Nesses dias de semana do Tempo Comum estamos lendo o evangelho de Marcos. Hoje somos brindados com o texto conhecido como o do chamamento do jovem rico.
Tudo indicava que o acontecimento iria ter um final feliz. Mas não aconteceu assim.
Jesus caminhava. E ao caminhar encontrava pessoas: doentes, carentes, professores da lei, gente comum, adversários. Marcos, sempre com sua vivacidade, fala de alguém que veio correndo e ajoelhou-se diante de Jesus. Não o descreve como sendo jovem ou um homem maduro. Dá a entender que se trata de alguém com conduta educada e nobre. Alguém que se coloca diante de Jesus numa postura mais do que respeitosa. Ele traz uma indagação. A maneira de perguntar é típica da mentalidade dos fariseus. Não se discute a sinceridade do homem: “O que eu tenho que fazer para entrar no teu mundo novo fascinantemente novo e belo que se chama Reino do qual falas, Jesus, com tanto entusiasmo?" Jesus responde dizendo o ingresso no mundo novo se faz com a observância do preceito do amor a Deus e ao próximo: dobrar-se amorosamente diante de sua vontade do Senhor, ser íntimo dele, caminhar nas sendas da verdade, respeitando os pais, respeitando a vida, respeitando o corpo.
O homem impressiona a Jesus dizendo que desde a sua juventude tudo isso observava. |
Há um detalhe encantador de Marcos: Jesus olhou para o homem com amor. Não se trata de um contato fugidio ou frio. O evangelista faz questão de dizer que Jesus pousou um olhar de amor sobre o homem. E vem então o ousado convite: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem, e segue-me”. Jesus quer a inteireza do homem. Quer que seu coração não tenha reservas. Faz –lhe a proposta de que venda o que tem, entregue aos pobres e passe a seguir esse Mestre andarilho que havia olhado com amor no fundo de seus olhos. Mas... o homem não teve coragem. Tinha muitos bens e estava apegado a eles. Marcos escreve: “Mas, quando ele ouviu isso ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico”.
Rico de bens, rico de si, não teve coragem de dar o passo sugerido por Jesus. O resultado do encontro do olhar de Jesus com o olhar desse que se havia lançado aos pés do Mestre com tanta vontade não dera em nada! Que pena! |