Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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4 de fevereiro de 2010

DE SANDÁLIAS, SEM DUAS TÚNICAS
Marcos 6,7-13

Jesus envia seus discípulos em missão. Exorta-os a adotarem um estilo de vida simples e pobre: não devem levar provisões,  procurarão vestir-se simplesmente e contar com a providência de Deus.  R. Corti, autor italiano, vai nos ajudar a refletir sobre o tema.

Jesus propõe a seus discípulos que partem em missão um estilo simples de vida que os afeta enquanto pessoas.  Pede-lhes que vivam o compromisso missionário com sobriedade de vida, com estilo de pobreza na questão dos alimentos, no modo de vestir e nas necessidades cotidianas e ainda nos relacionamentos interpessoais. 

O sentido profundo na limitação ao essencial está no fato  de que o Reino de Deus é tão grande, tão importante e suficiente que faz passar a segundo plano “o resto”. 

A proposta do Senhor a seus discípulos, quando forem pelo mundo”, é a de viver num estilo de gratuidade, de disponibilidade, de prontidão para tudo. 

O motivo principal desta atitude reside, uma vez mais, no fato de que o Reino de Deus que anunciamos, consiste precisamente no amor gratuito, sem reservas, sem condições como Deus se põe à disposição do homem.  Assim, a proposta feita por Jesus não será entendida, em primeiro lugar, como orientação na linha da ascese.

Trata-se de uma proposta mística, no sentido de que o estilo de vida de converte em linguagem através do qual se expressa propriamente a natureza do que comunicamos, o Reino que vale mais do que qualquer outra coisa e que é dom da misericórdia. Que significa para o apóstolo ser pobre, converter-se em pobre?  Como resposta a esta pergunta  tomamos não somente a relação pobreza-coisas, mas também a relação entre a pobreza  e  a própria pessoa.  Quer dizer:  uma vez que o Reino de Deus é o próprio Deus que se coloca à disposição do homem e deseja comunicar-se com ele o anúncio do Reino passa, como é devido, somente quando seu anunciador se coloca  totalmente à disposição do homem. Não há escapatória. Assim é a lógica evangélica. A disponibilidade total e generosa com respeito às pessoas se transforma para nós no modo de anunciar o próprio Reino, porque é o que está na mente e no coração de Deus” ( R. Corti, Guai a me se non evangelizzo, Milão, 1984, p. 63ss).

E o trabalho será feito com simplicidade. Os anunciadores permanecerão um tempo numa determinada casa, sem pular de casa em casa. Ficarão felizes quando as pessoas os acolherem. Do contrário sacudirão a poeira dos pés e procurarão outros auditórios....

Felizes os evangelizadores, mensageiros da paz, de sandálias e com apenas duas túnicas...
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