Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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-- Curso do Carisma --
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2. FRANCISCO: “OUTRA COISA NÃO DESEJEMOS....”

Quem lê os Escritos de Francisco, sente de imediato a profunda dimensão contemplativa. Quando ele fala de “Deus” ou de “Jesus”, muda seu tom de voz. De uma pessoa desajeitada, que mal sabe escrever, transforma-se em um poeta, capaz de expressar a sua relação com Deus de modo ágil, elegante, poético. Nos seus escritos, muitos trechos são verdadeiras orações cheias de sentido, são entusiasmados hinos, louvações, ladainhas, cânticos. O Cântico do Irmão Sol é o texto mais conhecido e mais perfeito. Porém, existem muitos outros textos que dão testemunho do mesmo fogo interior. Por si só, este fato já é uma demonstração da indissolúvel união entre contemplação e missão. Pois Francisco escreveu todos esses textos para transmitir uma mensagem aos outros. Sem querer ser impositivo, queria deixar outras pessoas participarem do fervor que o animava.

Francisco compôs o Cântico do Irmão Sol depois de uma profunda crise em sua vida, causada pela doença e pela depressão. Neste estado, Francisco experimentou a ternura de Deus. De repente, todas as dúvidas desapareceram, a depressão transformou-se em júbilo, o sofrimento e a consciência de estar perto da morte transformaram-se em fonte de vitalidade. Francisco traduziu essa experiência em palavras e música, a fim de estimular os irmãos a saírem mundo afora, louvando a ternura de Deus e entusiasmando outros homens e mulheres a louvar a Deus.

Também a ladainha, que Francisco confiou ao Irmão Leão, é um “texto pastoral”. Percebendo que Frei Leão estava sofrendo, atormentado por dúvidas e sentimentos de inferioridade, queria fazê-lo entender: Também tu, Frei Leão, estás marcado pelo mistério de Deus e pelo sinal da Cruz. Deixa-te, pois, envolver pelo amor deste Deus incompreensível, por esse mistério a quem podemos dirigir-nos como a um “Tu!”, sempre de novo um “Tu!”, acrescentando expressões como “sumo bem, delícia do amor, sabedoria, humildade, paciência, segurança...”(cf. EL)

É como se Francisco tivesse conhecimento do método de oração da Ásia Oriental, que consiste em a pessoa recolher e concentrar todas as suas faculdades numa só palavra (= “mantra”), expressando e revelando-se totalmente nesta palavra. O que distingue a maneira de Francisco do método de oração asiática é o modo como ele concentra tudo neste diálogo com o insondável e inefável “Tu!”

Não é de se admirar que Tomás de Celano considera em Francisco o exemplo ideal de oração. “Para fazer um holocausto múltiplo de todo o interior de seu coração, propunha a seus próprios olhos de muitas maneiras aquele que é sumamente simples. Muitas vezes ficava pensando com os lábios parados e, levando para dentro as coisas de fora, elevava-se até os céus. Transformado não só em orante mas na própria oração, unia a atenção e o afeto num único desejo que dirigia ao Senhor” (2C95).

Porém, para chegar a tanto, Francisco teve que percorrer um longo caminho. Segundo ele, Deus deve ter a soberania absoluta. Nada mais tem o direito de concorrer ou medir-se com Deus.

“Outra coisa não desejemos, nem queiramos, nem nos agrade, nem nos alegre senão o nosso Criador e Redentor e Salvador, o único e verdadeiro Deus, que é o bem pleno, o bem todo, o bem interiro, o sumo e verdadeiro bem....” (1 Rg 23, 27-29).

De modo inequívoco, este texto demonstra o que Francisco procurava realizar com seu Movimento: queria uma fraternidade que se definisse plena e totalmente pela contemplação, pela  oração e o serviço prestado a Deus. Isto ainda não explica de que modo concreto Francisco desejava concretizar essa  dimensão contemplativa na sua vida.
Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br
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  :: Cântico do Irmão Sol ::

"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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