Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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05 de janeiro de 2010

O MILAGRE DA PARTILHA
Marcos 6, 34-44

Jesus tem pena da multidão.  Ele se vê cercado de tantos estropiados: cegos, famintos, coxos, surdos, uma multidão de pobres. E  muitos desses andavam atrás dele, mesmo no deserto, mesmo nas regiões mais inóspitas. Procuravam a cura. O Mestre levanta os olhos e o evangelista faz a seguinte observação:  “Jesus viu  uma numerosa multidão e teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”.

Ovelhas sem pastor, pessoas sem ninguém para orientá-las  de verdade na busca da água, do alimento, pessoas desprotegidas, entregues à própria sorte, cambaleantes, sem nada.  Jesus tem compaixão dessa gente toda. E começa a ensinar. Ensina como quem tem sabedoria e não como os mestres que gostam de ouvir o que estão dizendo. Ensina tentando atingir o nó mais íntimo das pessoas.

Aí estão esses todos em nossos tempos: meninos que crescem em famílias esfaceladas, que nunca ouvirem de verdade falar da esperança que se chama Jesus. Aí estão estes todos preocupados com o consumo, com o dinheiro, com o aproveitar a vida, com seus audiofones, mascando chicletes.. sem terem um pastor. Ovelhas sem pastor.  Essas meninas e esses meninos das periferias candidatos à prostituição, ao comércio dos corpos e ao tráfico. Esses todos são ovelhas sem pastor. 

Esses casados que empurram a vida para frente sem entusiasmo, sem compreenderem o sentido do matrimônio, sem se amarem como Cristo amou a Igreja. Ovelhas sem pastor. Esses tantos que se preparam para o batismo num cursinho de um dia... sem convicção, sem pertencerem a Cristo e a uma comunidade de fé.  Todos esses ovelhas sem pastor. Quem vai cuidar deles?

Os que estavam no deserto atrás de Jesus precisavam comer.  Conhecemos a lição do evangelho.  Com o pouco que se tem se pode fazer o muito. Cinco pães e dois peixes não são suficientes para nada. O pouco que se tinha foi colocado junto e o olhar do Mestre atinge os céus e o pão e o peixe são largamente suficientes para todos. E ainda sobraram  doze cestos de pães e de peixes. Pais e mães de família precisam partilhar a vida, ensinar, estar perto dos filhos, fazer-lhes o dom do tempo. Não se pode reclamar dos casamentos quando os bons não se dedicam a uma nova pastoral. Quando não há partilha do pouco que se tem. É evidente que a lição da conhecida multiplicação dos pães.

“Jesus continua a ser “pão vivo” para a vida do mundo; a nos compete empenharmo-nos para que seja dado a todos, no dom material (alimento para o corpo)  e no espiritual (Eucaristia).  Em muitos casos o caminho do evangelizador parte da humanização e da libertação do pobres” (Missal Cotidiano da Paulus, p. 149).

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