|
|
|
|
|
 |

2.2
O mundo como "convento"
À primeira vista, também Francisco
e Clara foram marcados pelo espírito
de dualismo. Jejuavam e mortificavam-se, tratavam
mal o seu "irmão jumento",
quer dizer, seu próprio corpo, com tanta
dureza que chega a ser quase incompreensível
hoje em dia. Os dois "saíram do
mundo". Francisco usou esse termo para
expressar que o beijo que deu ao leproso significava
realmente uma mudança radical na sua
própria vida. Com esse passo, porém,
não chegou a um estado extraterrestre,
muito pelo contrário.
Talvez seja bom, relembrar aqui o trecho onde
o próprio Francisco descreve sua conversão:
"Foi assim que o Senhor me concedeu a mim,
Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência:
como estivesse em pecado, parecia-me deveras
insuportável olhar para os leprosos.
E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu
tive misericórdia com eles. E, enquanto
me retirava deles, justamente o que antes me
parecia amargo se me converteu em doçura
da alma e do corpo. E depois disto demorei só
bem pouco e abandonei o mundo" (Test 1-3).
Em primeiro lugar, é preciso chamar atenção
ao fato de que Francisco encontrou Deus no mundo,
no abraço de um pobre excluído,
desprezado e miserável, no encontro com
a miséria social, que o confrontou na
pessoa de um leproso. Portanto, Francisco abandonou
um certo tipo de "mundo", ou seja,
o mundo marcado pela desumanidade, que continua
produzindo sempre novos "leprosos".
E ele se integrou num outro mundo: num mundo
caracterizado pela compaixão, que resgata
o leproso, reintegrando-o no meio da sociedade.
Francisco quer um mundo que termina com todas
as formas de exclusão e onde se consegue
chegar à experiência de Deus; assim
como acontece num encontro autêntico,
num abraço amigo, num beijo.
Que Francisco, de fato, não deixou o
mundo, mas considerava o mundo como um lugar
próprio para sua nova forma de vida,
é demonstrado, por exemplo, pela nova
lei que deu à sua fraternidade: "Quando
os irmãos andarem pelo mundo, (devem
encarnar o espírito do Evangelho)"
(RegNB 14). Francisco concebia a sua comunidade
como uma fraternidade nômada: Não
devia fixar-se definitivamente em lugar nenhum,
nem nos montes, nem nos vales. Ao máximo,
poderia repousar-se por um pouco de tempo, para
depois partir novamente e continuar a caminhada.
Num jogral maravilhoso, chamado "Sacrum
Commercium", que foi escrito em meados
do século XIII por um franciscano desconhecido,
conta-se com a "Senhora Pobreza" pediu
aos frades que lhe mostrassem o seu convento.
"Conduziram-na a um certo monte, mostraram-lhe
a região toda que se podia ver, e disseram:
Senhora, este é o nosso convento!"
(SCom 63).
O mais famoso poema escrito por São Francisco,
"O Cântico do Irmão Sol",
não é outra coisa do que uma transposição
quase litúrgica - em forma de hino -
de uma espiritualidade profundamente secular.
Portanto, seria muito proveitoso procurar ler
também os outros escritos de Francisco
sob um ângulo "secular". Comparemos,
por exemplo, a "Regra Não-Bulada"
com a "Carta aos Fiéis".
A Regra Não-Bulada é o fundamento
da Primeira Ordem, assim como a Carta aos Fiéis
é o fundamento da Ordem Terceira. Por
via de regra, encontramos poucos trechos na
Regra que não poderiam estar também
na Carta, e vice-versa. Além disso, muitas
das frases são quase idênticas.
Isto obriga concluir que tanto a Primeira como
a Terceira Ordem, e provavelmente também
a Segunda Ordem, são mantidas pela mesma
dinâmica espiritual, ou seja, é
preciso procurar, encontrar e testemunhar Deus
no mundo. Em outras palavras, nossa missão
não consiste em outra coisa do que sermos
testemunhas de Deus no mundo.. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
|
|
 |
|
|
|
|
"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
|
|
 |
 |
 |
|
|
|