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2.6
O encargo missionário
Entre os fundadores de ordens religiosas, Francisco
foi o primeiro que "ancorou" firmemente
o encargo missionário como um ponto fundamental
na sua Regra, que -inicialmente - não
foi formulado em vista dos clérigos,
mas para os irmãos em geral (e consequentemente
podemos acrescentar também: para as irmãs)
que não são sacerdotes.
Francisco colocou a exortação
feita por leigos como a forma primitiva de anunciar
o Evangelho "entre os sarracenos".
Convém comprar a forma dessa "exortação"
(RegNB 21) permitida aos leigos com o texto
do encargo oficial de pregação
missionária destinada aos que seriam
enviados oficialmente "entre os sarracenos"
(RegNB 16,6). Verifica-se que entre as duas
formas, a concordância é quase
perfeita. Com outras palavras, a expressão
"entre os sarracenos" indica que a
exortação permitida aos leigos
seria feita no meio de culturas remotas e em
lugares de missão, como se dizia antigamente,
ou seja, em contextos sociais até então
desconhecidos.
Essa exortação visava preparar
o povo à recepção dos sacramentos
que os sacerdotes deveriam administrar em seguida.
Na intenção de Francisco, constitui
a primeira e fundamental tarefa dos Frades Menores
e - em conseqüência - de todos os
irmãos e as irmãs em geral, seja
qual for a comunidade à qual pertençam.
Isto se torna ainda mais claro, quando se medita
o trecho inteiro da Regra Não-Bulada
onde está escrito: "Se pois houver
irmãos que quiserem ir para entre os
sarracenos, ... poderão proceder de duas
maneiras espiritualmente com os infiéis:
O primeiro modo consiste em absterem-se de rixas
e disputas, submetendo-se a todos os homens
por causa do Senhor (IPd 2,13) e confessando
serem cristãos. O outro modo é
anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem
agradável ao Senhor" (RegNB 16,
6-8).
Esse encargo missionário é simplesmente
revolucionário, apesar do fato de - até
hoje - não ter sido nem reconhecido nem
realizado pela maioria das comunidades franciscanas.
Trata-se de uma singela presença no meio
do povo. Será que esse encargo não
constitui um eco longínquo à afirmação
do próprio Deus quando declarou: "Eu
sou o EU SOU" (Ex, 3,14)?
Para falar em termos do Novo Testamento, não
parece ser o testemunho de um Deus que se encarnou
totalmente ao assumir a natureza humana? Trata-se
da vontade de submeter-se, de integrar-se, de
ser reconhecido pelos seres humanos e na sua
cultura, assim como na criação
em geral.
Trata-se de existência, atualização,
presença, que não sejam causa
nem de rixas, nem de disputas, nem de guerras,
mas uma dinâmica do próprio Deus
encarnado, celebrado pelos anjos por um cântico
de Paz ao nascer no mundo. Tudo isto é
fundamentalmente "secular", porque
possibilita a encarnação de Deus
dentro do mundo, o auto-aniquilamento por amor
e a renúncia total a todas as formas
de poder. Eis a tarefa fundamental dos cristãos,
sobretudo dos leigos e, depois, também
dos cléricos. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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