Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 23/05/2012
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31 de janeiro de 2010

ESSES INCÔMODOS SERES CHAMADOS PROFETAS
Lucas 4, 21-30

Jesus era conhecido no lugar. Afinal de contas estava na sinagoga de Nazaré, sua terra. Ele havia lido o texto do profeta Isaías que falava da unção do Espírito. As pessoas ficaram estupefatas diante das palavras de sabedoria que saiam de sua boca, do filho do carpinteiro.

Mas, afinal de contas, quem era esse Jesus?  Começa a haver um disse-que-disse. Ele é filho de José. Todos conheciam esse José, um carpinteiro pobre. Os que estão presentes não têm dúvidas a respeito de sua origem. Jesus dá a entender que seus ouvintes querem que ele opere ali, em sua terra e cidade, o que ele fez em Cafarnaum. Ele, no entanto, não pode operar ali maravilhas. “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”.

J. Konings nos explica o sentido  do evangelho deste domingo. Jesus  vai sendo rejeitado. “A rejeição acontece de mansinho, e devemos admirar novamente a arte narrativa de Lucas. Primeiro, o povo admira Jesus e suas palavras. Mas a sua admiração é a negação daquilo que Jesus quer. Desconhecendo o “Filho de Deus”, tropeçam na sua origem por demais comum. “Não é este o filho de José”.

Jesus toma a dianteira. Prevendo que eles apenas quererão ver suas façanhas, como as fez em Cafarnuaum, Jesus lança um desafio: ele não é médico para uso caseiro. Como nenhum profeta é agradável à sua própria gente, sua missão ultrapassa os morros de Nazaré. E insiste: Elias, expulso de Israel, ajudou a viúva de Sarepta na Fenícia e Eliseu curou o sírio Naamã... Os nazarenos, ciosos, não agüentam essas palavras e querem jogar Jesus no precipício (uma variante do apedrejamento). Mas Jesus, com a autoridade do Espírito que repousa sobre ele, passa no meio deles e vai adiante... Nazaré perdeu sua oportunidade, prefigurando assim a pátria do judaísmo: “Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes eu quis reunir teus filhos... (cf Lc 13,34-35)....” (Liturgia Dominical, Vozes, p. 405).

Queira Deus que nunca faltem profetas na Igreja. Não basta apenas fazer com que uma máquina gire, mas é fundamental que homens e mulheres, cheios do Espírito, falem em nome do Evangelho e de Cristo. O profeta desmascara situações camufladas. Denuncia um jogo de interesses que está por detrás de determinadas atitudes.  Ele não tolera que Deus seja aprisionado. Sua fala e seu testemunho são uma condenação da rotina e dos arranjos para se viver por viver.  Um autor diz: “A denúncia profética é obra de amor, um amor apaixonado por Deus e  pelos homens (...). O profeta vê o que Deus faz, vê o seu plano de amor, faz uma leitura divina dos acontecimentos humanos”.

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