Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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-- Curso do Carisma --
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2.1 O QUE QUER DIZER O TERMO "SECULAR"?

Antes de prosseguir nesta procura, temos que esclarecer o termo "secular" de modo mais nítido. Pois, neste contexto, essa palavra não é sinônima nem de "ateu", nem de "secularizado" (cf. Lição 14), mas significa bem outra coisa. Trata-se justamente do contrário! Pois, não é possível encontrar a Deus a não ser no âmbito secular, em "todas as coisas deste mundo", como Inácio de Loyola definiu: quer dizer, nas pessoas humanas com suas preocupações e necessidades, suas alegrias e esperanças, nos animais, nas plantas e nas pedras, nas situações concretas e nas circunstâncias sociais, nos acontecimentos e nas experiências da história. Portanto, a pessoa religiosa não precisa ir ao deserto, subir ao cume de um monte ou refugiar-se no mundo interior da alma (apesar de poder fazer isto também!) para procurar a Deus. Não precisa despedir-se do mundo para encontrar a Deus. Este é o ensino da Bíblia, com a qual estamos comprometidos.

Na história da Igreja é possível encontrar ainda uma outra influência predominante: A realidade como constutuída de duas partes desiguais, ou seja, do "mundo", considerado como uma coisa inferior ou mesmo ruim, e do "espírito", considerado o melhor ou até mesmo a única coisa válida e boa.

Nesta perspectiva, a única preocupação importante consistiria em ocupar-se exclusivamente das coisas espirituais, mortificando os sentidos, estimulando o poder da alma, fugindo do mundo, entregando-se a Deus. Essa mentalidade cria um dualismo irreconciliável. Os ascetas do cristianismo primitivo saíram das cidades e refugiaram-se no deserto. Seus seguidores procuravam a vida religiosa pela renúncia às suas posses (pobreza), à vontade própria (obediência) e à sexualidade (virgindade). Evidentemente, esses três pontos de cristalização da vida cristã contêm muitos conteúdos positivos e preciosos. Por este motivo, continuam constituindo - para inúmeros cristãos - motivos e perspectivas essenciais, válidas até hoje.

Desde o início, porém, estavam penetradas por um espírito dualista, marcado pelo desprezo do mundo.

O dualismo tem ainda outras raízes que não são nem cristãs. Por isso, não convém que seja um motivo condutor (leitmotiv) para a vida franciscana. O mundo real é a criação de Deus, o lugar onde a glória de Deus se manifesta e que resplandecer. Mesmo sendo verdade que Deus habita na alma humana individual, normalmente costuma agir através da história dos povos. Mostrou-se na sarça ardente a Moisés, para usá-lo como instrumento numa obra histórica e salvífica: devia conduzir o povo de uma situação de opressão e dependência à plena liberdade. Deus está presente nos processos de libertação dos povos e no engajamento em prol de mais justiça e paz. Ele se encarnou (Jô 1) e quer continuar presente no mundo até o fim dos tempos (Mt 28,20). Quem deseja seguir a Deus, tem que seguí-lo mundo adentro.

Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br
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  :: Cântico do Irmão Sol ::

"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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