“Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Então alguns fariseus disseram: Por que fazeis o que não é permitido fazer no sábado?”
Os evangelhos relatam muitas situações de polêmica que Jesus teria vivido com as pessoas importantes da religião de seu tempo. Hoje, um incidente curioso. Os discípulos tiveram fome e resolveram colher umas espigas de milho e matar a ardência do estômago. Fizeram esse “trabalho”, esse “esforço” no dia de sábado. Tal comportamento pareceu, aos olhos dos fariseus, uma catásfrofe, um desrespeito ao descanso do sábado. Irritam-se e, assim, vão colocando obstáculos à pregação de Jesus. Continua o processo que vai se instaurando para eliminar Jesus.
O Missal Cotidiano da Paulus resume com muita felicidade o ensinamento desta página do evangelho: “Lucas afirma com vigor o “senhorio” de Jesus. Ele é “senhor do sábado”, como é senhor do plano de salvação de Deus, e, portanto, senhor da história, ou simplesmente “o Senhor”, e o é para “salvar”. Tudo o mais, inclusive o sábado, está a serviço do homem e de sua salvação. O sábado perde, assim, seu valor absoluto, para não ser mais do que o tempo do encontro livre e amoroso entre o fiel e o Pai, através de Jesus.
O legalismo havia sufocado o espírito do sábado, que devia ser para homem sinal da liberdade que nada deve sujeitar. |
À escravidão das tradições, Jesus opõe a liberdade autêntica em face à lei (Davi)” (p. 1241-1242).
Jesus simplesmente desmonta os argumentos dos legalistas: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam sentindo fome? Davi entrou na casa de Deus, pegou os pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu aos companheiros. No entanto, só os sacerdotes, podem comer destes pães”.
Este é um argumento “ad hominem”. Jesus refuta o legalismo dos fariseus com a generosidade de Davi que toma dos pães sagrados para matar a fome dos circunstantes... Para o tempo isso fora uma audácia...
A missa de domingo é fundamental: encontro de festa, presença do Ressuscitado, renovação da ceia e atualização do sacrifício. Não basta, no entanto, ir por ir. Chegar quando se quer, não viver o seu mistério e dizer-se “quites” com Deus. Esta seria uma atitude farisaica. Não basta pagar o dízimo, cumprir promessas quando o coração da pessoa não é de Deus. Toda sensação de satisfação com as obras feitas, e mal feitas, é ilusão. Afinal de contas que mal fazia que uns homens simples e bons mastigassem uns grãos de trigo num dia de sábado? Vamos e venhamos...
“O Filho do Homem é senhor também do sábado”. |