Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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02 de setembro de 2010

PESCADORES DE PEIXES E PESCADORES DE HOMENS
Lucas 5, 1-11

Misturam-se os planos no evangelho deste dia; fala-se de pescadores, de peixes e insinua-se que tais pescadores serão missionários, pescadores de homens. Pescadores, mar, redes, barca, águas profundas, experiências humanas se sucedem e se entrelaçam no texto de Lucas.

Boa parte do ministério público de Jesus se passou às margens desse lago ou mar da Galiléia. Na  singeleza daquele lugar, Deus quis que seu Filho dissesse coisas que ressoam até nossos dias e nossas vidas. Os cristãos que podem fazer uma peregrinação à Terra Santa emocionam-se quando estão diante do Mar da Galiléia.

Lucas observa que a multidão se apertava perto de Cristo “para ouvir a Palavra de Deus”.  Não detalha o conteúdo da conversa de Jesus. Insiste que as pessoas querem ouvir a Palavra de Deus. Onde e como, hoje, essa Palavra nos atinge?

Esta é uma questão delicada e complexa. A fé nasce da audição, da escuta. A Palavra tem força, é de Deus.  Deus se fez Palavra em Jesus. A Palavra não está somente nas páginas escritas daquilo que viemos a chamar de Escrituras. Não se fala de ler a Palavra, mas de ouvi-la. Ouvi-la com os ouvidos exteriores, mas sobretudo com um dispositivo interior que nos faz ir além dos fonemas e chegar até uma vida que é transmitida na Palavra que é Cristo. Ele falou com seus lábios, com seus gestos, com suas noites de silenciosa oração e com sua dolorida paixão. Os discípulos serão pescadores de homens na medida em que fizerem ressoar a Palavra. 

           

Não anunciam a si mesmos, não se apóiam no marketing, não contam com os recursos da carne. Importante que os aparelhos de som funcionem, que os pregadores  e pescadores não falem sem que possam ser ouvidos. Os que pescam precisam ser prudentes e sábios. Mas a força vem da Palavra das quais são possuídos os anunciadores e os pescadores de homens.

Há a vida, a história de cada um e a história dos homens. Há desejos, anelos, tentações, sentimentos, contradições, dilaceramentos. Lá no interior desses homens e mulheres chegam os pescadores, membros de comunidades vivas, pobres e singelas, pessoas que amam, que saem de si, que buscam, que pregam pela palavra, mas sobretudo com seu jeito de ser, seu modo de agir, sua vida de coerência com as bem-aventuranças.

Difícil tarefa de pescar homens.  O evangelho nos fala daqueles pescadores que trabalharam a noite toda e nada pescaram e reclamaram com o mestre. Aos nossos ouvidos ressoam as palavras de Pedro como grande estímulo e certeza do sucesso: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”.

Quem sabe se começarmos a pescar homens de uma outra maneira, a partir de grupos despojados, pobres, simples, de gente sem vontade de aparecer, de estruturas mais fraternas e mais simples não poderemos também incluir-nos nesta passagem: “Assim fizeram e apanharam tamanha quantidade de peixes, que as redes se rompiam”.
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