Durante toda esta semana nada fizemos senão viver a Páscoa. E continuaremos nossa meditação através de todo o belo tempo pascal. Neste sábado temos mais um encontro com o livro dos Atos e com o evangelho de Marcos.
O autor dos Atos dos Apóstolos se compraz em mostrar a força e a coragem do apóstolos, depois de Pentecostes, em anunciar Cristo, sua vida, sua ressurreição. Os que dão seu assentimento ao Ressuscitado se tornam missionários, não podem calar.
“Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas ficaram admirados em ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução”. Pediram que Pedro e João não falassem do ressuscitado. Responderam os apóstolos aos que faziam o pedido de que não falassem: “Quanto a nós não podemos calar sobre o que vimos e ouvimos". Assim, foi se difundindo a fé cristã, ou seja, através da pregação daqueles que foram testemunhas (na fé) do ressuscitado. Toda a obra da evangelização repousa neste fato: Deus enviou seu Filho que se manifestou a testemunhas privilegiadas que haveriam de torná-lo conhecido através dos tempos em todos os lugares. Os que são tocados pelo Cristo não podem calar.
O texto de Marcos, sucinto e breve, diz que Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena. Esta correu anunciar o fato aos seguidores de Jesus que estavam de luto e chorando. Os discípulos não quiseram acreditar. |
Jesus apareceu a dois deles, com uma outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Teria sido aos discípulos de Emaús? Estes voltaram e anunciaram. A alegria da fé no Ressuscitado se transforma em obrigação de missão, em desejo de torná-lo conhecido.
Jesus, segundo Marcos, aparece aos Onze, recrimina sua falta de fé e a dureza de seu coração. Há uma predisposição para a fé no Ressuscitado. Não se trata de uma evidência, mas de uma manifestação, de uma graça que Deus concede a alguns de fazerem a experiência da “visão” do Ressuscitado.
No final de Marcos aparece ainda a grande ordem que está também em outros textos evangélicos: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura”. Todos os cristãos, todos os que fazem parte do Corpo de Cristo que é a Igreja sentem-se, cada um a seu modo, obrigado a tornar conhecido e amado Jesus Cristo que nasceu de Maria, Filho de Deus, que viveu e morreu em condições de pobreza e simplicidade, que ressuscitou e que dá sentido a todas as vidas. Há esse anúncio aos distantes e aos que estão mais perto. Aos que receberam os sacramentos, mas nunca, de fato, se tornaram discípulos. Belíssima e complexa a arte da evangelização. Supões pessoas novas que vivem em fraternidades, que desejam ser instrumentos, que lutam pela transparência. |