Jesus continua a formação de seus discípulos. Este é o conteúdo da página de Mateus lida hoje na liturgia: os que quiserem seguir a Jesus deixam-se impregnar de seu espírito. Aqueles, simples pescadores, passaram a conviver com este Mestre andarilho. A formação se fazia ao longo da vida. As orientações que o Mestre dava incidiam no cotidiano. Muitas vezes eram exigências que se mostravam extremamente radicais. Jesus não é o Mestre das meias medidas. Na realidade, não podia ser de outro modo. Um Mestre do talante de Jesus só podia exigir muito para levar seus discípulos a uma plenitude existencial sem par. Ninguém tem o direito de “adocicar” as exigências de Jesus. Pais e educadores sabem que precisam ser irredutivelmente firmes e bondosamente exigentes.
Os que seguem o Mestre sabem que ele não veio implantar sossego, paz morna, acomodação. Veio trazer fogo à terra. Assim, os seguidores de Jesus, dentro de sua própria família, no seio dos relacionamentos entre amigos de infância os discípulos, entre os próximos mais próximos, encontram oposição. Os que seguem o Evangelho são pessoas que incomodam.
Os laços familiares são importantes. Sabemos que um dos maiores e mais graves problemas do mundo é a ausência de efetivo amor entre os membros de uma família. A dissolução do vínculo conjugal, o fenômeno do mãe e/ou pai solteirismo, o abandono dos idosos, o assédio indecoroso a crianças constituem dramas de difícil solução.
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Entretanto, os que amam a Jesus colocam o Mestre em primeiríssimo lugar. Não se trata de negligenciar o bem querer familiar tão fundamental, mas de nada antepor aos reclamos do exigente Jesus. Os que amam o Senhor devotam-lhe as mais escolhidas formas de amor, modalidades que atingem a raiz da vida: afetividade, ternura, arrebatamento e entrega.
O Mestre Jesus procurou os interesses do Pai. Estava sempre atento a isto. Os acontecimentos foram se sucedendo diante de seus olhos e não lhe restava outra coisa senão aceitar a cruz como resposta de sua fidelidade ao Pai. A morte significa a perda dos sonhos, o fim de eventuais projetos que o homem pode fazer; ora, para Jesus e para o discípulo não há outra saída senão a fidelidade que vai até o fim. Os discípulos de Jesus perdem a vida por causa de Jesus, como Jesus perdeu a vida para ser fiel ao Pai. Há um mistério vital na morte. O grão morre para dar fruto. Jesus morre para dar vida. Os discípulos de Jesus perdem a vida para ganhá-la em plenitude, de outra forma.
No caminhar da vida do discípulo há gestos concretos e simples a serem colocados. Há gente sem esperança a ser atendida, há feridas abertas que precisam se fechar, há sede em muitas gargantas que precisa ser saciada. Todos os gestos bondosos colocados pelos discípulos não se perderão. “Quem der, ainda que seja apenas um copo de aguar fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade, vos digo, não perderá a recompensa”.
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