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São Paulo, 23/05/2012
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31 de março de 2010

OS ACERTOS FINAIS DE JUDAS
(ou Os desacertos finais de Judas)

Mateus 26, 14-25

Judas acerta com os sumo-sacerdotes os detalhes do plano de entrega de Jesus.  As coisas vão se precipitando.  A soma de dinheiro fica acertada em trinta moedas. Parece de bom tamanho.  Talvez o próprio Judas anda meio cansado desses expedientes todos. Vai à ceia, sai, vive nas trevas... não está agüentando mais e não está se entendendo.  Talvez tivesse mesmo pensado: “Esse Mestre de tanto valor, de valor infinito,trocado por trinta moedas... vamos fazer tudo rapidamente.E depois ainda será preciso avisar aos guardas... montar a cena do beijo”....Quem sabe para Judas esse Jesus tão homem, tão frágil não teria sido a grande decepção de sua vida!!!

Terrível essa nossa tentação de julgar Judas. Judas é um  mistério, como cada ser humano. Quantos de nós começamos a viver uma intimidade com o Senhor tão forte, tão densa e.. depois as fragilidades da vida... Corríamos pressurosos ao  encalço do Mestre e depois uma espécie de cansaço, de fechamento do coração,  e o negamos diante dos reclamos doidos da carne, da sensualidade, da vaidade...  Talvez até o tenhamos vendido por um  dinheiro estranho que nos parecia dar poder e força...prazer e prestígio.

No meio da ceia uma palavra de Jesus:”Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair!”  Naquele quadro de intimidade, essa nota doída.  Como crianças temerosas uns e outros começam a dizer: “Senhor, será que sou eu?”  A impressão que o texto transmite é que os apóstolos não se sentiam firmes....  As palavras de Jesus, segundo Mateus,  ganham um tom rude: “Contudo, ai daquele que trair o Filho do homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido”.

“Na traição de Judas vemos o entrelaçamento dos desígnios de Deus e do “livre” agir do homem. Ninguém pode negar que Judas agiu livremente; seu gesto, porém, foi  prenunciado e não fugiu de modo algum à vontade de Jesus: foi consumado quando para Jesus chegou a “hora”.  É perigoso brincar consigo mesmo. A liberdade é um dom, mas seu reto uso é uma conquista, é fruto de correspondência  à graça divina. Nada é mais arriscado do que acostumar-se com a graça: pode vir a ser irreparável. É possível, entretanto, acostumar-se até com a Eucaristia. A Semana Santa é a mais trágica celebração da liberdade humana em seu mistério mais profundo, no livre e irrevogável não de Judas e no livre e irrevogável sim de Cristo à vontade do Pai”  (Missal Cotidiano da Paulus, p. 327).

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