Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 04/02/2012
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Por Fr. Gustavo Medella, OFM

FATOS RELEVANTES DO SEXÊNIO
1. Canonização de Frei Antônio de Santana Galvão; 2. Mudança de Sede Provincial do São Francisco para a Vila Clementino; 3. Alienação do Seminário de Luzerna à Prefeitura local; 4. Entrega da Paróquia de Água Doce; 5. Entrega da Catedral de Blumenau; 6. Entrega da Paróquia de Vila Nova, Blumenau; 7. Fechamento da Casa do Pilar, em Duque de Caxias; 8. Aceitação da Paróquia São José em Blumenau; 9. Aceitação da Paróquia do Morro São Bento, em Santos; 10. Aceitação da Paróquia da Rocinha, no Rio; 11. Abertura da Fraternidade em Colatina/ES; 12. Aglutinação do Aspirantado e Postulantado em Ituporanga; 13. Decreto de utilidade pública para fins de desapropriação do Seminário de Ituporanga, exarado pelo Prefeito local; 14. Presença do Ministro Provincial em dois Capítulos Gerais ordinários e um extraordinário; 15. Missão de Angola reconhecida pelo Definitório Geral como Fundação Dependente; 16. Entrega do Convento de Mörmter à Fazenda da Esperança de Frei Hans Stapel; 17. Reconhecimento da Filosofia e Teologia como cursos oficiais pelo MEC; 18. FAE reconhecida como segundo melhor centro universitário do País, em 2009; 19. Profissão Solene de dois irmãos da Missão de Angola: Frei Afonso e Frei Antônio; 20. No sexênio tivemos a graça de receber 48 Profissões Solenes (2 de
Angola) e 39 Ordenações Presbiterais; 21. Nomeação de 6 confrades para o episcopado; 22. Aquisição de máquina impressora a 4 cores, pela Editora Vozes; 23. O “Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase no Brasil” toma corpo; 24. Celebração dos 350 anos do Convento São Francisco, SP; 400 anos do Convento Santo Antônio, RJ; 450 anos do Convento da Penha, ES e outras; 25. Importantes restauros: Igreja Bom Jesus dos Aflitos, em Curitiba; Igreja São Francisco, em São Paulo; Igreja Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis; início das obras de restauro no Convento Santo Antônio, no Rio; Igreja Santo Amaro da Imperatriz; Fraternidade de Niterói; Fraternidade de Vila Velha; remodelação no Seminário de Agudos; Seminário de Ituporanga; Seminário do Postulantado, em Guaratinguetá; construção do Seminário do Aspirantado, em Angola e outros.

O GRÃO DE ARROZ
Desde criança eu me perguntava
Qual a finalidade do grão de arroz
à beira do prato, que ninguém comeu?
Foi plantado, colhido e pesado,
Vendido, comprado, preparado,
Cozido, servido e rejeitado?

Hoje procuro respostas pensando em mim.
E se fosse eu esse grão de arroz?
Apenas um número somado aos demais?
Passando por esta terra e nem ser notado?

E me respondo sussurrando ao meu íntimo,
Afinal, que importa vã preocupação?
Assim como o grão, você participou.
Fez sua parte, volta à terra ou se alça aos céus!

“Nunca ter existido é a pior coisa que pode existir”.
Se para o grão de arroz já não é irrelevante,
Para mim, a existência é a graça que me garante
para sempre a herança que está no porvir...

Agudos (SP) - Na manhã deste domingo, dia 7 de novembro, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil poderá conhecer seu novo Ministro Provincial, com a abertura da urna com os votos para escolha de quem irá exercer esta função. A eleição do novo Provincial pode ser considerada um rito de passagem, que marca o fechamento de um ciclo de quase oitos em que Frei Augusto Koenig esteve à frente da Província.

Frei Augusto foi eleito primeiramente em 2002, como substituto de Frei Caetano Ferrari, nomeado bispo de Franca (SP) na época (atualmente Dom Caetano está no pastoreio da Diocese de Bauru-SP). Logo após, no Capítulo Provincial de 2003, foi reconduzido ao cargo, através dos votos dos confrades, para exercer o ofício por mais seis anos. Ao término deste período, Frei Augusto agora se despede do cargo. Nesta entrevista, ele partilha um pouco da experiência de, por quase uma década, estar à frente dos mais de 400 frades desta Província.

