Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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8 de fevereiro de 2010

ELES QUERIAM TOCAR JESUS
Marcos 6,53-56

Os evangelistas insistem em descrever a frenética atividade de Jesus. Quando começou sua vida pública era assediado de todos os lados, sobretudo procurado por doentes.  Os que padeciam de enfermidades queriam, ao menos,   tocar na barra de suas vestes.  Pensavam que assim poderiam ficar curados de seus males e mazelas. Compreende-se. Jesus procura atendê-los. Ele, no entanto, não tinha  vindo para ser um curandeiro, um  milagreiro, um fazedor de maravilhas.  A cura que lhe importava era  a do coração.

“Jesus condescende e realiza muitas curas, mas não fala.  Persiste, no entanto, um equívoco sobre a Boa Nova que ele era enviado a anunciar, sobre a salvação e sua própria identidade. As multidões procuram o pão, procuram a cura e esquecem da conversão do coração, da adesão à pessoa de Cristo, do perdão dos pecados” ( Missal Cotidiano da Paulus, p.740).

Três elementos importantes aí estão. Os que se aproximam de Cristo são aqueles que, por graça do próprio Deus, querem entrar num processo de renovação interior que se chama conversão.  Hoje nos aproximamos do Senhor ressuscitado pedindo que ilumine nossa vida e nos encaminhe para a conversão. Esta nos coloca no caminho do discipulado. O discípulo se converte e dá à sua vida uma direção nova. Convertido,  ou em  estado de conversão, aquele que é ferido pelo amor de Cristo, não pode mais abandoná-lo.

Converte-se aquele que esquece o passado  e olha para frente organizando sua  vida a partir da luz de Cristo. Os que são feridos pelo amor de Cristo e entram no processo de conversão querem aderir à pessoa do Mestre: deixar-se moldar pelo evangelho, pelo sermão da montanha, ter as batidas do coração em consonância com as batidas do coração do Mestre. Enfim, conformar-se a Cristo. Por isso, tocam a fímbria de suas vestes.

Os que nos aproximamos de Cristo  queremos que ele nos cure de nossos pecados, desses movimentos estranhos de nosso interior, dessa loucura de busca do imediato, do que dá prazer, do que busca satisfação ao ego. Os que vamos avançando em idade temos urgência de receber esse perdão para arrumar nosso interior e viver a alegria da harmonia e da paz.

E o Missal da Paulus continua: “Quanta gente ainda hoje,  espera que Jesus desembarque: que traga a salvação exterior, fácil, obtida simplesmente tocando-lhe as vestes, recitando uma oração, cumprindo uma prática externa, ou talvez entrando numa associação ou ordem religiosa.  A salvação, ao contrário, é profunda, interior e radical: cura as profundezas do coração. As outras curas são apenas sinais: da vontade de  Cristo de doar-nos a verdadeira salvação, a salvação total. Jesus quer colocar seu poder sobretudo a serviço da conversão do coração”.
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