CAPÍTULO XVIII
COMO SE DEVEM REUNIR OS MINISTROS
1. Todo ano pode cada ministro reunir-se com os seus irmãos, na festa de São Miguel Arcanjo, onde lhes aprouver, para tratar com eles das coisas que se referem a Deus.
2. Todos os ministros, porém, que residirem nos países ultramarinos e ultramontanos, compareçam uma vez em três anos, e os demais ministros uma vez por ano, na festa de Pentecostes, ao capítulo que se reúne junto à igreja de Santa Maria da Porciúncula,
3. a não ser que o ministro e servo de toda a fraternidade o determine de modo
diferente.
Legenda Maior, 4,10
1. Com o correr do tempo, já multiplicados os frades, o pastor começou a convocá-los solícito no lugar de Santa Maria da Porciúncula para o capítulo geral, para que, na medida da distribuição divina, desse a porção da obediência a cada um na terra da pobreza.
2. Embora houvesse penúria de tudo que era necessário, aí se reunia às vezes uma multidão de mais de cinco mil frades, e, com a ajuda da clemência divina, havia suficiência de comida, acompanhava-a a saúde do corpo e transbordava a alegria espiritual.
3. Mas nos capítulos provinciais, como não podia estar corporalmente presente, estava presente em espírito, pelo cuidado solícito de oorintações, pela insistência das preces e pela eficácia da bênção, embora tenha havido alguma vez em que apareceu visivelmente, por admirável obra de Deus.
4. Pois uma vez, quando o egrégio pregador, e hoje preclaro confessor de Cristo, Antônio, pregava aos frades, no capítulo de Arles, sobre o título da cruz: Jesus Nazareno, rei dos Judeus, um frade de comprovada virtude, chamado Monaldo, olhando para a porta do capítulo por inspiração divina, viu com os olhos corporais o bem-aventurado Francisco elevado no ar, com os braços abertos em cruz, abençoando os frades.
5. Todos os frades sentiram-se repletos de tanta consolação do espírito que o testemunho do Espírito deu-lhes interiormente a certeza da presença verdadeira do santo pai. Isso foi confirmado mais tarde por testemunho exterior, não só por sinais evidentes mas também pelas palavras do santo pai.
6. Devemos crer, é claro, que a virtude de Deus onipotente, que permitiu que Ambrósio, bispo sagrado, estivesse presente no enterro do glorioso Martinho, para que venerasse com piedoso afeto aquele piedoso pontífice.
7. também tornou presente o seu servo Francisco na pregação de Antônio, seu verdadeiro pregoeiro, para aprovar a veracidade do discurso, principalmente da Santa Cruz, de que era portador e ministro.