A respeito da oração sabemos tudo, menos rezar como convém. Lucas, por excelência evangelista da oração, fala do ensinamento que Jesus deu do Pai nosso e de uma oração confiante que sempre é atendida.
Sim, somos sempre noviços na arte de rezar. Para que possamos dar passos largos na estrada da oração será preciso, antes de tudo, a postura do publicano, que no templo, não abria os braços e cantava louvores a si mesmos, mas simplesmente pedia a piedade do Senhor. Aí começa a verdadeira oração. Uma criatura humana se coloca diante do Senhor com a consciência de ser frágil, pequena, criatura simplesmente criatura. “Tem piedade de mim!”.
Reza aquele que vai adquirindo o hábito de caminhar na presença do Senhor. Os salmos nos ajudam. O salmista experimenta alegria de ter sido objeto do carinho de Deus. Exprime gratidão e, ao mesmo tempo, confessa querer caminhar em sua presença. “Devo cumprir, ó Deus , os votos que vos fiz, e vos oferto um sacrifício de louvor, porque da morte arrancaste minha vida e não deixastes os meus pés escorregarem, para que eu ande na presença do Senhor, na presença do Senhor, na luz da vida” ( Sl 55, 12ss).
Rezar é viver na presença daquele que, embora invisível, acompanha nossos passos. Acordamos e ele nos espera. Quer a entrega de nossa jornada e se oferece para ser o companheiro de viagem, se deixarmos a porta de nosso coração encostada e não trancada. |
Vai acompanhando os passos de nosso dia: o trabalho, as preocupações, as necessidades, os dramas, as tentações. Não está longe. Ele, no dizer de Agostinho, é mais íntimo a nós mesmos do que nós o somos. Comemos, corremos, sofremos, amamos, lutamos, vestimo-nos das cores do evangelho e o Senhor não nos larga. Ele nos fala pela vida e pelas Escrituras.
A finalidade da oração é nos levar a uma intimidade sólida e cada vez mais definitiva com aquele que chamamos de Senhor, de Esposo, de Amigo. Ela pode ser uma simples jaculatória dita com fé: “Meu Deus e meu Tudo”. Por vezes, na recitação dos salmos em comum ou particular damo-nos conta de estar nos átrios da casa e da intimidade do Senhor. O Senhor nos visita e temos vontade de cobrir nosso semblante com as mangas da túnica. Participamos da Eucaristia, não como uma “exibição”, mas unidos a Cristo. Entregamo-nos ao Pai com Cristo ali, ressuscitado, esse Jesus que nos pede para fazemos, nos ritos da Igreja, a memória de seu amor. A Eucaristia celebrada na pureza de coração nos leva á comunhão de destino com Cristo, o pão partido e presente no albergue de Emaús que alimenta nossa existência, ilumina nossa caminhada. A oração nos leva à comunhão de vida com o Senhor.
Há circunstâncias existenciais que nos dão medo: um inimigo, a doença, a perda do vigor cristão. O salmo 55 anos ajuda: “Quando o medo me invadir, ó Deus altíssimo, porei em vós a minha inteira confiança” (v.4).
O orante se abriga à sombra do Altíssimo! |