O Monte Carmelo é decantado nas páginas da Escritura do Antigo Testamento. Lá o profeta Elias havia defendido a pureza da fé dos israelitas. No século XIII alguns eremitas ali fundaram a Ordem dos Carmelitas devotados à contemplação sob o patrocínio da Mãe de Deus.
Desde a nossa mais tenra infância aprendemos a ter uma delicada devoção à Mãe do Senhor. Ainda bem pequenos sabíamos de cor a Ave-Maria... Muitos guardamos delicadas lembranças das ladainhas de maio. Maria nos acompanha em nossa vida de discipulado de Jesus. É mestra de espiritualidade. Ela nos ensina a viver a fé a partir do interior. Muitos aspectos da vida interior de Maria podem ser colocados em destaque e realce.
Maria é aquela que leva as coisas ao fundo do coração. As páginas das Escrituras, sobretudo Lucas, nos fala de uma mulher que se vê agraciada, não entende tudo o que se passa nela e com ela. Mas leva tudo ao fundo do coração. Deixa que as inspirações do Altíssimo e suas manifestações se assentem no fundo do coração.
Assim, ela não é superficial, mas mulher de intensa interioridade. Num tempo de coisas feitas com pressa, na época de coisas realizadas apressadamente “para ontem”, nesses tempos de uma pastoral de choque, emocional, imediata, Maria no ensina a esperar, a nos dirigir para as terras do deserto e do silêncio e guardando tudo no fundo coração.
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Maria do Carmelo é Maria da Contemplação. Contemplação não significa passividade, alheamento, isolamento. Os que são tocados pelo Senhor sabem que precisam olhar, contemplar, admirar o Senhor.
Experimentam vontade de salmodiar cânticos de louvor e de deixar que a suavidade do Senhor tome conta de seu interior para serem missionários de verdade e não apenas “tocadores” de obras.
Maria que visita o interior é a mulher do sim, da entrega, da fidelidade ao que promete. Ela organiza sua vida a partir dessa resposta que abriu as cortinas para a encarnação de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor! Sim, faça-se em mim segundo a Palavra do Altíssimo”. Na medida em que deixamos a religião dos deveres e do cumprimento de obrigações, experimentamos em nós a necessidade de saber concretamente a vontade de Deus a respeito de nós.
Não queremos que Deus nos cochiche um “projetinho” para nós, mas que ele mostre seu querer na família, na vida cristã, nas circunstâncias da vida. Uma espiritualidade mariana é marcada pela vontade de ser fiel a uma palavra dada, promessa de fazer em nossa vida a vontade exigente e libertadora de Deus.
Maria que leva as coisas ao fundo do coração e Maria do sim nos ajuda a viver como discípulos de Jesus.
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