Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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3.0 O movimento franciscano como uma vanguarda

Pelo conceito da "Evangelização", que foi adotado há pouco tempo, não se pode tratar de outras coisas senão do testemunho de um Deus encarnado em todas as esferas e todas as dimensões do mundo.

Ao anunciar, oficialmente, o Concílio Vaticano II (Humanae salutis), em 25 de dezembro de 1961, o Papa João XXIII constatava: "Se hoje em dia há uma exigência feita à Igreja, é a de colocar a humanidade moderna em contato com a força imperecível, vitalizante e divina do Evangelho".
Em termos extremamente corajosos, o Conselho Plenário da Ordem dos Frades Menores (Salvador, 1983) definiu o lugar do movimento franciscano na Igreja: "Como Irmãos Menores somos chamados a ser "a vanguarda evangelizadora", em uma Igreja que deve, a cada passo, refazer-se e renovar-se. Em conseqüência, temos de prestar o máximo da atenção e ter muita sensibilidade para com todos os movimentos do Espírito, dentro e fora da Igreja. Além de servir aos fiéis, vemos ser necessário atingir ainda, em nossas próprias comunidades, aqueles que ainda não foram tocados pelo Evangelho, e aqueles que se afastaram do Evangelho, tal como se lhes apresenta de modo tradicional" (Bahia 1983, 17).
Evidentemente, essa definição vale não somente para os franciscanos em sentido estrito, mas também para todos os leigos e religiosos que - de maneira ou de outra - têm em São Francisco e Santa Clara seus pontos de referência.
Seria bom relermos o texto citado com muita atenção: o movimento franciscano situa-se dentro da Igreja; no entanto, não somente do lado daqueles que andam em trilhos já antigos ou que só consideram válidas coisas bem provadas.
A Igreja recebeu um desafio do mundo. Desde o Concílio Vaticano II, quer arriscar-se e entrar em terras novas. Para poder fazê-lo, precisa de exploradores que a precedam, pessoas que gostem do risco, da aventura, da experiência.
Em outras palavras: a Igreja precisa de uma vanguarda, à qual possa unir-se para seguir confiante. A partir de sua autocompreensão e da sua história, o movimento franciscano é chamado a assumir essa tarefa. Também por pessoas de fora, o movimento está recebendo estímulos e está sentindo expectativas neste sentido.
Já em 1927, quer dizer, muitos antes do Vaticano II, o jesuíta Peter Lippert escreveu palavras que refletem, hoje em dia mais do que naquela época, as expectativas do nosso tempo: "Os princípios organizatórios que São Bento, São Domingos e Santo Inácio trouxeram às suas novas comunidades parecem ter esgotado as suas capacidades de adaptação aos tempos modernos. Isto não quer dizer que sejam obsoletos ou substituíveis. Porém, aquele elemento absolutamente novo, procurado por tantas almas e através de tantas experiências de fundações novas, encontra-se, provavelmente, apenas na linha do ideal primitivo de São Francisco; quer dizer, na linha da criatividade livre, da comunidade aberta ao amor; na linha da existência que age com simplicidade, sem se amarrar a construções artificiais da vontade; na linha da personalidade original e espontânea, que obedece unicamente a uma lei interior e que se forma pela auto-disciplina. Se por acaso, um dia, Deus der à sua Igreja a Ordem do futuro, esperada com ânsia por tanta gente, já hoje em dia, esta Ordem, provavelmente, terá as feições de São Francisco" (P.Lippert em Stimmen der Zeit, 1927).
Um outro jesuíta assumiu esses pensamentos, unindo-os aos acontecimentos e às intuições do Concílio Vaticano II: Mário von Galli afirma no seu livro Gelebte Zukunft que Francisco de Assis foi o tema clandestino do Vaticano II e que a Igreja evoluiu em direção ao caminho tomado por Francisco.
Através destes testemunhos, uma expectativa geral se faz sentir, concentrando a sua atenção no movimento franciscano. É possível até enumerar correntes específicas do nosso tempo que se inspiram, de um modo muito especial, no modelo franciscano:
>> O movimento em prol da Paz. Muita gente engajada neste movimento se refere explicitamente a Francisco, esperando que as Ordens franciscanas se engajem de modo resoluto, fazendo-se porta-voz desta causa autenticamente franciscana.
>> A Igreja dos pobres. No mundo inteiro, há pessoas assumindo o compromisso de lutar por uma Igreja dos pobres. Gostam de recorrer a Francisco, confrontando-se com a sua figura e esperando que aqueles que professam seguir o estilo de vida do Santo estejam presentes lá onde a Igreja se está engajando na causa dos pobres.
>> O movimento ecológico. Pessoas de destaque, empenhadas em preservar a natureza e em defender o meio ambiente de toda exploração iníqua, declaram que São Francisco é o único que pode oferecer fundamentos religiosos capazes de garantir a sobrevivência da terra. Também estas pessoas estão esperando um engajamento total por parte do movimento franciscano.
Seria possível continuar a enumeração: há movimentos que visam o diálogo com outras religiões, a missão, o encontro fraterno com outras culturas, a influência sobre a sociedade civil, a contemplação... A todas essas correntes, Francisco teria algo a dizer; com todas elas o movimento franciscano tem um compromisso a realizar.
É por este motivo que o movimento franciscano deve lembrar-se de retornar às suas origens; deve beber das fontes das quais brotou. É com este objetivo que oferecemos este Curso, pois queremos ser o que deveríamos ser, isto é, testemunhas da Encarnação de Deus no mundo, e vanguarda da Evangelização.

Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br
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  :: Cântico do Irmão Sol ::

"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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