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2.3
A alienação da vocação
franciscana
Não foi possível manter por muito
tempo a índole secular da vocação
franciscana. Logo nasceram correntes contrárias
que conseguiam reconduzir o movimento de volta
por trilhos tradicionais.
>> Por exemplo, foram introduzidos na
Regra Não-Bulada os três "Conselhos
Evangélicos". Pouco antes que essa
Regra fosse escrita, a vida religiosa foi reduzida
na Igreja à prática dos três
assim chamados Conselhos Evangélicos.
A Cúria papal estava de tal modo fascinada
por eles que insistia em incluí-los também
na Regra franciscana. Foi somente uns cinquenta
anos depois que a Regra franciscana ficou pronta,
que a pobreza, a obediência e a virgindade,
conhecidas em seu conjunto como os "Conselhos
Evangélicos", ocuparam o lugar central.
São considerados elementos essenciais
e constitutivos de qualquer comunidade religiosa.
De sua parte, os dois grandes teólogos,
o franciscano Boaventura e o dominicano Tomás
de Aquino, contribuíram para que isto
acontecesse. Sem dúvida, essa teologia
pertence ao que há de melhor no pensamento
da Igreja sobre uma das formas de vida cristã.
Todavia, não se deve esquecer que - deste
modo - o específico de cada espiritualidade
é relegado ao segundo plano.
Em vez de testemunhar pela secularidade da espiritualidade
franciscana, os próprios franciscanos
logo insistiram na distância que os separava
do mundo, em função dos Conselhos
Evangélicos. A possibilidade de interpretar
até os Conselhos Evangélicos de
um modo "secular" é uma intuição
que ressurge somente em nossos dias. Durante
os séculos passados formaram a grande
barreira que separava a Primeira e a Segunda
Ordem da Ordem Terceira.
>> Não demorou muito, e o muro
da clausura também chegou a fazer parte
da Ordem franciscana. Em vez de morar provisoriamente
em certos lugares, assim como Francisco tinha
designado, as comunidades franciscanas começaram
a habitar em "conventos", constituídos
por edifícios sólidos que pareciam
verdadeiras fortalezas. A separação
do mundo, ou seja, das pessoas do mundo, acabou
sendo quase absoluta. Sobretudo para as Clarissas,
a clausura se tornou inexpugnável. Existem
indicações suficientes para demonstrar
que esta evolução foi promovida
pela Igreja hierárquica. Sobretudo a
Segunda Ordem recebeu uma Regra pelo Cardeal
Hugolino, o futuro Papa Gregório IX,
que consistia em mais da metade de prescrições
que tocam a questão da clausura. Tanto
a Primeira como a Segunda Ordem foram adaptadas
à vida monástica conhecida até
então. Certamente, isto não correspondia
às intenções nem de São
Francisco, nem de Santa Clara.
>> Pouco tempo depois, seguiu-se a "clericalização"
da Primeira Ordem. A partir de sua espiritualidade,
Francisco era um leigo, mesmo sendo membro da
hierarquia eclesiástica pela sua posição
como diácono. Foi vontade dele que os
seus irmãos pertencessem - como simples
leigos - ao grau básico da Igreja (cf.
2Cel 146), mesmo quando eram incumbidos de missões
especiais. No meio do povo deviam viver a radicalidade
do Evangelho, sendo pobres entre pobres, vivendo
a fraternidade em comunidades concretas, anunciando
a presença de Deus na situação
do dia-a-dia e no mundo inteiro, unindo-se a
todos os que crêem e que querem formar
a Igreja de Jesus Cristo.
>> Com a entrada dos primeiros sacerdotes,
por exemplo, do irmão Pedro Cattani,
essa intenção foi desrespeitada.
A admissão de clérigos desenvolveu-se
e multiplicou-se até constituir uma legalidade
própria: havia cada vez mais sacerdotes
ordenados, até que eles ocupassem todos
os n´veis da vida franciscana. Francisco
sempre se opôs a essa evolução;
mas, logo depois de sua morte, irmãos
foram nomeados bispos e chegaram até
a ser eleitos Sumos Pontífices.
Com isto se completou uma total des-secularização,
em detrimento da intenção primitiva
de Francisco. Seguramente o Santo não
previu essa evolução. Acreditava,
pelo contrário, que os sacerdotes que
se juntavam à sua Ordem, seriam capazes
de submeter-se ao novo espírito - por
ele desenvolvido - de doação ao
mundo. Em consequência de evoluções
modernas em nossos dias, voltam a existir chances
reais de poder reencontrar a intenção
original de Francisco.
>> Do mesmo modo, a Ordem Terceira afastou-se
cada vez mais do mundo. Nos lugares em que chegou
a formar comunidades estáveis, também
começou a erigir muros de separação
e clausura. Nos lugares em que membros da Ordem
Terceira continuavam vivendo "no mundo",
procuravam criar uma espécie de clausura
"dentro dos seus corações".
Formavam associações piedosas,
sem influência significativa na sociedade
que as circundava. Até que ponto a Ordem
Terceira continua sofrendo dessa imagem é
exemplificado pela sua situação
em muitas partes do mundo.
Apesar - ou até por causa - da obrigação
de fazer penitência, que lhe era fundamental,
a Ordem Terceira teve certos resultados sociais.
Um exemplo é a recusa ao serviço
militar e a consequente resistência aos
sistemas políticos vigentes.
Essas poucas indicações são
suficientes para justificar o apelo de retornar
às fontes! "Como família
franciscana, vamos voltar a redescobrir a nossa
espiritualidade original de secularidade; pois,
apesar de todas as diferenças, ela continua
sendo o traço unificador entre nós". |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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