esta reconciliação comporta a certeza do perdão de Deus e a convicção de que, ajudados pelos confrades, o candidato poderá superar dificuldades. Atenção toda especial deverá ser prestada à questão da vida afetivo-sexual daqueles que batem à nossa porta.
● Os que chegam trazem sua história marcada por luzes e sombras. Será preciso olhar para ela com lucidez, não se culpabilizar neuroticamente, nem se aceitar complacentemente. Será sinal de maturidade acolher sua própria historia com postura de confiança na misericórdia de Deus que se prova também pela escolha de um caminho de conversão.
● Os que batem à nossa porta começarão a aprender a conviver com a diferença e com a diversidade: raças, pessoas provenientes de diferentes ambientes, uns com mais estudos, outros com menos, caracteres diferentes. Uma lição importante será sempre a de aprender a não julgar. Nesse contexto seria bom refletir sobre estes pensamentos de Dietrich Bonhoeffer falando dos fortes e fracos na fé: “Que o fraco não se ponha à parte julgando o forte, nem o forte despreze o fraco. Que o fraco se guarde do orgulho e o forte da indiferença. Que ninguém procure seu próprio direito. Que o fraco se proíba de aplaudir em seu coração a queda do forte, e que o forte saiba ajudar o fraco a se levantar quando ele cai. Tanto um quanto outro precisa de paciência”.
● Esses que chegam devem ser capazes de reconhecer a Deus em sua transcendência. Ou seja, já precisam ter começado a ter um relacionamento pessoal com esse Deus que está acima de nossos projetos e que nos chama e convoca a irmos além daquilo que vemos e sentimos. Um Deus que se manifesta na sarça ardente, no vento suave, no todo Outro que colocou em nossos corações esse desejo de ir além... na busca da Transcendência desse Altíssimo.
● Importante que os vocacionados sejam capazes de fazer a narração de sua vida, de sua história pessoal de maneira unitária e positiva, reconhecendo seus limites e, ao mesmo tempo, integrando os sofrimentos e feridas da vida. Importante também que possam eventualmente perceber as chamadas e presenças do Senhor em sua caminhada. Os encontros vocacionais deverão comportar momentos de silêncio e de interiorização que permitam a uns e outros detectar essa luminosa presença em sua vida.
● Na medida do possível os candidatos serão pessoas autônomas, quer dizer, capazes de tomar decisões e levá-las a cabo, não se deixando influenciar demais por elementos exteriores, mesmo familiares e sobretudo do meio ambiente. Também modismos religiosos.
● Quando alguém ingressa em nosso gênero de vida deverá entregar-se ao Senhor através da profissão religiosa, primeiro simples e temporária, depois definitiva e solene.
● Das Orientações para a Pastoral Vocacional, Documento da Ordem de 2002 transcrevemos alguns requisitos para analisar a área afetivo sexual:
- Sentir-se amado.
- Sentir a necessidade de amar mediante relações positivas de amizade e colaboração.
- Capacidade de viver um progressivo domínio de si, transcendendo todo egocentrismo, não sendo escravo das coisas materiais, aprendendo a viver com os outros.
- Postura tranqüila quanto à sexualidade, mesmo vivendo desafios, e sabendo que o voto de castidade exigirá uma continua vigilância.
- Vontade de desenvolver-se física, intelectual, moral e espiritualmente.
- Abertura aos necessitados.
- Pessoa capaz de gestos generosos e de partilha.
● Refletindo sobre as causas de uma certa fragilidade vocacional nos primeiros anos de vida religiosa, o Ministro Geral Frei José R. Carballo aponta algumas de suas causas: a falta de maturidade humana, com áreas descobertas como a identidade, a afetividade, a sexualidade; a falta de motivações de fé, que depois se manifesta na fraqueza da fé, de oração, de vida interior (cf. Com Lucidez e Audácia, n. 108). |