Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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-- Curso do Carisma --
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6. O MUNDO COMO CLAUSTRO: CONTEMPLAÇÃO COMO MISSÃO

Ao referir-se às casas que fundou, a palavra “claustrum” não ocorre nos Escritos de Francisco. O termo “clausura” (= lugar cercado), porém, se encontra duas vezes na sua  Regra para os Eremitérios. Mas o termo não é usado num sentido monástico, ou seja,  não designa muralhas que cercam igrejas ou conventos. Pessoas que se encontram aí, permanecem somente por algum tempo, para depois poderem afastar-se livremente, sem constrangimento.

No sentido franciscano, “clausura” é simplesmente um lugar cercado por uma sebe ou uma barreira natural, impedindo o acesso fácil às pessoas de fora. Por sua vez, Clara, como já vimos, tinha dissolvido interiormente e transformado misticamente a clausura, que lhe havia sido imposta pela Igreja.

Haveria, então, razão de se admirar que os conceitos “convento” e  “mundo” sejam  coincidentes para o Movimento franciscano? Tal coincidência é ilustrada numa peça teatral franciscana, chamada “mistério” na linguagem medieval, em que a Pobreza é  representada por uma pessoa, tratada pelos frades como uma nobre “Senhora”:
“Depois  que a Senhora Pobreza dormiu, bem e profundamente, ela se levanta preocupada, pedindo que se lhe mostre o convento. Os Irmãos a conduzem para o alto duma montanha, donde lhe mostram o mundo inteiro, e tudo quanto se pudera dali enxergar, e dizem: Eis o nosso convento!” (Sacrum Commertium, 63)

O convento é o mundo; e o mundo é o convento. Não se poderia formular de maneira mais concisa e expressiva a unidade da entrega total a Deus e da doação ao mundo. Caso a contemplação ocorra no convento, deve estar presente no convento o universo inteiro. Não pode existir uma clausura para o  pensamento e o coração. Nada e ninguém pode ficar  “de fora”; todos e todas as coisas devem estar incluídos e abarcados pela forma de vida contemplativa.
M. Bártoli escreveu a respeito da comunidade de Clara:  “Era concebida como uma comunidade aberta, tão aberta que não reconheceu nenhum limite. Seu horizonte englobava o mundo inteiro” (Bártoli 119). Apesar de Clara viver em uma clausura, o exemplo de sua vida ultrapassava os seus limites (Bula de Canonização). A força do bom exemplo é, em si, um apostolado, uma missão com conseqüências infinitas.

No seu Testamento, Clara escreveu: “O Senhor nos deu um exemplo, um  modelo e um espelho, não apenas para os outros, mas também para as nossas irmãs. Pois elas foram chamadas por ele à mesma vida à qual ele nos chamou, a fim de que também para nossas irmãs. Pois elas foram chamadas por ele à mesma vida à qual ele nos chamou, a fim de que também elas fossem um espelho e um modelo para as pessoas do mundo” (Testamento de Clara, 6).

Em dois sentidos, Clara ultrapassou os limites do isolamento que lhe tinha sido imposto: “De dentro para fora (pela convicção de ser um exemplo e um modelo significativo para a Igreja inteiro) e de fora para dentro (pela prontidão com que atendeu às preocupações que lhe chegaram de fora, assumindo-as junto com suas irmãs)” (Bártoli 121).
Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br
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  :: Cântico do Irmão Sol ::

"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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