Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
O Carisma
     O CARISMA
     Últimas Notícias
     São Francisco
     Santa Clara
     As Três Ordens
     OFS
     JUFRA
     CFMB
     FFB
     Santos Franciscanos
     Símbolos
     Fontes Franciscanas
     Documentos da Ordem
     Curso do Carisma
     Ecologia & Espiritualidade
     Sites Franciscanos
     Assis: Imagens
     Bibliografia Franciscana

-- Curso do Carisma --
(+) Índice   << Voltar

2.3 A alienação da vocação franciscana
Não foi possível manter por muito tempo a índole secular da vocação franciscana. Logo nasceram correntes contrárias que conseguiam reconduzir o movimento de volta por trilhos tradicionais.

>> Por exemplo, foram introduzidos na Regra Não-Bulada os três "Conselhos Evangélicos". Pouco antes que essa Regra fosse escrita, a vida religiosa foi reduzida na Igreja à prática dos três assim chamados Conselhos Evangélicos. A Cúria papal estava de tal modo fascinada por eles que insistia em incluí-los também na Regra franciscana. Foi somente uns cinquenta anos depois que a Regra franciscana ficou pronta, que a pobreza, a obediência e a virgindade, conhecidas em seu conjunto como os "Conselhos Evangélicos", ocuparam o lugar central. São considerados elementos essenciais e constitutivos de qualquer comunidade religiosa. De sua parte, os dois grandes teólogos, o franciscano Boaventura e o dominicano Tomás de Aquino, contribuíram para que isto acontecesse. Sem dúvida, essa teologia pertence ao que há de melhor no pensamento da Igreja sobre uma das formas de vida cristã. Todavia, não se deve esquecer que - deste modo - o específico de cada espiritualidade é relegado ao segundo plano.

Em vez de testemunhar pela secularidade da espiritualidade franciscana, os próprios franciscanos logo insistiram na distância que os separava do mundo, em função dos Conselhos Evangélicos. A possibilidade de interpretar até os Conselhos Evangélicos de um modo "secular" é uma intuição que ressurge somente em nossos dias. Durante os séculos passados formaram a grande barreira que separava a Primeira e a Segunda Ordem da Ordem Terceira.

>> Não demorou muito, e o muro da clausura também chegou a fazer parte da Ordem franciscana. Em vez de morar provisoriamente em certos lugares, assim como Francisco tinha designado, as comunidades franciscanas começaram a habitar em "conventos", constituídos por edifícios sólidos que pareciam verdadeiras fortalezas. A separação do mundo, ou seja, das pessoas do mundo, acabou sendo quase absoluta. Sobretudo para as Clarissas, a clausura se tornou inexpugnável. Existem indicações suficientes para demonstrar que esta evolução foi promovida pela Igreja hierárquica. Sobretudo a Segunda Ordem recebeu uma Regra pelo Cardeal Hugolino, o futuro Papa Gregório IX, que consistia em mais da metade de prescrições que tocam a questão da clausura. Tanto a Primeira como a Segunda Ordem foram adaptadas à vida monástica conhecida até então. Certamente, isto não correspondia às intenções nem de São Francisco, nem de Santa Clara.

>> Pouco tempo depois, seguiu-se a "clericalização" da Primeira Ordem. A partir de sua espiritualidade, Francisco era um leigo, mesmo sendo membro da hierarquia eclesiástica pela sua posição como diácono. Foi vontade dele que os seus irmãos pertencessem - como simples leigos - ao grau básico da Igreja (cf. 2Cel 146), mesmo quando eram incumbidos de missões especiais. No meio do povo deviam viver a radicalidade do Evangelho, sendo pobres entre pobres, vivendo a fraternidade em comunidades concretas, anunciando a presença de Deus na situação do dia-a-dia e no mundo inteiro, unindo-se a todos os que crêem e que querem formar a Igreja de Jesus Cristo.

>> Com a entrada dos primeiros sacerdotes, por exemplo, do irmão Pedro Cattani, essa intenção foi desrespeitada. A admissão de clérigos desenvolveu-se e multiplicou-se até constituir uma legalidade própria: havia cada vez mais sacerdotes ordenados, até que eles ocupassem todos os n´veis da vida franciscana. Francisco sempre se opôs a essa evolução; mas, logo depois de sua morte, irmãos foram nomeados bispos e chegaram até a ser eleitos Sumos Pontífices.

Com isto se completou uma total des-secularização, em detrimento da intenção primitiva de Francisco. Seguramente o Santo não previu essa evolução. Acreditava, pelo contrário, que os sacerdotes que se juntavam à sua Ordem, seriam capazes de submeter-se ao novo espírito - por ele desenvolvido - de doação ao mundo. Em consequência de evoluções modernas em nossos dias, voltam a existir chances reais de poder reencontrar a intenção original de Francisco.

>> Do mesmo modo, a Ordem Terceira afastou-se cada vez mais do mundo. Nos lugares em que chegou a formar comunidades estáveis, também começou a erigir muros de separação e clausura. Nos lugares em que membros da Ordem Terceira continuavam vivendo "no mundo", procuravam criar uma espécie de clausura "dentro dos seus corações". Formavam associações piedosas, sem influência significativa na sociedade que as circundava. Até que ponto a Ordem Terceira continua sofrendo dessa imagem é exemplificado pela sua situação em muitas partes do mundo.

Apesar - ou até por causa - da obrigação de fazer penitência, que lhe era fundamental, a Ordem Terceira teve certos resultados sociais. Um exemplo é a recusa ao serviço militar e a consequente resistência aos sistemas políticos vigentes.

Essas poucas indicações são suficientes para justificar o apelo de retornar às fontes! "Como família franciscana, vamos voltar a redescobrir a nossa espiritualidade original de secularidade; pois, apesar de todas as diferenças, ela continua sendo o traço unificador entre nós".
Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br
(+) Índice   << Voltar
  :: Cântico do Irmão Sol ::

"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
Copyright © 2011 Franciscanos.org.br - Todos os direitos Reservados.