Lucas relata o que se passou com Jesus no famoso “dia de Cafarnaum” e na manhã seguinte.
Quando sai da sinagoga o Mestre entra na casa de Simão. Faz uma visita à sogra do apóstolo que estava enferma, prostrada, deitada, com febre. Ameaça a febre e esta desaparece. A mulher se levanta, sai da prostração com as ordens de Jesus. E aquela que se viu libertada da doença passa a servir. Cena que se passou no interior de uma casa. Gesto de atenção e de bondade.
Ao pôr do sol há um cortejo de doentes chegando até Jesus, pessoas atingidas por diversos males. Há um gesto de Jesus a ser ressaltado: “Colocava a mão em cada um deles e os curava”. Será que esses enfermos cambaleantes se tornaram depois discípulos do mundo novo?
A comunidade da Igreja, os discípulos de Jesus de hoje, são procurados por muitos doentes. Nossas paróquias, suplementarmente, procuram dar assistência social e médica a alguns mais necessitados. Há muitos que buscam remédios nas farmácias paroquiais. Há doentes do corpo que querem uma bênção e imploram cura. Há outros doentes. Pessoas complicadas psicologicamente e que circulam pelos espaços de nossas comunidades precisando de uma palavra, de uma atenção e mesmo de sérios tratamentos médicos.
Necessário se faz desenvolver uma bela pastoral da unção dos enfermos. |
Pensamos em celebrações comunitárias que se concluam com uma imposição das mãos sobre cada pessoa. Esse “tocar” o outro é como que um sacramental. Pensamos na pastoral da visita aos doentes, feita com carinho, com delicadeza, levando-se uma palavra, a Eucaristia, um pequeno presente e a comunicação ao doente que ele ocupa um lugar importante no coração dos cristãos daquela comunidade.
Ao raiar do dia Jesus vai para um lugar deserto. Tudo leva a crer que ele precisava reorganizar seu interior depois de tanta correria, atendimento e cansaço. Desde sempre os cristãos afeitos à pastoral são alertados no sentido de não viverem um ativismo estéril. Sempre são convidados a buscar o silêncio e, no silêncio, estar com o Senhor e contemplar o seu semblante. Certamente, não podemos ser “tocadores” de obras, nem funcionários das coisas sagradas. Os cristãos perdem sua identidade quando se lançam num ativismo sem reflexão e sem medida. Essa busca do silêncio do deserto não é um enfeite exterior e artificial. No coração de uma jornada intensa e desgastante, Jesus tem necessidade de estar com o Pai no deserto.
Os habitantes do lugar queriam reter a Jesus. Mas ele precisava continuar a buscar outros ouvintes e outras cidades. Felizes os cristãos missionários e andarilhos que esquecem de seu pequeno mundo e caminham de espaço em espaço anunciando pelo exemplo e pela palavra sua fé em Jesus. Nosso Mestre esteve sempre a caminho... |