“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e de sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo”.
Assim debuta o evangelho proclamado neste domingo. Ser discípulo de Jesus é tarefa que nunca está terminada. É exigente empreitada. Uma coisa é ser adepto de uma religião, seguidor de doutrinas, cumpridor de ritos. Uma coisa é mesmo fazer votos e dizer-se do Senhor. Outra coisa é experimentar essa inquietação salutar de saber se somos do Senhor Jesus, se colocamos nossos passos nos seus passos. Só assim poderemos explodir de alegria por sermos discípulos daquele que nos cativou.
Os que colocam qualquer coisa antes de Jesus, de preferência a Jesus, não podem ser seus discípulos. Não se trata de deixar de amar pai e mãe, filhos e parentes. O amor é universal. A radicalidade da linguagem de Jesus e dos evangelhos aponta para a prioridade Jesus na vida do discípulo. Os vínculos familiares são importantes, mas o fascínio por Jesus vem antes.
Os que seguem a Jesus conhecem contradições. Que expressão dura esta: quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim não pode ser meu discípulo.
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Conhecemos pessoas retas nas comunidades cristãs, em espaços de vida consagrada que não foram compreendidas, mas perseguidas, humilhadas e achincalhadas. Tais pessoas costumam incomodar o status quo, a mesmice das coisas que se repetem. Elas, devido à coerência interior, se unem à cruz de Cristo. Não há dúvida quanto a isso.
Por isso, os discípulos serão vigilantes. Não podem querer construir o discipulado sem atenção. Não podem construir uma torre e deixá-la pela metade. Precisam saber quantos soldados chegam para nos atacar. Os discípulos não cochilam, são atentos e vigilantes.
Felizes os catecúmenos, os jovens, os postulantes, os noviços que encontram mestres e comunidades exemplares que colocam diante de seus olhos o ideal do discipulado com toda a sua beleza e exigência. Uma coisa é ser seguidor de uma religião, outra, bem diferente, ser discípulo de Cristo. Ninguém arranca de nosso coração o júbilo de, desde a nossa juventude, termos sido discípulos fiéis do Senhor belo e amoroso.
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