Os mais antigos se recordam do tempo em que a catequese insistia nos mandamentos da Lei de Deus. Uma mãe dizia ao filho: “Meu Deus, os tempos mudaram. Você vai fazer a primeira comunhão e ainda não sabe de cor os mandamentos!” Havia, primeiramente a idéia, que a doutrina tinha que ser aprendida de cor. Em segundo lugar se privilegiava os mandamentos, talvez em detrimento da mentalidade arejadas e generosa do Sermão da Montanha. Evidentemente que os mandamentos são importantes e que aquele que compreendeu em profundidade o espírito do Decálogo está muito próximo do Reino. Em nossos dias, no entanto, há esforço maior na linha de fazer com que as pessoas compreendam a força, o dinamismo, a pujança do espírito do Sermão das Bem-avanturanças.
O mundo novo de Jesus é, de fato, constituído por pessoas que têm a mais plena convicção de estarem nas mãos de Deus. São pobres. Não lembram títulos, ações feitas, gestos de cumprimento da lei realizados. Fazem o que têm que fazer em alarde. São pobres, dependentes. Se atuam na pastoral, sabem que o outro é mais importante que eles. Na vida de família não sem levantam em doutores, mas criam laços de simplicidade. Não contam com suas parcas e magras forças. Estão sempre diante de Deus como gente que tem a mão estendida...pedindo.
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São cidadãos do mundo novo de Jesus os que tem fome de pão, de pão de verdade, essas mães com os filhos descarnados, esse gente que remexe as latas de lixo. Mas também aqueles que não se satisfazem com um religião de obrigações feitas, mas desejosos de ser mais do Senhor, de descobrir aspectos novos da insondável e profunda beleza de Deus. Nunca estão satisfeitos com preces proferidas e ritos colocados. Em suas gargantas há fome e sede de Deus.
São homens novos do Reino aqueles que choram por não serem santos, choram porque chegam ao ponto de desesperar-se não podendo contar com ninguém que lhes enxugue as lágrimas. Esses todos haverão de rir.
Os que ingressam no mundo novo de Jesus sabem que precisam ser coerentes. Dirão aquilo que pensam. Tentarão agir em conformidade. Nem sempre serão apreciados. Poderão mesmo contar com a perseguição. Na alegria da coerência chegam a abraçar cruzes sem desespero, até com certo júbilo porque se assemelham ao Mestre que foi perseguido e morto por causa da “justiça”.
Os ricos e satisfeitos já têm sua consolação. Os fartos não precisam de nada. Os que agora riem talvez venham a verter lágrimas. Os que são elogiados sem razão, experimentarão tristeza. |