Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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06 de janeiro de 2010

AQUELE QUE NOS ESTENDE A MÃO
Marcos 6,45-5

Viver é sempre um desafio. São poucos os que vivem em plenitude. Viver cristãmente poderia até ser mais  simples, mas por vezes é mais complicado. Somos mais complicadores do que simplificadores. Conhecemos desânimo, incompreensões, cansaço, insucessos, como os apóstolos que se meteram a remar com dificuldade  porque o vento lhes era contrário.  Há ventos adversos em nossos projetos de vida.

A multiplicação dos pães deve ter sido um fato extremamente impressionante. Na sua simplicidade, o evangelista Marcos afirma que, após o evento, Jesus obrigou os discípulos a irem adiante,  enquanto ele ia despedindo a multidão. A tradução emprega obrigou. Talvez essa gente toda quisesse mais milagres e os apóstolos poderiam pensar que o Messias viera para fazer coisas mirabolantes. Ou será que as pessoas ficaram para agradecer? 

‘Quando as coisas serenaram  Jesus “subiu ao monte para rezar”.  Sim, depois de tanta agitação compreende-se que  ele  tenha experimentado necessidade de estar a sós com o Pai. Não dá para viver no frenesi da agitação o tempo tudo. Estressa, cansa, esvazia a pessoa por dentro.

Diz Marcos que, pelas 3 horas da madrugada, “Jesus foi ter com eles andando pela água”. Nesse momento a página de Marcos ganha dramaticidade.  Jesus parecia um fantasma, os apóstolos começam a gritar, ficam assustados, experimentam medo. Parecem perdidos. 

Como perdidos estão os pais quando os filhos estão nas drogas, perdidos os agentes de pastoral quando não conseguem atingir o coração dos fiéis, perdidos os casais que não sabem mais construir a conjugalidade, perdidos os cristãos que não conseguem chegar à santidade.

A parte central do texto é mensagem de esperança: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo”.  Jesus sobe na barca. Tudo se acalma. O vento cessa e chega a bonança.

Pela fé, no coração de todos os desafios existenciais, o cristão sabe que Cristo se faz presente.  A barca da vida não soçobra. Os projetos que empreendemos vão ter sucesso porque Jesus está por perto.

Marcos termina o texto com duas observações.  Insiste que os discípulos experimentam um novo espanto. Não bastou a questão  da multiplicação dos pães. Agora Jesus anda sobre as águas. E a outra observação que parece vincular medo, espanto com a falta de fé.  “O coração deles estava endurecido”. Estamos diante do grave tema do endurecimento do coração. Na medida em que, numa postura de simplicidade humilde, o fiel faz atos de fé, à maneira de Abraão, à maneira dos cegos e paralíticos miraculados, o coração não se torna pedra. O orgulho e a auto-suficiência jactanciosa impedem que a graça penetre.

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