Site Franciscanos - Dentre todos os trabalhos realizados neste período, na sua opinião, qual é a maior contribuição que seu governo deixa para a Província?
Frei Augusto - Entre as contribuições, talvez não dê para dizer qual é a maior, porque a somatória dos serviços é que forma realmente o direcionamento para com as fraternidades, mas, se podemos citar algum, seria o Plano de Evangelização, que é um trabalho que vem ajudando a Província em seus departamentos, em suas oportunidades efetivas de um projeto. Este plano é sempre atualizado em cada capítulo

Site Franciscanos - Em que setor, ou setores, o senhor acha que deixou a desejar?
Frei Augusto
- A gente nunca está satisfeito com o que consegue. Sempre quer mais em todas a áreas. Ouvindo os departamentos, eles sempre falam em ampliação, mais gente, renovação, é sempre uma ânsia de progredir, daí que se torna também difícil uma resposta cabal, porque a gente gostaria de melhoria em todas as áreas. Mas se posso citar alguma, talvez fosse ampliar ainda mais a conscientização sobre JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação). Tembém penso que deveria ter um incremento a mais em todo o sistema paroquial, do ponto de vista do planejamento de vida franciscana – não é que não se faça – mas de uma forma mais concatenada. Outro ponto urgente é na parte do capital. Nós estamos com urgência de receitas alternativas para poder suprir as necessidades internas, para as quais não estão sendo suficientes as receitas habituais.

Site Franciscanos - E o Frei Augusto, pessoalmente, o que ele leva de mais importante desta experiência como Ministro Provincial?
Frei Augusto
- São muitas coisas, mas sobretudo o aprendizado. Eu cheguei a sentir e a ver, principalmente a partir de 2006, quando fiz a visita canônica interna da Província, a beleza interior de cada frade, a sinceridade em expor seus projetos de vida. Aquilo me encantou e me ajudou a ser mais frade. A beleza da Província expressa na qualidade de seus frades. Isso é que me encanta. Vejo na juventude que chega que Francisco continua inspirando a chamada de novos para o seguimento de Jesus Cristo e isso me deixa cheio de alegria interior. Com o acontecimento do Capítulo das Esteiras, vendo quase 300 frades presentes, isso é uma lembrança da qual não vou me esquecer jamais.

Site Franciscanos - No Site Franciscanos, o senhor pediu que fosse publicada a poesia “Grão de Arroz”, na qual se compara a um grãozinho de arroz que fica à beira do prato, sem ser consumido. Este é de fato seu sentimento ao deixar o Governo Provincial?
Frei Augusto
- É uma pergunta meio capciosa (risos), mas ali tem uma grande verdade. Todo poema sempre é uma expressão do sentimento pessoal do autor e, ao fazer aquele poema, eu reflito ali o que já vinha há muito tempo pensando sobre fato por que aquele grão de arroz ficou ali do lado, não foi sorvido, comido. Um dia me sentei e pensei: Agora vou tirar isso a limpo! E cheguei à conclusão de que, na verdade, esse grão de arroz participou de tudo, e se ele não serviu para alimento naquela hora, o projeto desse grão de arroz não se resume àquilo, mas é a somatória do caminho percorrido até então, daí que me coloco no lugar dele. Não vou me sentir como um rejeitado, mas como alguém que colaborou, que participou de todo um projeto maior, e que o fato de ter existido é o maior dom, o maior presente que podemos ter de Deus. Ruim é que nunca tivesse existido, pois não poderia participar de nada, nem da eternidade e, uma vez existindo , nos está guardada a felicidade perene e este grão de arroz me fez lembrar disto.

Site Franciscanos - Na avaliação do governo provincial entre as fraternidades, alguns pontos de crítica apareceram com mais destaque, gostaria que o senhor comentasse dois deles:
- A transferência da sede Provincial do Convento São Francisco para a Vila Clementino.
Frei Augusto
- Esta transferência não foi o atual Definitório que decidiu. Esta decisão foi produto de Capítulo Provincial, votada pelos capitulares; não pelos definidores. Nós fomos para lá obedecendo a um critério da Província. Estávamos lá no São Francisco já há 36 anos esperando oportunidade de uma nova sede, porque não havia condições físicas e nem éramos bens quistos, porque a movimentação da sede provincial, o grande afluxo de pessoas subindo e descendo no elevador incomodava os frades da casa e as repartições não eram adequadas. Era necessário, de fato, um novo local. A Vila Clementino se apresentou viável porque ali foi feito um projeto de condomínio: nós entramos com o terreno e recebemos área construída, ganhando uma sede gratuita, se bem que o aparelhamento foi às nossas custas. Como sede (3º andar) é excelente, feito para esta finalidade mesmo. Com relação à residência (26º andar é que poderia ter sido diferente. O contrato inicial deveria ter garantido uma dependência tal que não precisássemos pagar condomínio. Aí seria uma residência normal. O gasto com condomínio nos pesa, pois temos que pagar despesas do prédio todo e, como a área que ocupamos é grande, torna-se muito pesado. O erro está na forma em que foi feito o contrato, mas não na casa em si.

