Eles vieram de longe, esses que designamos de Magos. Não se trata agora de contemplar o cortejo dos pastores pobres que, avisados pelo anjo, se dirigiram ao presépio de um frágil menino. Esses misteriosos personagens vieram de longe, de muito longe. Vieram trazidos no dorso de camelos. Fazem parte da imensa multidão de peregrinos do Altíssimo. Ensoparam suas roupas com o suor dos corpos e carregam perguntas e questionamentos em suas gargantas e nos meandros e voltas do seu coração.
Fazem perguntas. Indagam as autoridades. Mas sentem-se orientados por uma estrela. Estrela luminosa da fé? “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Os Magos fazem parte desse grupo de questionadores, de pessoas que não estão satisfeitas com a vida levada de qualquer jeito, daqueles que mesmo tendo sido batizados recém-nascidos andam questionando a mesmice de seus gestos e de suas preces.
“Na cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo, não se chocam com os panos, não se escandalizam com o menino amamentado: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus” (São Bernardo de Claraval). Os peregrinos cheios de suor fazem perguntas às Escrituras, aos grande do lugar. Os buscadores de Deus são pessoas abertas a tudo e não querem apenas seguir pistas tênues demais. Os Magos são guiados por uma estrela, luz da fé, luz que vem de uma iluminação do Alto. No fundo, para procurar a Deus será preciso a graça de uma graça que vem de Deus. |
Ele coloca o desejo dele no coração do homem. Bendita essa luz.
“Hoje os Magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os Magos vêem claramente envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam obscuramente nos astros. Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes: incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos Magos deu início a fé de todos os pagãos” (Pedro Crisólogo).
Epifania, manifestação de Deus... Festa da missão. O Menino do Presépio é o Messias universal. A Igreja, esposa de Cristo, tem o dever de torná-lo conhecido de todos os homens. Hoje é festa da missão.
“Eis um dia luminoso, em que Cristo apareceu, que os profetas anunciaram e que os anjos adoraram. Ao ver sua estrela, os Magos se alegraram, oferecendo seus dons” ( Da Liturgia da Epifania)
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