Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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18 de fevereiro de 2010

UM SEGUIMENTO EXIGENTE
Lucas 9, 22-25

Nos últimos tempos a Igreja nos tem alertado para a necessidade de sermos discípulos do Senhor. Não basta apenas uma religião de práticas piedosas, mas precisamos experimentar a alegria de sermos os felizes seguidores do Cristo. “A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor  despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão a toda a sua pessoa ao saber que Cristo o chama pelo nome” (Documento de Aparecida, n.136).

Jesus, na leitura do evangelho de Lucas nesta quinta-feira das cinzas, coloca diante de nossos olhos algumas exigências do Mestre para seu seguimento. Ele é um mestre exigente.

Os que querem seguir a Cristo precisam renunciar a si mesmos. Que quer dizer isso? Certamente não se trata de aniquilarmo-nos. Cada um é cada um, tem seus talentos, seus projetos lícitos e belos. Mas o Mestre pode precisar de nós numa situação que não pensávamos poder estar. Acontece que nossos projetos sejam “embaralhados” por projetos que o Senhor tem a nosso respeito. Ficamos felizes em deixar nossas idéias e nossos planinhos. Renunciamos, talvez com certa dor, mas na certeza de que essa renúncia nos aproxima mais de Jesus. Não se pode chegar a Cristo sem morrer a si mesmo.

Aos poucos, de tanto conviver com o Evangelho e de viver experiências na vida, vamos compreendendo a cruz se desenha em nosso horizonte. Dela não podemos fugir. O discípulo trairia o Mestre se não a abraçasse. Elas são muito variadas, essas cruzes todas: a perda inesperada de um ente querido, um assalto, uma calúnia, o ser deixado de lado, a incompreensão, uma doença. Os discípulos de Jesus não vivem uma atmosfera de religião hilária, mas  sabem que precisam contemplar o mestre amado que acolhe a cruz e que torna as nossas mais leves.

Os que tudo querem: dinheiro, sucesso, prestígio, satisfação de todos os seus mais secretos desejos, e tudo agora, já imediatamente perdem a vida. Quem quiser ser discípulo de Jesus  perde seus lucros imediatos e suas pequenas satisfações. Quem perde a vida por causa da força do Evangelho e da paixão por Jesus, salvá-la-á.

Pode ser que querendo construir-nos, venhamos a nos destruir. No início do tempo da quaresma os cristãos são chamados a renovar sua opção por Cristo.  Jesus perde a vida para poder dá-la aos outros.

Até que ponto podemos dizer que somos discípulos daquele que renunciou à condição de ser igual a Deus, tornou-se homem e abraçou a cruz que lhe foi mostrada?
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