- O considerável número de transferências propostas, publicadas, mas não efetivadas.
Frei Augusto - Eu não posso entrar nos detalhes desse assunto porque existe uma reserva sigilosa. Não vou poder dizer aqui as razões por que voltamos atrás, mas posso induzir o pensamento. Muitos foram transferidos porque deviam sê-lo, por questões de ordens diversas. Havia também, em alguns casos, a resistência das fraternidades em receberem o frade para lá transferido. Neste caso, forçar a transferência não era a melhor decisão e por isso voltávamos atrás. Um dos princípios de definitório – e isso foi eu que insisti muito – era de voltar atrás quando não acertávamos, o que não é vergonhoso, pois o definitório é soberano e tem liberdade para rever uma decisão e isso não o enfraquece. São muitos, portanto, os motivos, que nos levaram a voltar atrás em casos de transferência.

Site Franciscanos - Na conclusão de seu relatório final o senhor diz “Dediquei minha vida e minha saúde neste função”. O senhor poderia comentar esta afirmação?
Frei Augusto
- A gente sempre fala na saúde dos frades e até fizemos projetos novos neste campo, mas, como diz a assertiva bíblica: “Médico, cura-te a ti mesmo!”. Pelas circunstâncias de viagens, de reuniões e de trabalhos, noite adentro inclusive, nem sempre foi fácil para mim cumprir uma prescrição médica contínua de um tratamento do diabetes, que é uma doença que corrói internamente a pessoa sem dar muito aviso. Externamente a pessoa está bem, mas, internamente elá está corroída como um móvel infestado de cupins. Então, apesar de me sentir assim desde o ano 2000, eu desconsiderei esta minha enfermidade para me dedicar à Província, quer com prejuízo meu ou não. Se acertei ou não acertei, não vem ao caso. Está feito. Isto em relação à saúde. Em relação à vida, eu senti na minha função o dever de servir o melhor possível a meus confrades, de poder coordenar o melhor possível esta Província. Agora, a gente vê nos resultados que nem sempre agradou, que nem sempre foi bom, que nem sempre acertou, mas ficam muitas coisas boas, e isso eu consagrei, doei à Província. Por isso eu falei que doei a minha vida e a minha saúde e, se for necessário, continuo afirmando.

Site Franciscanos - E quais são seus planos para o futuro?
Frei Augusto
- São bem pequenos. Eu quero me colocar à disposição do Definitório para o que der e vier, para aquilo que eu puder fazer. Eu gostaria que me fosse dado um prazo suficiente para cuidar da minha saúde, para melhorar, e aí, para o que der e vir. Eu gosto muito das paróquias, também poderia dar assessoria ao Secretário da Evangelização, posso ser atendente conventual, atender confissões, e poderia assessorar as paróquias na formação de lideranças leigas, ajudá-las na implantação do Plano de Evangelização, o que não está sendo muito fácil, ajudar no diagnóstico da realidade, de onde surgem as prioridades, os projetos, explicar como se faz isso, afinal tenho curso e tenho diploma nessa área. Pretendo sobretudo ser um frade mais piedoso, mais orante, mais voltado para o meu ser e ajudar outros também a serem assim.

Site Franciscanos - Qual seria seu principal conselho para o próximo ministro?
Frei Augusto
- Eu penso que seria uma porção de dicas. Vou citar algumas:
Visita as fraternidades – Os frades sempre cobram. Eu pensei que, ao ingressar, isso não ia ser cobrado de mim, mas vi que não consegui fazer.
Presença nas casas de formação – Estar de perto com os formandos.
Apoiar e obter apoio do definitório – Sem o definitório o Ministro Provincial não consegue agir. E quando o definitório é prepotente demais cassa a liderança do Provincial, o que também não é bom, porque o definitório é assessoria do Provincial, e não um contraponto. Ele pode dar conselhos, mas não cortar a ação do ministro e por isso ele (ministro) precisa estar atento nesse sentido para que sua liderança seja estendida pelos definidores, mas não tolhida.

Site Franciscanos - Deixe sua mensagem final para os frades.
Frei Augusto
- Foi muito bom estar com vocês. Agradeço imensamente a colaboração de todos! Agradeço a cada frade, em especial àqueles que foram obedientes, embora às vezes contrafeitos em seu ponto de vista, mas porque fizeram voto foram obedientes. Ao mesmo tempo, quero me colocar no lugar destes frades (obedientes) quando for pedida de mim uma obediência. Agradeço também a todos os doentes, “doentinhos que tivemos, muitos faleceram – 30 nesse triênio – que eles intercedam por nós, por nossa Província, lá de cima e também que o mundo das vocações comece a despertar de novo. Eu convido cada frade a trazer pelo menos um vocacionado – imagine o quanto não cresceria o nosso corpo de vocações – e peço à Virgem Nossa Senhora, nossa Mãezinha do Céu e padroeira que abençoe a nossa Província, e a São Francisco e Santa Clara que olhem e intercedam por nós.

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