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Por Frei Gustavo Medella
Agudos (SP) - “Ver vocês todos juntos, em tão grande número, era o presente que me faltava deste presente que eu recebi, que foi esta visita canônica”. Com estas palavras, o Visitador Geral da Província, Frei Flaerdi Valvasori, saudou todos os frades na abertura oficial do Capítulo das Esteiras, realizada no Salão Nobre do Seminário Santo Antônio. O guardião da fraternidade, Frei Rafael Spricigo, e o Ministro Provincial, Frei Augusto Koenig, também deram as boas vindas aos irmãos participantes do Capítulo.
Neste primeiro encontro, Flei Flaerdi apresentou, em linhas gerais, suas impressões sobre o trabalho de visita a todas as fraternidades que realizou e explicou também qual é a principal finalidade deste serviço: “Para a visita, a missão que o Ministro Geral (Frei Jose Rodríguez Carballo) me deu foi a de reforçar o ânimo de quem estivesse desanimado”. Outra recomendação do Ministro Geral, segundo o visitador, foi que todo o trabalho de visita canônica tivesse como marca a cordialidade.
Ao descrever os passos da visita, Frei Flaerdi justificou sua escolha de começá-la pelo Estado do Espírito Santo: “Pensei no nome, justamente porque sabia que iria precisar da força do Espírito Santo”. E demonstrou-se surpreso com a extensão e com os trabalhos da Província: “É surpreendente aquilo que vocês herdaram e aquilo que vocês fazem hoje”, destacou. De acordo com o visitador, duas preocupações principais guiaram as conversas que ele empreendeu durante os encontros pessoais com os frades: a questão fraterna e a qualidade da evangelização dos frades: “Vocês foram muito autocríticos em relação à Província e a si mesmos, mostrando estas duas preocupações”, relatou.
Com relação à vida fraterna, um dos maiores pontos de tensão estaria no individualismo exagerado que, de acordo com Frei Flaerdi, não seria um problema exclusivo da Província, mas uma questão presente em toda a Ordem e também na Igreja. “Este é um tema sobre o qual a Província obrigatoriamente terá de pensar: como vencer os sinais de individualismo presentes na fraternidade”, apontou. Aproveitando o momento, o visitador ofereceu algumas pistas para uma possível solução do problema do individualismo, sugerindo às fraternidades que procurassem valorizar ao máximo os momentos e locais de encontro fraterno.
No que diz respeito ao tema do excesso de autonomia, fortemente ligado à temática do individualismo, Frei Flaerdi chamou a atenção para que este obstáculo seja vencido tanto em relação às fraternidades quanto aos frades excessivamente autônomos. “Os frades, em seu trabalhos e ações, têm que deixar de lado a idéia de que são insubstituíves e auto-suficientes e procurar trabalhar em equipe, garantindo a continuidade e sua própria sucessão nas tarefas evangelizadora que realizam”, advertiu.
Frei Flaerdi também teceu considerações sobre a faixa etária dos frades das Província, enfatizando que, num total de 406 religiosos, 93 têm entre 71 e 90 anos. “Quem pensava em se aposentar, vai precisar mudar os planos. A aposentadoria do frade só se da com a morte”, brincou. Falou também sobre os temas da evangelização e missão, lembrando que a Ordem, cada vez mais, tem se empenhado fortemente no trabalho missionário.
Muitos outros elementos foram apresentados por Frei Flaerdi. Ao concluir sua exposição, o visitador convidou todos os frades a se saudarem com um grande “abraço da paz”. Os trabalhos do Capítulo das Esteiras seguem nesta manhã, com reuniões de grupo para análise e estudo das palavras do visitador. |
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