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3.0
O movimento franciscano como uma vanguarda
Pelo conceito da "Evangelização",
que foi adotado há pouco tempo, não
se pode tratar de outras coisas senão
do testemunho de um Deus encarnado em todas
as esferas e todas as dimensões do mundo.
Ao anunciar, oficialmente, o Concílio
Vaticano II (Humanae salutis), em 25 de dezembro
de 1961, o Papa João XXIII constatava:
"Se hoje em dia há uma exigência
feita à Igreja, é a de colocar
a humanidade moderna em contato com a força
imperecível, vitalizante e divina do
Evangelho".
Em termos extremamente corajosos, o Conselho
Plenário da Ordem dos Frades Menores
(Salvador, 1983) definiu o lugar do movimento
franciscano na Igreja: "Como Irmãos
Menores somos chamados a ser "a vanguarda
evangelizadora", em uma Igreja que deve,
a cada passo, refazer-se e renovar-se. Em conseqüência,
temos de prestar o máximo da atenção
e ter muita sensibilidade para com todos os
movimentos do Espírito, dentro e fora
da Igreja. Além de servir aos fiéis,
vemos ser necessário atingir ainda, em
nossas próprias comunidades, aqueles
que ainda não foram tocados pelo Evangelho,
e aqueles que se afastaram do Evangelho, tal
como se lhes apresenta de modo tradicional"
(Bahia 1983, 17).
Evidentemente, essa definição
vale não somente para os franciscanos
em sentido estrito, mas também para todos
os leigos e religiosos que - de maneira ou de
outra - têm em São Francisco e
Santa Clara seus pontos de referência.
Seria bom relermos o texto citado com muita
atenção: o movimento franciscano
situa-se dentro da Igreja; no entanto, não
somente do lado daqueles que andam em trilhos
já antigos ou que só consideram
válidas coisas bem provadas.
A Igreja recebeu um desafio do mundo. Desde
o Concílio Vaticano II, quer arriscar-se
e entrar em terras novas. Para poder fazê-lo,
precisa de exploradores que a precedam, pessoas
que gostem do risco, da aventura, da experiência.
Em outras palavras: a Igreja precisa de uma
vanguarda, à qual possa unir-se para
seguir confiante. A partir de sua autocompreensão
e da sua história, o movimento franciscano
é chamado a assumir essa tarefa. Também
por pessoas de fora, o movimento está
recebendo estímulos e está sentindo
expectativas neste sentido.
Já em 1927, quer dizer, muitos antes
do Vaticano II, o jesuíta Peter Lippert
escreveu palavras que refletem, hoje em dia
mais do que naquela época, as expectativas
do nosso tempo: "Os princípios organizatórios
que São Bento, São Domingos e
Santo Inácio trouxeram às suas
novas comunidades parecem ter esgotado as suas
capacidades de adaptação aos tempos
modernos. Isto não quer dizer que sejam
obsoletos ou substituíveis. Porém,
aquele elemento absolutamente novo, procurado
por tantas almas e através de tantas
experiências de fundações
novas, encontra-se, provavelmente, apenas na
linha do ideal primitivo de São Francisco;
quer dizer, na linha da criatividade livre,
da comunidade aberta ao amor; na linha da existência
que age com simplicidade, sem se amarrar a construções
artificiais da vontade; na linha da personalidade
original e espontânea, que obedece unicamente
a uma lei interior e que se forma pela auto-disciplina.
Se por acaso, um dia, Deus der à sua
Igreja a Ordem do futuro, esperada com ânsia
por tanta gente, já hoje em dia, esta
Ordem, provavelmente, terá as feições
de São Francisco" (P.Lippert em
Stimmen der Zeit, 1927).
Um outro jesuíta assumiu esses pensamentos,
unindo-os aos acontecimentos e às intuições
do Concílio Vaticano II: Mário
von Galli afirma no seu livro Gelebte Zukunft
que Francisco de Assis foi o tema clandestino
do Vaticano II e que a Igreja evoluiu em direção
ao caminho tomado por Francisco.
Através destes testemunhos, uma expectativa
geral se faz sentir, concentrando a sua atenção
no movimento franciscano. É possível
até enumerar correntes específicas
do nosso tempo que se inspiram, de um modo muito
especial, no modelo franciscano:
>> O movimento em prol da Paz. Muita gente
engajada neste movimento se refere explicitamente
a Francisco, esperando que as Ordens franciscanas
se engajem de modo resoluto, fazendo-se porta-voz
desta causa autenticamente franciscana.
>> A Igreja dos pobres. No mundo inteiro,
há pessoas assumindo o compromisso de
lutar por uma Igreja dos pobres. Gostam de recorrer
a Francisco, confrontando-se com a sua figura
e esperando que aqueles que professam seguir
o estilo de vida do Santo estejam presentes
lá onde a Igreja se está engajando
na causa dos pobres.
>> O movimento ecológico. Pessoas
de destaque, empenhadas em preservar a natureza
e em defender o meio ambiente de toda exploração
iníqua, declaram que São Francisco
é o único que pode oferecer fundamentos
religiosos capazes de garantir a sobrevivência
da terra. Também estas pessoas estão
esperando um engajamento total por parte do
movimento franciscano.
Seria possível continuar a enumeração:
há movimentos que visam o diálogo
com outras religiões, a missão,
o encontro fraterno com outras culturas, a influência
sobre a sociedade civil, a contemplação...
A todas essas correntes, Francisco teria algo
a dizer; com todas elas o movimento franciscano
tem um compromisso a realizar.
É por este motivo que o movimento franciscano
deve lembrar-se de retornar às suas origens;
deve beber das fontes das quais brotou. É
com este objetivo que oferecemos este Curso,
pois queremos ser o que deveríamos ser,
isto é, testemunhas da Encarnação
de Deus no mundo, e vanguarda da Evangelização. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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