Tomé é tido como o apóstolo incrédulo. Os seus companheiros haviam feito uma experiência toda especial da vida nova do ressuscitado, do Amado Mestre que havia sido suspenso no alto da cruz, e que entrara no lugar onde estavam, com as portas fechadas, no primeiro dia da semana. Tomé, naquele momento não estava presente. Não pudera fazer a experiência da presença do Cristo ressuscitado.
Podemos bem imaginar a decepção desse grupinho. Os caminheiros de Emaús não esconderam seu dissabor...Não tinham estes mais esperança e só lhes restava voltar para sua aldeia de origem e ponto final. Tomé ou Dídimo fica sabendo que os seus companheiros haviam tido uma experiência... mas que ele queria que fosse para ele bem palpável. Queria colocar suas mãos nas chagas do Mestre e só vendo e apalpando haveria de crer. Aqueles apóstolos, numa situação de medo, haviam tido a alegria de ver o Senhor. Na verdade ele o viram na fé e por meio de uma graça toda especial concedida aos que haveriam de ser testemunhas da vida nova daquele Mestre que havia morrido pobremente na véspera da grande festa. Eles haviam tido um conhecimento “espiritual” da fé.
Jesus se apresenta aos seus, naquele primeiro momento, com um presente e uma mensagem que sempre toca as fibras mais íntimas de nossa vida: A paz esteja convosco. A paz nasceria no fundo dos homens agraciados com o perdão de Deus. O Ressuscitado dava aos seus apóstolos o perdoar os pecados. A paz é fruto da misericórdia do perdão. |
E o Senhor Jesus “aparece”, então, finalmente, a Tomé. Mostra as chagas do pés, das mãos e do lado. Temos sempre em nossos ouvidos o eco das palavras do apóstolo: “Meu Senhor e meu Deus!” Elas brotam de nossos lábios quando entramos na intimidade do Senhor e quando o contemplamos, de modo especial, no mistério do pão e do vinho.
Ah, esse lado aberto de Cristo... essas chagas dos pés e das mãos são rubis preciosos que levam Tomé da incredulidade á fé. Tomé não busca o caminho em nenhum sinal de poder, mas simplesmente nas chagas: o agulheiro das mãos, do lado aberto, imagens embriagadoras do amor de Deus. Com Tomé, segundo um autor, começa a história dos enamorados pelo amor de Deus, como Francisco de Assis, Catarina de Sena e tantos outros mais próximos de nós.
Gregório Magno, falando da incredulidade de Tomé, escreve belamente: “Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas de nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Desde modo, o discípulo que duvidou a apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição” ( Liturgia das Horas III, p.1405).
Belíssima a antífona ao Magnificat: “Coloquei os meus dedos na fenda dos cravos, colocou minhas mãos em seu lado aberto e exclamei: Meu Senhor e meu Deus”.
Primeira leitura: Ef 2, 19-22 |