Jesus era um grande observador. Vivia no meio das pessoas. Penetrava no mais íntimo dos corações como da pobre mulher que colocou no tesouro do templo tudo aquilo que tinha e não apenas o supérfluo. Observava as pessoas como foi o caso de Natanael, que qualificou de um israelita sem dolo. No evangelho proclamado na liturgia de hoje, Jesus fala do banquete que será oferecido, não aos do mesmo nível, mas preparado para os mais pobres, para aqueles que não poderão retribuir.
Tratava-se de uma refeição. Jesus fora convidado pelo chefe dos fariseus. Provavelmente, esses homens todos estavam “garganteando”, contando vantagens, mostrando aquilo que faziam... Eram pessoas do mesmo nível social do anfitrião. Compreendemos que assim possa ser. Na sociedade de todos os dias, as coisas acontecem desse jeito. O chefe de uma nação oferecendo uma recepção do Ministério das Relações Exteriores não vai convidar os mendigos do lugar ou mandar buscá-los de avião para se sentarem junto dos embaixadores do país que jantam com chefe de Estado do estrangeiro... Jesus dá a entender que sua maneira de ver as coisas é diferente. |
Ele sempre respeitou e respeita as coisas de César, mas deve dizer ao seu anfitrião que as coisas, no mundo novo que ele está inaugurando, serão diferentes: “Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos”. Necessário alimentar amizade e nutrir carinho não apenas em vista de uma eventual retribuição. “Então tu serás feliz! Porque eles não podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.
Estamos diante de uma maneira de ver as coisas completamente diferente. Os seus discípulos são pessoas que criam laços de fraternidade gratuita. Não são ardilosos seres que estão sempre dizendo: “Quanto é que eu levo nisso?” Os discípulos de Jesus não ficam muito preocupados com a cor da pele, o peso do ouro derretido em joias, nem as somas das contas bancárias. Os cristãos são amigos de todos e, por vezes, são íntimos dos mais simples e mais humildes que escondem vestígios de Cristo em seu rosto e em sua pessoa.
Jesus se fez pobre e sem títulos para que todos os pobres pudessem ser vistos como pessoas e pessoas importantes porque o Filho de Deus se tornou pobre entre nós. |