Viver é conviver. As pessoas que se estimam se fazem presentes umas na vida das outras. Elas manifestam seu bem querer de múltiplas formas, de modo particular por meio dessa realidade delicada e terna chamada visita.
Os que praticam a visita demonstram apreço pelo outro. São pessoas que se organizam de tal forma, que incluem o outro no universo da organização de seu tempo. Em outras palavras: o outro é importante e conta aos olhos de quem visita.
Há visitas de todo tipo. Os filhos, casados ou não, visitam seus pais regularmente. Dão-se conta de suas necessidades e vivem suas alegrias. As famílias visitam seus parentes mais próximos. Pai, mãe e filhos vão visitar os avós, sadios ou doentes, sentam-se à mesa com eles, oferecem-se pequenos presentes, fazem-se presentes uns na história e na vida dos outros, assumem responsabilidades que possam tornar mais fácil a vida de uns e de outros. Os que se visitam saberão deixar de lado tarefas menos importantes para o exercício da caridade.
Há essas visitas protocolares, mas há sobretudo visitas com ressonância no fundo do coração. Um casal, ou pessoas isoladas se dirigem à casa de um amigo para uma refeição de aniversario. A alegria do encontro, o presente que se dá e se recebe, as histórias que se contam, as lembranças evocadas: tudo se orienta para a solidificação dos laços de amizade. Há a alegria da refeição partilhada, o canto que ecoa no ar, a pena que o encontro tenha terminado. |
Há dois tipos de visitas particularmente especiais: aquela que se faz aos doentes ou aos que vivem num presídio. O doente espera um sorriso, uma presença amiga, uma palavra de apoio, uma prece feita e outra prometida. Os que penam no cárcere devido à loucura de suas ações precisam saber que na terra há pessoas boas que os enxergam com um olhar de esperança e os considerem como seres humanos e não como monstros.
Maria fica sabendo que está grávida. Tem vontade de dizer a outros aquilo que vive seu coração. Dirige-se apressadamente às montanhas de Judá e vai ter com sua parenta Isabel, ela também agraciada. Há alegria do encontro, as duas sentem visitadas pelo Alto e se visitam na alegria. O menino no seio de Isabel se alegra. Ele escuta a voz de seu amado que veio, no dizer do Cântico, saltando pelos montes.
Os que se visitam carinhosa e caridosamente são portadores de Deus para a vida dos outros. |