Por Fr. Gustavo Medella, ofm
Agudos (SP) - Neste sábado, o Capítulo Provincial foi marcado pela lembrança e pelas homenagens a Frei Bruno Fuchs, falecido no início da noite da última sexta-feira, em Rodeio, pouco depois de regressar do Capítulo das Esteiras, em Agudos. Logo de manhã, a missa foi celebrada em memória de Frei Bruno. AO final da tarde, na oração comum, os capitulares se reuniram na Capela Central do Seminário e mais uma vez se recordaram da figura do confrade falecido. Logo no início da celebração, o dirigente, Frei Sebastião Kremer lembrou que aquele momento, dedicado à Imaculada Conceição de Maria, também seria “ocasião de agradecimento a Deus pelo dom da vida de Frei Bruno”.
Em testemunho à toda assembléia, Frei José Luiz Prim, companheiro de turma do frade falecido, destacou sua inteligência e a personalidade reservada “O Bruno Fuchs não era de muita conversa, mas era muito observador. Para mim, de toda nossa classe, era de longe o mais inteligente”, declarou. “Era um grande amigo: respeitoso, irônico, gozador, com gozações muito inteligentes”, lembrou. Frei José Luiz lembrou também que, ao ser convidado para se especializar em Teologia, Frei Bruno recusou: “Ele foi convidado pelo Frei Constantino Koser para estudar Teologia. Então ele respondeu ao Frei Constantivo que não havia vindo ao Brasil para ser professor, mas que preferia ser missionário”.
Outro depoimento foi de Frei Antonio Michels, que destacou o zelo apostólico e a disposição de Frei Bruno. “Eu conheci o Frei Bruno mais de perto quando ele foi feito pároco em Forquilhinha. Na época eu era estudante de Teologia em Petrópolis e aprendi a admirá-lo pelo conteúdo que ele tinha, não só na homilia, mas sempre que fazia uso das palavra, pelo seu zelo apostólico, pelo seu despojamento . Ele sempre era muito disposto em animar as comunidades . Foi alguém que bebeu muito da Teologia da Libertação. Tinha um veio político forte e muitas vezes se fazia polêmico, o que nem sempre agradava as elites locais. Outra marca sua era um interesse muito grande pela formação de um laicato autônomo e preparado e daí nasceu nele esse desejo de se dedicar à formação, e daí nasceu ent]ao a equipe bíblica, trabalho ao qual ele tanto se dedicou”, destacou.
Quem falou também foi Frei Valdir Laurentino, o último guardião de Frei Bruno: “Um dia, quando nós estávamos conversando, depois de uma reflexão bíblica, conforme temos o costume de fazer às quartas-feiras, Frei Bruno, comentando sobre a religião do povo, me falou: ‘Minha mãe tinha uma fé profunda! Eu acredito que ela deve realmente estar junto de Deus.’ E ficou parado, pensando, meio contemplativo. Aquilo me impressionou muito”, recordou.
No último testemunho, Frei José Alamiro lembrou o talento de Frei Bruno para a dança: “No início dos anos 90, a Família Franciscana Brasileira articulou melhor o chamado Sinfrajupe (Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia) e o Bruno Fuchs foi um dos primeiros a participar e criar este movimento. Então fazíamos nossos encontros por este Brasil afora e o que me chamou a atenção é que ele era um grande bailarino. À noite tinham os bailes e era só por uma valsa vienense que o Bruno estava rodando no salão e era muito disputado pelas senhoras e pelas moças que queriam dançar com ele. Eu acho que neste momento ele está lá, num grande salão de festas dançando uma valsa vienense”, disse Frei Alamiro. |