Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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9 de fevereiro de 2010

BUSCANDO A TRANSPARÊNCIA
Marcos 7, 1-13

Existe dentro do coração das pessoas retas uma premente necessidade de buscar a coerência  e a transparência.  Extremamente agradável conviver com pessoas que são o que são, que mostram exteriormente o que vivem  interiormente. 

Discípulo de Jesus reto é bênção para a Igreja e para o mundo. É evangelho vivo. Pode acontecer que com o desgaste da rotina de preceitos e rezas, a falta de aprofundamento da fé, e a repetição de pecados as pessoas se tornem  “religiosas” de fachada e esqueçam ou não saibam ou não queiram buscar esta coerência entre o coração e a prática. 

Jesus, segundo os evangelistas, teve muita dificuldade em conviver com pessoas que se diziam religiosas, jejuavam, observavam as minúcias das prescrições da lei, mas se haviam esclerosado e esqueceram o essencial: amar de todo o coração. 

Os interlocutores do Mestre estão muito preocupados com a questão da lavação das mãos na volta do mercado, com o modo correto de lavar os copos... e estas coisas todas. A impressão que dão é que o bem vem do exterior, da matéria. 

Jesus se revolta com esta religião das exterioridades. É no fundo coração, dirá ele, que está a fonte do bem e do mal. Um dos sinais de maturidade cristã é o casamento que precisa ser selado  entre fé e vida.

Os cristãos que agem na política, que se assentam nas assembléias e freqüentam missas não podem ser corruptos. Não adianta  apenas rezar e  pagar promessas a Santo Antônio.  Os agentes de pastoral familiar que participam de encontros de casados e noivos precisarão, em casa, serem justos, amigos, devotados aos filhos e aos outros familiares.  Ninguém tem o direito de se mostrar como exemplo de vida de fé quando, na realidade, vive incoerências gritantes. E muitos desses, no tempo de Jesus, vieram a criticar uma  maneira mais livre de Jesus de viver a lei.

No texto de hoje Jesus lembra ainda a questão da oração, evocando o profeta Isaías.  Este censurava aqueles que honravam o Senhor com os lábios,  mas cujo coração estava bem distante.  Daí a importância de sempre questionarmos o modo como rezamos. Pedimos isto e não fazemos por onde. Louvamos a Deus e o nosso coração queima incenso aos ídolos. Satisfazemo-nos com uma oração dos lábios e esquecemos de visitar o interior e fazer com que nossos gritos partam da profunda indigência de nosso ser.

Não podemos nos instalar numa religião de práticas pequenas e estéreis. A grandeza da fé cristã  consiste em ouvir e praticar  a vontade de Deus que ecoa no santuário da consciência de cada.  São profundamente encantadoras  as pessoas coerentes e transparentes.
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