Nos primeiros dias do ano novo, e depois do natal, temos diante de nossos olhos a figura de João Batista que nos acompanhou no tempo das preparações que é o advento. Embaixadas chegam para investigar a respeito da identidade desse filho da velhice de Isabel e de Zacarias. A pergunta é esta: “Quem és tu?”
“Eu não sou o Messias, não sou Elias, não sou o profeta que viria depois de Moisés. Posso ter algumas semelhanças, mas o Messias está por aí. Procurei me afastar do burburinho das coisas e viver no deserto. Empenhei em encher-me de toda força e energia para empreender um trabalho de precursor, de anunciador. Procuro desdobrar uma passarela do deserto à cidade e, correndo, anuncio aquele que vem. Eu não sou o Messias”.
Há qualquer coisa de diferente no ar. João procura preparar caminhos. Sua vida não é recolher louros pessoais, mas facilitar o caminhar daquele que vem. Prega uma purificação na água, um batismo de penitência. Não existe melhor preparação das pessoas para o encontro com Cristo senão aquela que começa no coração contrito, arrependido, desejoso de plenitude. A vinda do Messias é facilitada por esse clima de mudança de coração. O homem do deserto que era João vai se tornando o Batista das margens do Jordão.
Os cristãos, os verdadeiros discípulos do Mestre que fascina, têm a mesma missão de João: anunciar aquele que plenifica. |
No trabalho profissional, nas atividades pastorais, no exemplo familiar estão sempre abrindo caminhos para que as pessoas tenham vontade de seguir o Messias.Por mais escondidas que possam ser certas vidas elas podem ser instrumentos de Cristo. A Igreja, a vida religiosa consagrada, os investidos do ministério sacerdotal, todo o povo cristão é chamado a clamar no deserto, a serem precursores de Cristo.
O relato do evangelista João sobre o Batista fala de um homem que tem consciência plena de sua verdade e não quer que as pessoas se fixem nele: “Eu batizo com água, mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar as correias de suas sandálias”.
Num discurso de 1965 Paulo VI tentava responder à pergunta: “Quem é Jesus Cristo?” “Nós que temos este grande e dulcíssimo nome para repeti-lo para nós mesmos, nós que somos fiéis, que cremos em Cristo, sabemos quem ele é? Poderemos dizê-lo numa palavra direta e exata? Será que podemos chamá-lo verdadeiramente pelo seu nome, invocá-lo como luz da alma? Podemos dizer, de verdade: Tu és o Salvador? Temos plena consciência de que ele nos é necessário e que não podemos ficar sem ele? Ele é nosso tesouro, nossa alegria, felicidade promessa e esperança, caminho, verdade e vida...” |